C3 Exclusive: pacote completo, embalagem compacta (fim)

 

Um mês e 3.200 km depois, o novo Citroën revela se seus
atributos justificam o preço compatível com carros médios

Texto e fotos: Fabrício Samahá

 

Atualização final – 18/12/12

Foi breve, mas intensa em quilometragem, a última semana — ou meia semana, apenas quatro dias — do Citroën C3 Exclusive na avaliação Um Mês ao Volante. No período que faltava para completar 30 dias de teste, o compacto fez duas viagens e rodou em cidade em total de 749 quilômetros, o que incluiu o uso por um colaborador inédito na seção.

Vitor Freitas, empresário do interior paulista, já dirigiu alguns modelos concorrentes do C3, como Fiat Punto e o Ford Fiesta importado (ambos com motor de 1,6 litro e câmbio manual), o que lhe permitiu boa base de comparação. Com o Citroën ele fez o trajeto entre Pindamonhangaba (SP) e São Paulo, ida e volta, em um dia de forte calor e com trânsito intenso na capital paulista. E o que ele tem a contar?

“Achei o C3 um carro pequeno bem resolvido. O novo visual ficou moderno e perdeu boa parte do ‘jeito feminino’ que o anterior apresentava. Eu não teria o modelo antigo, mas teria este, considerando a aparência. Gostei do interior, com bom acabamento para sua categoria, melhor que o do Fiesta importado. Os bancos de couro e tecido são uma boa solução, mas achei que o tecido em trama acumula muita sujeira e resíduos”, ele analisa.

 

 
Desempenho adequado e ótima estabilidade foram destacados por Vitor,
que também fez ressalvas à suspensão dura e às quatro marchas

 

Vitor, que mede quase 1,80 metro de estatura, acomodou-se bem ao volante do novo Citroën, mas criticou o espaço no banco traseiro: “Um passageiro atrás de mim não teria o menor conforto, além do encosto ser muito vertical. Boa notícia é o cinto central ser de três pontos, um item de segurança importante e às vezes esquecido”.

Ainda sobre o posto do motorista, ele elogiou o volante com base achatada, que facilita entrar e sair sem raspar a perna, mas achou algo confusos os muitos comandos posicionados junto à coluna de direção: “Som, controle de velocidade, limitador… É coisa demais em ‘satélites’ que você mal consegue enxergar. Acionei alguns deles na base da tentativa e erro e acabei evitando usá-los. Talvez isso melhorasse com uns dias a mais de direção”. Itens mencionados como muito convenientes foram os faróis com comando automático, a interface Bluetooth para telefone celular e as conexões USB e auxiliar do sistema de áudio. Já o computador de bordo foi descrito como útil, mas limitado em funções.

 

“A Citroën deveria investir em um câmbio automático mais moderno, à altura do carro, e oferecê-lo também em versão mais simples e acessível”, propõe o colaborador

 

Após cerca de 340 quilômetros rodados, a maior parte em boas rodovias à faixa de 120 km/h, Vitor se divide quanto aos atributos mecânicos do C3: “O motor é muito bom e me pareceu mais ‘esperto’ em baixa rotação que o do Punto. Rodando tranquilo ele faz pouco ruído, mas se torna barulhento quando levado até perto do limite de giros. Por outro lado, esperava uma média de consumo bem melhor que os 10,5 km/l de gasolina que consegui na viagem, mesmo considerando que o ar-condicionado precisou trabalhar a pleno e que o trânsito paulistano anda horrível”.

Para o motorista, o que compromete o conjunto é a caixa automática de quatro marchas: “Não que seja um câmbio ruim, mas existe uma diferença de rotação muito grande entre uma marcha e outra. Quando reduzi para terceira na estrada, para ganhar fôlego numa subida, o giro foi lá em cima. Se ele tivesse cinco marchas, acredito que trazer de quinta para quarta me daria a potência necessária sem tanto sobressalto, e o consumo certamente seria beneficiado”.

 

 
Um bom carro, mas caro demais para sua categoria: a opinião do colaborador
coincide com as de outras quatro pessoas que estiveram ao volante do Exclusive 

 

A suspensão foi outro ponto a merecer elogios e críticas do colaborador. “Gostei do jeito de andar do C3 na estrada, da sensação de segurança e da direção, que é excelente, mas reprovo o conforto da suspensão: é ‘seca’ nos defeitos do asfalto e nas lombadas. Dirigi anos atrás um Citroën Xsara e me decepciona ver que a fábrica não evoluiu muito nesse ponto. Já os freios são muito bons, com uma ‘pegada’ firme e ABS bem acertado, que não fica ‘pulsando’ em demasia”, ele observa.

Vitor compraria um Exclusive como o avaliado? Ao ver os preços (tabela abaixo), ele descarta: “O mercado oferece carros bem superiores por esses valores. Qual o sentido de pagar mais de R$ 55 mil num C3 quando existe o Renault Fluence com motor de 143 cv, câmbio CVT e um alto nível de equipamentos por R$ 63 mil? Acho que a Citroën deveria investir em um câmbio mais moderno, à altura do carro, e oferecê-lo também em versão mais simples e acessível para competir com o Punto Dualogic. Não adianta colocar o C3 na faixa de preço de carros médios. O carrinho é bom, mas não vale o que custa”.

