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Carros do Passado

Transportadores... de emoção

Os picapes esportivos não querem nada com o trabalho
e dividem o mundo entre aficionados e críticos

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Pode haver algo tão distante de um carro esporte quanto um grande picape? As características inerentes a esses utilitários -- grande altura livre do solo, chassi em separado, suspensões jurássicas, peso excessivo à frente, uma caçamba leve sobre as rodas que em geral são as motrizes -- representam a antítese do que um carro de alto desempenho deve ser. Mas não para os americanos.

Para eles, nada há de estranho em combinar esses conceitos em um só veículo: picapes esportivos vêm-se tornando cada vez mais comuns nos últimos anos. À parte a questão de gosto -- que não se discute --, parece haver uma importante razão por trás disso, resumida em quatro letras: CAFE.

É a sigla para Corporate Average Fuel Economy, ou consumo de combustível médio corporativo. O programa, implantado em 1975 pelo ACEEE (American Council for an Energy-Efficient Economy, conselho americano para uma economia energeticamente eficiente), prevê limites de consumo para veículos nos Estados Unidos. Como os utilitários -- picapes, minivans e utilitários esporte -- foram enquadrados em classe com maior consumo máximo que os automóveis, tiveram o benefício da lei e puderam receber motores bem potentes.

O Dodge Li'l Red Truck, ou "caminhãozinho vermelho" (ao lado), foi o precursor de uma tendência que teria no GMC Syclone, no alto, um de seus principais representantes

Isso porque os legisladores concordaram com a tese de que veículos de trabalho não poderiam jamais prescindir de potência abundante. A indústria automobilística de lá, assim, viu a brecha na lei que precisava para conseguir atender a uma velha paixão americana: dispor de potência exuberante ao comando do pé direito.

Nos primeiros anos do CAFE, até 1978, havia uma vantagem adicional: utilitários estavam de fora das normas de controle de emissões poluentes, vigentes desde 1974 para automóveis e que haviam exterminado os muscle-cars. Assim, não precisavam de catalisador e podiam usar gasolina com chumbotetraetila, de maior octanagem, necessária para motores com alta taxa de compressão.
Continua

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Data de publicação: 25/1/03

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