Ferraris V8: uma longeva série no centro das atenções

Ferrari 348 TB 1990

 

Ferrari 348 TB 1990
Ferrari 348 TS 1990
 
Mais confortável, o 348 trazia o motor V8 em posição longitudinal
com 
duas velas por cilindro; os 300 cv levavam-no à máxima de 275 km/h

 

Sob o capô o 348 abrigava um novo V8 de 3,4 litros com duplo comando e quatro válvulas por cilindro, mas em posição longitudinal sobre o eixo traseiro, como no boxer do Testarossa, o que permitia montagem mais baixa. Injeção eletrônica multiponto Bosch e duas velas por cilindro contribuíam para reduzir emissões. As mudanças elevavam a potência para 300 cv e o torque para 32,7 m.kgf. Com máxima de 275 km/h, ele acelerava de 0 a 100 km/h em 5,5 segundos, excelente para um carro de 1.393 kg,

Foi o primeiro Ferrari a trocar o tradicional chassi tubular por um monobloco com subchassi para o trem de força. Com 2,44 metros entre eixos (mais 10 cm em relação ao 328), o novo chassi garantia distribuição de peso ideal. A caixa de câmbio ficava em posição transversal atrás do motor, origem das siglas TB e TS — Trasversale Berlinetta e Spider. Nos antecessores o padrão era o oposto, motor transversal e transmissão longitudinal. Os freios a disco ventilados incluíam ABS de série.

 

Ferrari 348 Spider 1993

 

Ferrari 348 Spider 1993
Ferrari 348 Spider 1993
 
O Spider completava a família em 1993 com a carroceria toda aberta
e capota manual; as outras versões também ganhavam motor de 320 cv

 

A Car comparou o 348 TB ao Lotus Esprit S4 em 1993. Embora o inglês fosse mais rápido, barato e estável, o italiano conquistou pelo som do motor, o refinamento e outros atributos: “É irracional, mas se eu tivesse mais dinheiro que bom senso eu compraria o 348. Por quê? Por causa do nome, da história, do estilo, da robustez, da pura emoção que ele traz, mesmo que ela seja excessiva quando você chega perto de seus limites”.

 

No F355 muitas inovações vinham das corridas,
como o fundo plano com extratores de ar,
que garantia sustentação negativa sem aerofólio

 

A versão conversível Spider aparecia em 1993 com capota de lona de acionamento manual e belo desenho, um dos responsáveis pelo aumento das vendas da Ferrari. As demais versões eram renomeadas 348 GTB e GTS, retomando as siglas dos antecessores, e todas passavam a 320 cv com alterações nos comandos de válvulas e taxa de compressão. A máxima chegava a 282 km/h e o 0-100 baixava para 5,4 s.

O 348 teve duas edições limitadas. Nos EUA foi oferecida em 1992 a Serie Speciale, com alterações de estilo e de interior, menor peso e suspensão recalibrada. Na Europa, em 1994, 50 unidades foram vendidas da GTC (Competizione), também com suspensão revista, rodas de 18 pol mais leves e painéis de carroceria de compósito com fibras de carbono e de aramida para alívio de peso — a redução total era de 190 kg. Até 1994, quando foi encerrada sua produção, ganharam as ruas 3.147 unidades dos cupês TB e GTB e 4.367 dos TS e GTS.

 

Ferrari F355 Berlinetta 1994

 

Ferrari F355 Berlinetta 1994
Ferrari F355 Berlinetta 1994
 
Cinco válvulas por cilindro, destacadas na designação, e um belíssimo
desenho para o F355, que mostrava interior bem mais requintado

 

F355: soluções das pistas

Com a crescente concorrência no segmento — reforçada pela ampla reestilização do 911 em 1993 —, a Ferrari precisava de novos argumentos. Em maio de 1994 apresentava o F355 Berlinetta e o F355 GTS, considerados entre os mais belos da marca até hoje. Com desenho de Pininfarina, impressionavam pela harmonia de suas curvas. Novas tomadas de ar, que seguiam a partir das portas e das saias laterais, contrastavam com as aletas do 348. Os faróis escamoteáveis ainda se faziam atraentes e a coluna traseira seguia as soluções de seus antecessores.

 

 

No F355 muitas inovações vinham das pistas de corridas, como o fundo plano com extratores de ar, que garantia sustentação negativa para grudar o carro no chão sem precisar de aerofólios. O interior era bastante confortável e de bom acabamento, com bancos revestidos em couro Connolly — o do motorista mais ao centro do carro que o do passageiro, para melhorar a distribuição de peso quando só e a visibilidade.