 

 

Em outra viagem do período, seguindo com o autor para Campos do Jordão, SP, o ritmo bastante tranquilo — trajeto noturno com piso molhado, família a bordo, rodovia vazia e muito mal sinalizada depois das recentes obras de pavimentação — levou à melhor marca de consumo registrada em toda a avaliação: 12,6 km/l de gasolina na média entre ida e volta. Vale notar que na maior parte da descida da serra o C3 “alimentou-se de ar”: foi mantido em terceira ou quarta marcha sem uso do acelerador, o que leva ao corte de fornecimento de combustível (cut-off) e permite rodar longos quilômetros com consumo zero.

 


Os motoristas da avaliação gostaram do ambiente para quem dirige o C3 e
do acabamento em geral; o espaço no banco traseiro foi um ponto criticado

 

Bom (e caro) companheiro

As opiniões de Vitor refletem, em grande parte, as impressões gerais da equipe durante seu mês ao volante do Citroën C3. Nesses 3.244 km rodados nas mãos de cinco motoristas (três homens, duas mulheres), dos quais mais de 70% em rodovias, o modelo recém-lançado comprovou qualidades como bom desempenho, interior bem-acabado e com fartos equipamentos de conveniência, grande estabilidade e excelente direção, além de um desenho que agradou à maioria das pessoas que opinaram.

Ficaram claros, por outro lado, pontos negativos como o câmbio automático de quatro marchas e certo desconforto em pisos irregulares pela calibração firme da suspensão. Espaço no banco traseiro foi outro aspecto criticado, embora não se possa esperar algo muito diferente de um hatchback com as dimensões do C3. Não menos importante, as médias de consumo com gasolina e álcool em condições as mais diversas indicaram um compacto nada comedido em apetite, contrariando as expectativas trazidas pelas evoluções do motor de 1,6 litro no sentido de torná-lo mais econômico. As quatro marchas parecem ter grande participação nesse aspecto desfavorável.

Tudo considerado, o C3 Exclusive revelou-se um bom companheiro nesse mês de convívio. Um carro compacto que atende sob vários aspectos — como desempenho e itens de comodidade — aos requisitos esperados de modelos médios, mas cobra preço compatível ao de alguns deles e não oferece contrapartida em economia de combustível. Se este editor o compraria? Sim pelo produto, mas não pelo preço sugerido.

Atualização anterior

 

Último período

4 dias

749 km

Distância em cidade 237 km
Distância em rodovia 512 km
Consumo médio (gasolina) 10,4 km/l
     Melhor média (gasolina) 12,6 km/l
     Pior média (gasolina) 9,0 km/l
Indicações do computador de bordo

 

Desde o início

31 dias

3.244 km

Distância em cidade 940 km (29%)
Distância em estrada 2.304 km (71%)
Distância com álcool 1.923 km
Distância com gasolina 1.321 km
Consumo médio (álcool) 7,9 km/l
     Melhor marca média (álcool) 8,9 km/l
     Pior marca média (álcool) 5,6 km/l
Consumo médio (gasolina) 10,5 km/l
     Melhor marca média (gasolina) 12,6 km/l
     Pior marca média (gasolina) 7,0 km/l
Combustível consumido 370,6 litros
     Álcool 244,2 litros
     Gasolina 126,4 litros
Despesa com combustível R$ 793
     Álcool R$ 452
     Gasolina R$ 341
Custo por km rodado
     Álcool R$ 0,24
     Gasolina R$ 0,26
Preço médio
     Álcool R$ 1,85
     Gasolina R$ 2,70
Indicações do computador de bordo, exceto despesas

 

Consumo em trajetos-padrão

Trajeto em cidade (gasolina) 11,6 km/l
Trajeto em cidade (álcool) 8,2 km/l
Trajeto em rodovia (gasolina) 11,4 km/l
Trajeto em rodovia (álcool) 8,4 km/l
Indicações do computador de bordo

 

Preço

Sem opcionais R$ 55.340
Como avaliado R$ 59.130

 

 

Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo
Diâmetro e curso 78,5 x 82 mm
Cilindrada 1.587 cm³
Taxa de compressão 12,5:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas.) 115 cv a 6.000 rpm
Potência máxima (álc.) 122 cv a 5.800 rpm
Torque máximo (gas.) 15,5 m.kgf a 4.000 rpm
Torque máximo (álc.) 16,4 m.kgf a 4.000 rpm
Transmissão
Tipo de câmbio e marchas automático / 4
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a tambor
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência elétrica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira eixo de torção, mola helicoidal
Rodas
Dimensões 16 pol
Pneus 195/55 R 16
Dimensões
Comprimento 3,944 m
Largura 1,708 m
Altura 1,521 m
Entre-eixos 2,46 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 55 l
Compartimento de bagagem 300 l
Peso em ordem de marcha 1.202 kg
Dados do fabricante; desempenho e consumo não disponíveis