Ferraris V8: uma longeva série no centro das atenções

Ferrari 328 GTB 1985

 

Ferrari 328 GTB 1985
Ferrari 328 GTB 1985
 
Evolução do 308, o 328 GTB aparecia em 1985 com frente e traseira
inspiradas nas do Ferrari Testarossa e interior mais confortável

 

Assim como o 208 GT4, a Ferrari ofereceu entre 1980 e 1986 os modelos 208 GTB e GTS, nos quais o V8 vinha reduzido a 2,0 litros para certos mercados. Com meros 155 cv, seu desempenho ficava longe das expectativas para um Ferrari, o que levou ao lançamento do GTB Turbo em 1982, seguido um ano depois pelo conversível GTS Turbo. Com turbocompressor KKK e injeção, o motor desenvolvia 220 cv e 24,5 m.kgf, para máxima de 242 km/h, e representava uma interessante proposta da redução de cilindrada — downsizing — tão comum hoje. Em 1984 a fábrica adotava proteção anticorrosiva aos painéis metálicos, chamava de Zincrox.

 

O 328, carismático e potente

Uma evolução do 308 era apresentada em setembro de 1985 no Salão de Frankfurt: os 328 GTB e GTS, que ofereciam mais potência e conforto. Criado num momento em que a marca se reerguia com o lançamento do Testarossa e do 288 GTO, o 328 era o modelo de briga contra esportivos como Toyota Supra e Porsche 944 — sem contar o 911 com sua vasta gama de opções, sempre um forte adversário.

 

Ferrari 328 GTS 1985

 

Ferrari 328 GTS 1985
Ferrari 328 GTS 1985
 
Com 3,2 litros, o motor V8 alcançava 270 cv e levava o esportivo a
263 km/h; o GTS passava pelas atualizações ao mesmo tempo

 

O 328 trazia nova grade dianteira e faróis e lanternas inspirados no Testarossa. Por dentro, recebia melhor acabamento e tinha até espaço para um rádio/toca-fitas. Os bancos de couro acomodavam bem e o painel seguia o padrão do 308. Alguma decepção vinha dos comandos tirados da prateleira do grupo Fiat, detentor da marca desde 1969. Mas a grande surpresa estava sob o capô: o V8 de 3,2 litros produzia 270 cv e 31 m.kgf para máxima de 263 km/h e 0-100 km/h em 6,4 segundos (para os EUA eram 260 cv). A suspensão era recalibrada e as rodas de 14 pol davam lugar às de 16 pol com pneus 205/55 à frente e 225/50 atrás. Freios antitravamento (ABS) seriam opção de 1988 em diante.

 

Depois de anos de desconforto, a Ferrari
descobria que dores na coluna e calor excessivo
não contribuíam para o sucesso do carro

 

Para analisar as evoluções, a Car comparava o 328 GTS ao 308 GTB de 1976: “A diferença de desempenho é considerável, mas o 308 a compensa em parte sendo 135 kg mais leve. O comportamento de ambos é exemplar, mas a maior aderência dos pneus dá ampla vantagem em sensação e sensibilidade de direção ao carro de 1986. O novo interior do 328 ajuda a justificar seu alto preço, melhor do que o original fazia naqueles tempos”.

No comparativo da inglesa Autocar com o Lotus Esprit Turbo, o 328 GTB foi convincente: “A tremenda distribuição de torque fornecida pelo maravilhoso V8 faz esterçar o GTB com o acelerador uma brincadeira de criança. De 2.000 rpm ao limite a 7.800, há torque instantâneo à disposição ao menor movimento do acelerador. Force-o em uma curva e você sente os pneus traseiros desgarrando para fechá-la. Com esse motor e essa direção, pode-se fazer com segurança o que se quiser com o carro”.

 

Ferrari GTB Turbo 1986
Ferrari GTS Turbo 1986
 
No mercado italiano o 328 teve versões de 2,0 litros para menor
tributação, que eram chamadas apenas de GTB Turbo e GTS Turbo

 

O resultado refletiu a competência do GTB: “O novo Esprit é bom, muito bom, mas o Ferrari é o claro vencedor. Os limites do 328 são mais altos em todas as direções que os do Lotus e, graças a sua maravilhosa direção e ao motor apropriado, é muito mais fácil explorá-los. Um verdadeiro clássico, belamente executado e maravilhosamente recompensador de dirigir. Por menos de £ 30 mil, o Esprit tem ótimo custo-benefício, mas o 328 vale cada centavo dos £ 14 mil adicionais”.

 

 

Reveladas em 1986, as versões GTB Turbo e GTS Turbo — sem número de designação — adotavam a superalimentação para compensar a cilindrada de 2,0 litros, como no antigo 208. O compacto V8 com turbo IHI atingia 254 cv e permitia chegar a 253 km/h, perdas discretas em relação ao 3,2-litros. No total, a série 328 foi produzida até 1989 em 4.192 unidades, sendo o GTS responsável por 3.431 delas.

