Em
1968 o Escort substituiu o bem sucedido Ford Cortina nos ralis,
sendo que este teve versões apimentadas pela Lotus para as
corridas em circuitos também. Neste mesmo ano, o novo modelo
ganhou o Rali da Acrópole, na Grécia. Deixou para trás nada
menos que dois Porsche 911, façanha notável.
No começo de uma carreira brilhante, o jovem piloto finlandês
Hannu Mikkola ganhava o Rali dos Mil Lagos em sua pátria. A
propósito, os finlandeses -- Mikkola, Markku Alen, Ari
Vatanen, Timo Salonen e Juha Kankkunen -- sempre fizeram
bonito nos ralis de todo o planeta. E o compatriota Keke
Rosberg fez o malabarismo e o espetáculo na Fórmula 1.
Inesquecível.
Para completar a bela estréia, um piloto também bom de braço,
Soderström, ganhava no mesmo ano o Rali dos Alpes Austríacos
com o Escort TC e Roger Clark faturava o das Tulipas na
Holanda. Em 1969 mais três vitórias: outra vez Rali dos
Alpes Austríacos, das Tulipas e o da Tchecoslováquia.
O Escort Twin Cam de 160 cv pesava 785 kg e tinha como
concorrentes o Alpine-Renault A110, o Lancia Fulvia 1600 HF e
o BMW 2002 TI. Foi também o campeão europeu em 1969. No ano
seguinte também foi o campeão do Rali da Copa, na
prova Londres-Cidade do México. Chegou ainda em 3º., 5º., 6º.,
8º. e 23º. Saíram do Estádio de Wembley em 19 de abril e
chegaram em 27 de maio ao destino final. Foram 25.758 km.
Depois de percorrerem várias capitais e cidades famosas da
Europa, 71 carros deixaram o velho continente em Lisboa, no
navio Derwent, e chegaram ao Rio de Janeiro. Em seguida, muito
chão pela América do Sul e pela América Central até a
terra dos astecas. Participaram várias equipes oficiais de fábrica,
particulares, amadores e aventureiros. |
Os oponentes sérios foram o Citroën DS e o Triumph Stag 2,5,
segundo colocado.
Como curiosidade haviam dois Rolls, sendo um Silver Cloud, e
um Moskvich russo, que chegou em um honroso 12°. lugar. Em 1973 ganhou o
Mil Lagos e o RAC (Royal Automobile Club), ficando em
3°. no campeonato. Em 1974, de novo em 3°. no campeonato com
uma dobradinha no Mil Lagos, graças a Mikkola e Mäkinen, e
outra vez no RAC. Coincidência ou especialistas?
Num documentário da TV alemã sobre a história do automóvel,
numa cena na neve estavam os dois carros na prova finlandesa
disputando a primeira posição, num trecho onde mal se via a
estrada, pois tudo estava coberto de neve.
Alguns telespectadores pensavam se tratar de uma exibição de
profissionais de espetáculo, mas eram cenas reais do rali. Puro
profissionalismo e capacidade dos pilotos. Um balé sobre
rodas.
Em 1975 o RS 2000,
nas mãos de Timo Makinen, ganhou a prova do RAC. Não ganhou
outras provas porque a Ford este ano não se engajou de forma
plena. E a concorrência não estava fácil: Lancia Stratos,
Fiat 131, Alpine, Opel Ascona e Peugeot 504. Em 1976, pilotado
pelo finlandês Ari Vatanen, o RS 1800 faturou o campeonato
britânico de rali. No Mundial venceu novamente o RAC, chegou
em 2°. nos Mil Lagos da Finlândia e em 4°. no Monte Carlo.
No ano seguinte foi campeão mundial. Como sempre, no RAC
brilhou nas mãos de Makinen, Mikkola e Clark. Segundo a
imprensa da época, a concorrência estava meio adormecida. Em
1980, 1981 ficou em 3°., e em 1982 e 1983 não participou. Em
1985, já com o modelo que conhecemos por aqui, ficou em 5º.
O campeonato foi dominado pelo Peugeot 205.
(Francis Castaings) |