Chevrolet Kadett trouxe ao Brasil novos ares europeus

O esportivo GSi começou com 116 cv, mas chegava a 156 cv com o motor de 2,0 litros e 16 válvulas; painel digital e cinco portas estavam disponíveis

 

A crescente competição entre os esportivos no mercado exigiu providências da Opel para aumentar o apelo do GSi. A linha 1987 trazia a unidade de 2,0 litros com a mesma potência e maior torque (17,3 m.kgf), quando dotada de catalisador, ou 129 cv e 18,4 m.kgf sem o equipamento antipoluição. Em março de 1988 o 2,0-litros recebia duplo comando e quatro válvulas por cilindro para obter 156 cv (150 com catalisador) e 20 m.kgf, patamar bastante alto para a categoria. Com ele o GSi 16V acelerava de 0 a 100 km/h em oito segundos, atingia 217 km/h de máxima e vinha com freios traseiros a disco.

A revista italiana Quattroruote definiu a novidade como “esportivo, mas também dócil”, e explicou: “Ele traz grande satisfação a quem ama a direção esportiva. Não se trata, porém, de um carro de caráter nervoso. O torque é extremamente favorável e o motor retoma velocidade bem mesmo em baixos regimes, assegurando sempre uma agilidade notável. A estabilidade é boa; em curva ele tende a alargar a trajetória, mas de modo sempre previsível e controlável”.

 

O Cabriolet, primeiro Kadett conversível em mais de 40 anos, tinha a carroceria transformada pela Bertone, capota de lona e barra transversal para reforço

 

Com a chegada do 16V, o Astra GTE da Vauxhall era colocado em confronto ao Ford Escort RS Turbo e ao MG Maestro Turbo em 1989 pela inglesa Car. Venceu ambos em aceleração e velocidade máxima e saiu-se o melhor: “Ele está muito perto da perfeição. Suas faltas são compensadas por um motor que entrega uma verve excelente e economia. Considere a precisa estabilidade, os freios potentes e o conforto da cabine — nenhum rival oferece melhores bancos ou posição de dirigir superior —, e o bem-acabado Vauxhall obtém pontos suficientes para vencer o confronto”.

 

 

Também chegava às ruas em 1987 o Kadett Cabriolet, o primeiro conversível de verdade na história do modelo desde os anos 30 — o Aero da geração C era um targa. Revelado dois anos antes como conceito, ele tinha a carroceria modificada pelo estúdio Bertone, capota de lona e barra transversal para reforçar a estrutura. O interior estava limitado a quatro lugares. Podia usar desde o motor 1,3 até o 2,0-litros no caso do GSi.

Com esse último ele foi testado pela Quattroruote, que destacou “o motor brilhante, a estabilidade correta e o bom consumo”, mas criticou “a direção melhorável, o conforto escasso e a climatização pouco eficiente”. Segundo a revista, ele “mantém a boa habitabilidade do sedã, com espaço para quatro pessoas mais que adequado à categoria. O motor está entre os mais interessantes. Responde com prontidão ao comando, é potente, com uma vivacidade tipicamente esportiva, e oferece desempenho de alto nível. E se mostra econômico”.

 

Grade e para-choques renovavam o Kadett europeu em 1989; ao contrário do nacional, o conversível da Opel também ofereceu motores menos potentes como o 1,3

 

Das muitas séries especiais, destacaram-se o sedã Sprint de 1988, com motor 2,0-litros, anexos aerodinâmicos da Irmscher e suspensão mais firme, e o GSi Champion 16V de 1990, que trazia rodas de 15 pol com pneus 185/55 e opção de bancos de couro da renomada marca Connolly. Para-choques e grade mudavam no começo de 1989 em toda a linha.

 

O Kadett Cabriolet, primeiro conversível de verdade na história do modelo desde os anos 30, tinha a carroceria modificada pela Bertone e podia usar o motor do GSi

 

Robustez mecânica e diversidade de opções fizeram da geração E a mais bem-sucedida da história do Kadett, com mais de 3,7 milhões de unidades vendidas — o total superava 11 milhões entre as seis gerações. Além de Bochum, na Alemanha, ele foi fabricado ou montado em Antuérpia (Bélgica), Azambuja (Portugal), Ellesmere Port (Inglaterra) e Kikinda, na então Iugoslávia (hoje na Sérvia). Hatch, sedã e Caravan deixavam o mercado em 1991 para dar lugar à linha Astra, mas o conversível perdurou mais dois anos, renomeado Opel Convertible, até que a versão aberta do novo carro estivesse pronta. Também seguiram até 1993 os furgões (leia quadro na página anterior).