 

Resposta aos japoneses: o 348

Apesar das bem-sucedidas atualizações, a Ferrari sabia que o 328 precisava ser substituído, pois o projeto estava fora dos padrões da época. A concorrência crescia e vinha de vários cantos do mundo — o belo Honda NSX, uma nova evolução do Porsche 911, o revitalizado Corvette, os sofisticados japoneses Nissan 300 ZX e Toyota Supra.

 

Ferrari 348 TB e TS

 

Ferrari 348 TB 1990
Ferrari 348 TB 1990
 
Com versões TB (fechada) e TS (targa), o 348 surgia em 1989 para o lugar
do 328,com tomadas de ar laterais que lembravam as do Testarossa

 

Em setembro de 1989 a Ferrari lançava o 348 TB e o TS no Salão de Frankfurt, com verdadeiras revoluções sobre seus antecessores. Desenhado como de hábito por Pininfarina, era bem diferente do 328, com elementos inspirados no Testarossa. As portas adotavam grandes aletas que seguiam até a tomada de ar dos radiadores, agora deslocados para a parte de trás. Trazia ainda nova grade e faróis auxiliares separados por moldura, como seria adotado no 512 TR. Já a tampa do motor seguia o padrão do 308, com vidro traseiro vertical e colunas vazadas. Rodas de 17 pol usavam pneus 215/50 à frente e 255/50 atrás.

Por dentro o 348 apresentava ganhos importantes. Depois de anos de desconforto e graças ao Testarossa, a marca descobria que dores na coluna, calor excessivo e manivelas de acionamento dos vidros não contribuíam para o sucesso do carro. Com painel e volante de desenhos clássicos, o 348 oferecia ar-condicionado, console que integrava o túnel central ao painel, bancos mais confortáveis e espaço para sistema de áudio.

 Próxima parte

 

Nas telas

Magnum
Magnum

Detetives Por Acaso
Detetives Por Acaso

Picasso
Picasso

Um dos mais famosos personagens que pilotaram Ferraris nas telas era Magnum (Tom Selleck) no seriado homônimo, exibido entre 1980 e 1988. A série contava a história de um detetive boa-vida que morava no Havaí e desfilava em um 308 GTS ao lado de belas companheiras. Mas os modelos de oito cilindros apareceram também em diversos filmes.

Um 308 GTB aparece na comédia Detetives Por Acaso (Detective School Dropouts, 1986), mas cupês são raros no cinema. Bem mais numeroso é o 308 GTS, presente nos filmes de ação Quem Não Corre, Voa (The Cannonball Run, 1981), Hidden – O Escondido (The Hidden, 1987) e Picasso – Arisco no Gatilho (Picasso Trigger, 1988), nas comédias Sem Licença para Dirigir (License to Drive, 1988) e Metendo os Pés pelas Mãos (The Foot Fist Way, 2006), na aventura Férias Frustradas (Vacation, 1983) e nos dramas King of the Mountain (1981) e Masquerade (1988).

Sem Licença para Dirigir
Sem Licença para Dirigir

Paixões Violentas
Paixões Violentas

Quem Não Corre, Voa
Quem Não Corre, Voa

Versões GTSi Quattrovalvole estão na comédia Um Verão Muito Louco (One Crazy Summer, 1986), no drama In Your Wildest Dreams (1991) e nos filmes de ação Paixões Violentas (Against All Odds, 1984), Viver e Morrer em Los Angeles (To Live and Die in L.A., 1985) e Red Line (1995).

Namorada de Aluguel
Namorada de Aluguel

All Stars
All Stars

Sabrina
Sabrina

Os modelos subsequentes têm aparições relevantes bem mais raras. Da série 328 destacam-se três comédias com versões GTS: Namorada de Aluguel (Can’t Buy Me Love, 1987), Os Irmãos Id & Ota (Meet the Deedles, 1998) e All Stars (1997). O 348 Spider pode ser visto na comédia Sabrina (1995) e na ação Pusher II (2004).

A Rocha
A Rocha

As Panteras
As Panteras

O Grande Assalto 11.6
O Grande Assalto 11.6

O F355 marca presença na ação A Rocha (The Rock, 1996), no qual Nicholas Cage acaba com um Spider durante uma perseguição contra Sean Conery, que dirige um Hummer. No primeiro filme da série Velozes e Furiosos (Fast and Furious, 2001), ocorre um racha entre o Toyota Supra — uma das estrelas sobre rodas do filme — e um F355 preto. Vale registrar ainda os carros do terror A Experiência III (Species III, 2004) e da comédia National Lampoon’s The Great American Run (2007).

O 360 Modena aparece na ação As Panteras (Charlie’s Angels, 2000), enquanto uma versão Spider surge na comédia The Coalition (2013). O F430 ganhou mais atuações, em geral como conversível. São os casos dos filmes de ação Redline: Velocidade sem Limites (Redline, 2007), Miami Vice (2006) e Skyline – A Invasão (Skyline, 2010), da comédia Ela é a Poderosa (Georgia Rule, 2007) e do drama O Grande Assalto 11.6 (11.6, de 2013). Já o 458 ainda não teve presenças dignas de nota no cinema.

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