Carros em nova geração… mas será nova mesmo?

Uma reforma de estilo pode ser nova geração, reestilização ou apenas cirurgia plástica: entenda a diferença

Texto: Fabrício Samahá – Fotos: divulgação

 

Você já deve ter visto um carro ser anunciado como “nova geração” e, na verdade, trazer só uma leve reforma visual sobre o modelo anterior. Com certeza também já leu termos como “reestilização” e “plástica” nas matérias sobre automóveis. Afinal, o que significam esses processos e qual a diferença entre eles? É o que vamos esclarecer. Se preferir, assista ao vídeo com o mesmo conteúdo

 

 

Cirurgia plástica

Um carro passa por uma “cirurgia plástica”, ou face-lift em inglês, quando recebe atualizações menores na aparência. Veja o caso do Honda Fit 2018 (fotos maiores) comparado ao 2017 (destaques): faróis, grade dianteira, para-choques e lanternas traseiras foram os pontos de mudança.

 

 

O mesmo valeu para o Toyota Corolla 2018, apesar da sensação de novidade trazida pelos faróis de perfil mais baixo. No Ford Ka, as alterações para 2019 nem chegaram aos faróis (os modelos mais antigos estão nos destaques).

 

Também foi plástica o que a Chevrolet fez na traseira do Onix 2017. As lanternas ganharam outro recorte na parte que encontra o para-choque, mas foi mantido seu formato junto à tampa do porta-malas (no destaque o modelo antigo).

Repare que nesses casos nenhum painel metálico da carroceria foi alterado, pois sai caro mexer nas prensas que os estampam. Esse processo é comum no meio do ciclo de produção de um carro, pois dá um ar de novidade com custos reduzidos. Muitas vezes, a plástica externa acompanha uma revisão no interior ou na mecânica.

 

Reestilização

Dos três processos, a reestilização fica no meio-termo. Ela vai além da plástica e costuma afetar também alguns painéis metálicos. Como a parte central da carroceria é a mais cara de mexer, é comum o fabricante redesenhar apenas a frente e, em alguns casos, partes da traseira. Compare a frente do Onix 2017 (foto maior) com a do anterior (no destaque). As formas mudaram por inteiro, incluindo o capô, mas nas laterais ele se encontra com os mesmos para-lamas de antes.

 

 

O mesmo aconteceu na dianteira do Ford Focus 2016: apesar da sensação de grande mudança, o capô foi a única parte metálica afetada em relação ao modelo 2015 (no destaque). Agora repare na traseira do mesmo Focus: a tampa refeita fez harmonia com os novos vincos do para-choque, e este se estende mais para cima até encontrar lanternas mais estreitas. Já as pontas delas nas laterais são as mesmas do antigo (foto menor), para não precisar mexer nos para-lamas.

 

Nova geração

Quando nenhum desses processos é suficiente para atualizar o automóvel, a fábrica recorre a uma nova geração. É um redesenho completo, em geral com novas formas e recortes para portas, janelas e até o teto. A plataforma pode ser nova ou aproveitada do anterior. Foi assim com o Honda Civic 2017: nenhum painel de carroceria é o mesmo de antes. Também aconteceu no modelo 2012 do sedã, apesar de certa semelhança de estilo com o antigo.

 

E no Volkswagen Gol, como fica? Pelo que aprendemos, só duas vezes ele mudou de geração: na linha 1995, quando passou do “quadrado” para o “bolinha” usando a mesma plataforma, e para 2009, época em que o motor mudou para posição transversal. Todo o resto não passou de reestilizações, com algumas plásticas no meio. Por isso, mesmo que alguns digam que o Gol está na geração 5 ou 6, na verdade ele continua na 3.

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