 

O Kadett no Brasil

Embora os brasileiros conhecessem o Kadett desde a geração C — o Chevette —, só fomos tê-lo com a denominação original em abril de 1989. Foi quando a GM quebrou um jejum de quase cinco anos sem um modelo totalmente novo no mercado, desde o Fiat Uno, em agosto de 1984. A versão escolhida era a hatchback de três portas em acabamentos SL, SL/E e GS.

 

O estilo do Kadett causou sensação em 1989, mesmo nas versões não esportivas SL (embaixo à direita) e SL/E, que usavam motor de 1,8 litro com carburador

 

Para os padrões nacionais da época, o Kadett impressionou pelo desenho arrojado e ótima aerodinâmica. O impacto seria ainda maior se ele não recebesse para-choques mais salientes que os do europeu, por conta da impressão de fragilidade apontada por potenciais compradores em pesquisas. Pela primeira vez, um carro nacional usava vidros rentes à carroceria e processo de montagem por colagem. Como no Uno, frisos no teto cobriam as emendas da chapa e dispensavam as antigas calhas — neles havia pontos de fixação para bagageiro, que faltavam no Fiat. No SL e no SL/E, emblema da Chevrolet no centro da grade (em vez do Opel no capô) e duas luzes de ré, por não haver lanterna traseira de neblina, eram outras diferenças em relação ao europeu.

 

 

O esportivo GS, que perdia o “i” do alemão por vir sem injeção, trazia rodas de alumínio de 14 pol com pneus 185/60, para-choques de desenho próprio pintados na cor da carroceria (solução inédita em nossos carros com tais peças de plástico), faróis e luz traseira de neblina, saídas de ar no capô, saias laterais, aerofólio traseiro, faixa preta entre as lanternas traseiras e ponteira dupla de escapamento. O resultado era dos mais atraentes, sobretudo comparado aos mais retilíneos Ford Escort XR3 e Volkswagen Gol GTI.

Próxima parte

 

Nas pistas

O Kadett teve uma carreira notável em ralis, desde a geração C, e a Opel não descuidou dessa competição na fase E. Tão logo o GSi de rua era apresentado, estava pronta uma versão de 170 cv para competição. O modelo foi um dos grandes contendores na classe de 2,0 litros por anos. Seu similar britânico, o Vauxhall Astra GTE, também participou de campeonatos.

 

Em asfalto, no Campeonato Alemão de Carros de Turismo (DTM), a equipe oficial lançada em 1989 corria com o GSi preparado para obter 270 cv a 8.100 rpm e com peso reduzido a 800 kg. No Campeonato Britânico de Carros de Turismo (BTCC), a versão GTE de 16 válvulas da Vauxhall venceu a temporada de 1989.

 

O mais potente Kadett da Opel em todos os tempos foi o Rallye 4×4, concluído em 1985 conforme o regulamento do Grupo S da FIA, Federação Internacional do Automóvel. Um motor Zakspeed/Cosworth de 1,9 litro com turbo e 500 cv estava previsto, em conjunto a uma tração integral com repartição de torque variável entre os eixos. O objetivo era competir no Grupo B de rali, mas o “monstro branco”, como foi apelidado, não chegou a correr na categoria — que se mostrou perigosa, com acidentes fatais, e acabou extinta em favor de carros de menor potência.

 

Sem dar o uso pretendido aos carros, a Opel preparou dois desses Kadetts para competir em 1986 no Rali Paris-Dacar. A tração integral foi mantida, mas com motor de 2,4 litros e 16 válvulas do Manta, suspensão mais alta e pneus apropriados às severas condições de terreno da prova, que ligava a capital francesa à do Senegal, na África. Um deles terminou em 37°. lugar e outro em 40°. na classificação geral.

Próxima parte