Chevrolet Kadett trouxe ao Brasil novos ares europeus

A Ipanema ganhava cinco portas e opção de motor de 2,0 litros em 1993; pouco depois vinham o Kadett Lite, mais barato, e um tanque de combustível maior

 

Surgia também em 1993 a oferta de conversão do Kadett 1,8 a álcool para uso de gás natural, então restrito a frotistas e taxistas. A alimentação do gás era por injeção multiponto, ficando a monoponto restrita ao combustível líquido. Na linha 1994 as versões SL e SL/E davam lugar a GL e GLS, na ordem, como no Vectra e no Omega. O tanque de combustível aumentava para 60 litros, o que já não era tão necessário, diante do predomínio da gasolina nos carros novos. A Ipanema ganhava outra série: a Flair, com motor 2,0 e o capô com saídas de ar do GSi.

Uma edição simplificada, a Lite, foi oferecida por alguns meses entre 1993 e 1994 para o Kadett. Era um paliativo enquanto a GM estava sem carro “popular” — classificação do programa de incentivo tributário do governo Itamar Franco —, desde o fim do Chevette e até que o Corsa fosse lançado.

 

O modelo 1995 trazia painel renovado com melhor porta-luvas e evoluções em acessórios; as versões GLS e GSi, porém, saíam de linha antes da virada para tal ano

 

Os modelos 1995 chegavam cedo, em abril de 1994, e traziam um novo painel com melhor aparência e porta-luvas mais funcional — antes era formado por sua tampa, fonte comum de ruídos e mal fechamento. Os botões de controle elétrico dos vidros passavam do console para as portas, o alarme era acionado na própria fechadura (antes passava-se um ímã junto ao para-brisa) e havia temporizador ajustável do limpador de para-brisa, que repetia o intervalo feito pelo motorista. Os encostos de cabeça deixavam de ser vazados.

 

 

A Autoesporte comparou o GLS ao Fiat Tipo 1,6 e apontou sua principal vantagem, o desempenho: “De 0 a 100 km/h o Tipo precisa de 14 segundos, enquanto o Kadett apenas 11,1 s, mas o Tipo recupera terreno em dirigibilidade, consumo, frenagem e estabilidade. O carro italiano apresenta conforto para até cinco ocupantes, além da perfeita visibilidade, e tem o grande apelo do menor preço”.

Curiosamente, os modelos 1995 do GLS e do GSi (incluindo o conversível) não chegaram a esse ano de fabricação. Em dezembro a GM os tirava de linha, abrindo espaço ao Astra GLS trazido da Bélgica, em versões hatch cinco-portas e perua, com motor nacional de 2,0 litros e injeção multiponto. Com a queda imprevista da alíquota do Imposto de Importação de 35% para 20%, importar se tornava mais interessante que produzir aqui.

 

O Kadett Sport tentava suprir a ausência do GSi, com motor de 2,0 litros e acessórios visuais; o modelo da foto mostra as alterações de estilo da linha 1996

 

Só que as regras voltavam a mudar em fevereiro: a alíquota saltava de 20% para 70% da noite para o dia, pegando todos de surpresa mais uma vez. O Astra tornava-se caro (deixaria o mercado em menos de um ano) e o Kadett precisava ser revitalizado. Em dois meses a GM apresentava a série especial Sport, com motor 2,0-litros com injeção monoponto, para-choques na cor da carroceria e alguns detalhes do GSi — rodas de alumínio de 14 pol, aerofólio, capô com saídas de ar, dupla saída de escapamento. Era uma resposta à demanda do mercado por versões com visual esportivo e preço contido, pois os carros importados haviam ocupado as posições de prestígio que em outros tempos eram de GSi, XR3, GTI e similares.

 

Os Kadetts GLS e GSi saíam de linha, abrindo espaço ao Astra europeu: com a queda imprevista de imposto, importar se tornava mais interessante que produzir aqui

 

Visual renovado

O Kadett 1996 sofria sua primeira e única cirurgia plástica, elaborada no Brasil, mas coerente com os novos modelos da Opel: para-choques arredondados na cor da carroceria, nova grade, lanternas traseiras fumês e moldura sobre a placa. Por dentro ganhava o volante de três raios do Vectra. Os pneus enfim passavam de 165/80 para 175/70-13 (185/70-13 com direção assistida), mais adequados a seu porte e potência. O Sport tornava-se versão de linha e ganhava faróis de neblina, mas perdia o capô com saídas de ar.

Nesse ano a produção do Kadett era transferida de São José dos Campos para São Caetano do Sul, SP. Já defasado em relação a concorrentes como Fiat Tipo e Volkswagen Golf, o carro preparava-se para a terceira fase do Proconve, em 1997: vinha de série com motor de 2,0 litros e injeção multiponto nas versões remanescentes Kadett GL, Sport e Ipanema GL. Apesar do sistema eletrônico mais moderno, o controle de emissões mantinha a potência em 110 cv, menos 11 cv que nos tempos do GSi; o torque chegava a 17,6 m.kgf.

 

GL e Sport vinham com motor 2,0 e injeção multiponto para 1997; o GLS voltava em seguida à linha e, com a chegada do Astra, o último Kadett era fabricado em 1998

 

A versão GLS retornava em abril com a mesma aparência ao Sport, exceto por não ter aerofólio — que voltava, porém, em 1998. Alteração negativa era a transmissão com relações próximas entre si, como no Vectra GLS, incoerente com o motor de alto torque em baixa rotação. A Ipanema deixava o mercado. Como a Omega Suprema também saía de produção, a GM mantinha apenas a Corsa Wagon no segmento de peruas, do qual sairia de vez em 2002.

 

 

Com a apresentação do Astra de segunda geração, no Salão de Frankfurt de 1997, a GM anunciava sua fabricação no Brasil dali a um ano. O Kadett, simpático e robusto, ficou em nosso mercado até setembro de 1998 em total de 459.068 unidades.

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Ficha técnica

Kadett GS 2,0 (1989) Kadett GSi 2,0 (1992) Ipanema GL 2,0 (1996)
Motor
Posição e cilindros transversal, 4 em linha transversal, 4 em linha transversal, 4 em linha
Comando e válvulas por cilindro no cabeçote, 2 no cabeçote, 2 no cabeçote, 2
Cilindrada 1.998 cm³ 1.998 cm³ 1.998 cm³
Potência máxima 110 cv a 5.600 rpm 121 cv a 5.400 rpm 110 cv a 5.600 rpm
Torque máximo 17,3 m.kgf a 3.000 rpm 17,6 m.kgf a 3.000 rpm 16,6 m.kgf a 3.200 rpm
Alimentação carburador de corpo duplo injeção multiponto injeção multiponto sequencial
Transmissão
Tipo de caixa e marchas manual, 5 manual, 5 manual, 5
Tração dianteira dianteira dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado a disco ventilado a disco ventilado
Traseiros a tambor a tambor a tambor
Antitravamento (ABS) não não não
Suspensão
Dianteira independente McPherson independente McPherson independente McPherson
Traseira eixo de torção eixo de torção eixo de torção
Rodas
Pneus 185/60 R 14 185/65 R 14 185/70 R 13
Dimensões
Comprimento 4,00 m 4,00 m 4,34 m
Entre-eixos 2,52 m 2,52 m 2,52 m
Peso 1.075 kg 1.075 kg 1.060 kg
Desempenho
Velocidade máxima 180 km/h 190 km/h 180 km/h
Aceleração de 0 a 100  km/h 10,5 s 10,0 s 11,5 s
Dados do fabricante; dados de desempenho aproximados