A trajetória de um campeão

Nascido como modelo mundial, o Monza teve uma
carreira de sucesso e foi o último "carro J" a se aposentar

Texto: Fabrício Samahá - Fotos: divulgação

Adam Opel fundou em 1862 a fábrica de máquinas de costura que levava seu sobrenome. Em 1886 passou a produzir bicicletas e, 13 anos depois, construiu o primeiro automóvel. Desde então, mais de 50 milhões de carros Opel já chegaram às ruas, inclusive brasileiras. Embora ausente de nosso mercado há várias décadas, a Opel é responsável por quase todos os automóveis Chevrolet fabricados aqui, do Opala ao Vectra. E um deles tem lugar especial no coração de muitos: o Monza, sucesso absoluto da marca lançado em 1982.

Foi em novembro de 1970 que a Adam Opel AG, de Rüsselsheim, Alemanha, lançou na Europa um carro intermediário entre o Kadett (que na geração seguinte seria nosso Chevette) e o Rekord (à época idêntico ao primeiro Opala). A marca pretendia substituir o Kadett mas, com o lançamento do amplo Ford Taunus, Bob Lutz da Opel preferiu um modelo de maior porte, que foi denominado Ascona.

O início de tudo: em 1970 a Opel alemã lançava o Ascona de primeira geração, ainda com tração traseira e linhas sóbrias, que lembram as do primeiro Chevette

Era um carro de linhas sóbrias, com versões sedã de duas e quatro portas, além da perua Voyage (depois Caravan). Até julho de 1975, quando foi descontinuado, quase 700 mil foram vendidos. No mesmo ano a Opel lançava o Ascona B, de segunda geração, que daria lugar ao modelo do qual derivou o Monza brasileiro.

O terceiro Ascona, o C, foi lançado em setembro de 1981. Era a versão européia do chamado "carro J" da GM. Segundo Opel com motor transversal e tração dianteira (depois do Kadett de 1979), chegava como sedã de duas ou quatro portas e hatchback de cinco, sendo a perua restrita à versão britânica Vauxhall Cavalier. Os motores variavam entre 1,3 (60 ou 75 cv), 1,6 (também 75 cv) e 1,6 com carburador duplo (90 cv), este usado na versão esportiva SR.

Carro médio mais vendido na Alemanha no ano seguinte, logo ganhou motor 1,8 a injeção, de 115 cv, e opções conversíveis feitas por duas empresas alemãs. Produzido na Alemanha, Inglaterra e Bélgica, o Ascona C concorria com o Ford Sierra e o Citroën BX, entre outros. Uma versão 2,0 a injeção, de 130 cv, foi oferecida em 1987, mas já em agosto do ano seguinte a Opel apresentava o Vectra de primeira geração (aqui produzido de 1993 a 1996), extinguindo o nome Ascona.

A segunda geração, lançada em 1975, já trazia elementos de estilo da terceira, como o vértice curvo das janelas traseiras, ao estilo BMW. A tração ainda era traseira e o motor longitudinal

Carro mundial   Além do Ascona e do Cavalier, o projeto do "carro J" teve outros frutos mundo afora. Nos Estados Unidos a Chevrolet lançou seu Cavalier (saiba mais) e a Cadillac fez o Cimarron, ambos com estilo e mecânica bem diversos dos europeus. A australiana Holden, que fabrica o Omega vendido no Brasil, apresentou o Camira. E, como sabemos, ao Brasil o Ascona chegou como Chevrolet Monza.

Esse conceito de carro mundial, em que um projeto básico é produzido em muitos países com adaptação às condições locais de uso e legislação, era visto como um caminho promissor nos anos 80. Na prática, porém, cada região do planeta exigia modificações tão extensas que a idéia perdeu viabilidade (saiba mais sobre os "carros regionais").

A General Motors do Brasil começou a trabalhar no projeto J ainda no fim dos anos 70, utilizando o Kadett C de 1979 como base -- carro diversas vezes flagrado por publicações da época, inclusive testando motor a álcool. Como o Ascona C só chegaria em 1981 às ruas européias, não poderia circular sem disfarces por aqui.

A origem do Monza é o terceiro Ascona, de 1981, sucesso de vendas na Europa. A versão
de cinco portas (ao fundo) não chegou ao Brasil, mas só aqui houve o
hatch três-portas

Durante essa fase, pesquisas mostraram que os brasileiros poderiam rejeitar o nome, associando-o a asco. Assim, escolheu-se uma denominação italiana já utilizada na Europa e nos Estados Unidos pela própria GM (saiba mais).

Em março de 1982 era apresentado o primeiro Monza: um hatchback de três portas (versão que não existiu na Europa), versões básica e SL/E, motor 1,6 a gasolina de 73 cv ou a álcool de 72 cv. Era um carro nitidamente moderno, com defasagem de poucos meses em relação ao alemão -- bem menor, por exemplo, que os seis anos compreendidos entre o lançamento do Omega na Europa, em 1986, e no Brasil, em 1992.
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Os outros Monzas da GM
O nome que a GM escolheu para a versão brasileira do Ascona não era novo dentro da companhia: houve dois Monzas antes do nosso, um na Chevrolet norte-americana e outro na Opel alemã. O europeu (foto), lançado em 1978, até lembrava um pouco as formas do hatchback nacional, mas era a versão cupê do grande sedã Senator, o topo de linha da marca. Com motor de seis cilindros, 3,0 litros e 180 cv, chegava a 215 km/h -- o mais rápido Opel até então.

Já o Monza dos ianques, também esportivo e grande, foi produzido de 1974 a 1980 e utilizava motores variados: quatro-cilindros de 2,3 e 2,5 litros, V6 de 3,8 litros e V8 de 4,4, 5,0 e 5,75 litros. Com toda essa aptidão para acelerar, fez sucesso entre preparadores na elaboração de carros de arrancada, os dragsters.

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