Também inspirado na Fórmula 1, o novo motor V8 de 3,5 litros construído em alumínio adotava cinco válvulas por cilindro (três de admissão e duas de escapamento) e bielas de titânio para obter 381 cv a 8.250 rpm e torque de 37 m.kgf. A injeção contava com oito borboletas e a lubrificação voltava a adotar cárter seco, como no primeiro 308 GTB. Toda essa tecnologia conferiu ao F355 um recorde: o motor de aspiração natural com maior potência específica, 109 cv/l — marca igualada um ano depois pelo V12 do F50, mas só quebrada em 1999 pelo Honda S2000.

 

Ferrari F355 GTS 1994
Ferrari F355 GTS 1994
 
Já tradicional na linhagem de Ferraris V8, o teto targa equipava o
F355 GTS; ambos vinham com controle eletrônico de amortecedores

 

Seu desempenho era digno de um supercarro: 0 a 100 km/h em 4,7 segundos, quarto de milha (402 metros) em 12,9 s e máxima de 295 km/h. Outra novidade era o câmbio manual transversal de seis marchas. Itens de série eram a direção assistida e os freios com ABS, que podia ser desativado se o motorista preferisse. A suspensão ganhava amortecedores com controle eletrônico, que permitiam o ajuste de atuação entre dois estágios.

A Car and Driver colocou-o diante de Acura (Honda) NSX-T, Dodge Viper R/T 10, Lotus Esprit S4S e Porsche 911 Turbo. Terceiro mais potente, o F355 ficou em primeiro lugar em velocidade máxima e aceleração lateral, em segundo em frenagem, em quarto no 0-96 km/h e em terceiro no quarto de milha. Elogiado pelo V8 “flexível e sinfônico”, a aderência e o prestígio, mas criticado pelo preço “estratosférico” e o custo de seguro, o F355 foi definido como “o melhor carro esporte de Maranello em termos gerais em todos os tempos, sem brincadeira”.

 Próxima parte

 

Para ler

Ferrari F355 and 360
Ferrari F355 & 360 Gold Portfolio

Road & Track Portfolio
Road & Track Portfolio

Ferrari - A Complete Guide
Ferrari – A Complete Guide

The Ferrari Phenomenon
The Ferrari Phenomenon

Ferrari 308, 328, 348 and Mondial – por Colin Pitt, editora CP Press. Publicado em 2008, o livro de apenas 74 páginas reproduz artigos de revistas da época da produção dos carros. Os primeiros modelos da linha V8 de motor central-traseiro estão presentes, assim como mais familiar Mondial.

Ferrari F355 & 360 Gold Portfolio, 1995-2004 – por R. M. Clarke, editora Brooklands. Outra obra do mesmo formato, publicada em 2005 com 160 páginas, dedicada a dois modelos cobertos neste artigo. Inclui versões Berlinetta, Spider e Challenge do F355 e Modena e Challenge Stradale do 360.

Road & Track Ferrari F355-360-F430 Portfolio: 1995-2006 – Brooklands Books. Mais uma compilação, esta com 120 páginas sobre os três modelos, só com matérias publicadas em uma das mais tradicionais revistas norte-americanas do gênero.

Ferrari Dino 246, 308 and 328: A Collector’s Guide – por Alan Henry, editora Motor Racing Publications. As 128 páginas abordam dois modelos deste artigo e o antecessor de seis cilindros, com informações históricas e a trajetória dos modelos em corridas. Publicado em 2005.

Ferrari: A Complete Guide to All Models – por Leonardo Acerbi, editora Motorbooks. Boa dica para conhecer todos os Ferraris até a publicação em 2006. As 408 páginas trazem modelos de rua e de competição desde os anos 40 e relaciona as vitórias conquistadas nas pistas pela marca.

Ferrari by Pininfarina: Technology and Beauty – por Etienne Cornil, editora Giorgio Nada. O volumoso livro de 536 páginas analisa os modelos desenhados pelo famoso estúdio, a maioria de seus carros de rua. A contagem termina em 2002, mas a seção dos V8 aqui mostrados vai do 308 ao 360 Modena e cobre quase 60 páginas.

Ferrari (First Gear) – por Larry Edsall, Motorbooks. Com 240 páginas, o livro de 2011 analisa 60 modelos de destaque da história da marca, o que inclui os 308, 348 Serie Speciale, F355, 360 Modena, F430 e 458 Italia entre os abordados em nosso artigo.

Ferrari: The Road from Maranello – por Dennis Adler, editora Random House. Escrita com a colaboração da Ferrari, a obra de 2006 aborda modelos memoráveis de rua e de competição, do pioneiro 125 a supercarros como o F50, em 344 páginas.

The Ferrari Phenomenon: An Unconventional View of the World’s Most Charismatic Cars – por Matt Stone e Luca Dal Monte, editora David Bull Publishing. De 2010, analisa o que construiu a imagem da marca, “de detalhes menos conhecidos da vida de Enzo a fatos inesperados de carros especiais, corridas históricas e famosos proprietários”, em 160 páginas.

 Próxima parte