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O cavalo brasileiro
A
história da linha Corcel, um médio |
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Na TV, a publicidade mostrava-o correndo entre um
Ford Mustang e um
Mercury Cougar. O Ford Corcel -- como o
Mustang, batizado com o nome de um cavalo -- avançava
entre os dois vigorosamente. Fazia malabarismos dignos de
carro esporte. A música da trilha sonora da propaganda
era de Emerson, Lake and Palmer, grupo
famoso de rock, do disco Pictures at an
Exhibition. |
| O primeiro Corcel, em 1968, foi o sedã quatro-portas (ao lado), vindo o cupê (acima) dois anos depois. Eram modernos, econômicos e espaçosos para a época | ![]() |
| A Willys, em parceria com
a Renault, estava desenvolvendo o projeto "M"
de carro médio. Lá na França daria origem ao bem
sucedido R12. Aqui, sua carroceria seria diferente, mais
adequada ao gosto brasileiro. A plataforma e o conjunto
mecânico foram projetados pela fábrica francesa, que
era líder de vendas naquele país. Em dezembro de 1968, no VI Salão do Automóvel, já realizado no palácio de exposições do Anhembi, em São Paulo, foi apresentado o Ford Corcel com carroceria três-volumes de quatro portas. Junto dele também faziam sua estréia o Volkswagen 1600 quatro-portas, seu concorrente direto, que posteriormente seria apelidado de "Zé-do-caixão" devido às formas quadradas e a sua morte prematura, e o Chevrolet Opala, maior que estes e posicionado em outro segmento. |
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Fruto do projeto "M", que na França resultou no Renault 12, o Corcel preenchia uma lacuna na linha Ford, que só contava com o enorme Galaxie, o picape F100 e caminhões |
| O bom desempenho nas
vendas, esperado do pequeno Ford, confirmou-se. No
primeiro mês de produção foram vendidos 4.500, e perto
de 50 mil já em 1969. O Corcel trazia inovações tecnológicas
inéditas no Brasil, como circuito selado de refrigeração
e coluna de direção bipartida. A estrutura era monobloco e a tração, dianteira, como nos
DKW-Vemag, mas com um sistema bem mais moderno. O curso da suspensão, mais longo que o do R12, era adequado a nosso solo. Tinha suspensão e freios que traziam segurança e estabilidade, mais apreciadas que em seus concorrentes. As rodas de aro 13 polegadas tinham apenas três elementos de fixação, uma herança Renault. O motor de quatro cilindros, longitudinal, com cinco mancais de apoio do virabrequim -- diferença para o anterior do Dauphine/Gordini, que usava apenas três --, tinha 1,3 litro de cilindrada e apenas 68 cavalos brutos de potência. Não era suficiente para o peso de 930 kg do carro, como se comprovaria mais tarde. |
| A suspensão eficiente e a tração dianteira traziam boa estabilidade, mas problemas com o alinhamento de direção logo incomodaram... | ![]() |
Sua
suspensão dianteira independente, por dois braços
transversais superpostos, era uma autêntica "pegadinha":
como a mola helicoidal ficava sobre o braço superior e
apoiava-se na caixa de roda, mais acima, muita gente boa
acreditava que se tratava de uma suspensão McPherson.
Era uma suspensão macia e robusta ao mesmo tempo. |
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...desgastando muito os pneus dianteiros. A Ford efetuou, então, o primeiro recall da indústria brasileira, envolvendo 65 mil proprietários de Corcel |
| Essas manutenções não
demoraram a surgir, mas no eixo dianteiro. Problemas no
alinhamento do sistema de direção traziam desgaste
prematuro dos pneus, ainda de construção diagonal. Aliás,
as juntas homocinéticas vez por outra davam algum
trabalho aos donos do carro. Em 1970 o americano Joseph W. O'Neill assumia a direção da Ford no Brasil, no lugar de William Max Pearce, que dera o arrancada ao projeto Corcel. O novo comandante queria a solução destes problemas -- e rápido. Foi constatado que o desalinhamento da direção estava relacionado à regulagem complicada da convergência das rodas dianteiras. Continua |
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