Opala: 50 anos do carro mais querido da Chevrolet

Faróis, grade e detalhes internos mudavam de novo no Opala 1988, alterações seguidas meses depois por uma moderna caixa de automática de quatro marchas

 

As versões eram renomeadas Comodoro SL/E e Diplomata SE, enquanto o mais simples se chamava Opala SL desde o ano-modelo anterior. Havia ainda o Opala L, restrito a frotas de pessoas jurídicas e governos. No interior, apenas novo volante, instrumentos com iluminação indireta e alguns recursos então raros no mercado nacional: ajuste de altura do volante em sete posições, saídas de ar-condicionado para o banco traseiro, aviso sonoro para faróis ligados e temporizadores dos faróis, da luz interna e do controle elétrico dos vidros. Quase tudo vinha de série no Diplomata SE.

A ultrapassada caixa automática de três marchas enfim dava lugar, no começo de 1988, a uma moderna ZF alemã com quatro marchas e bloqueio do conversor de torque, similar à usada na época por BMW e Jaguar. Apenas versões 4,1 podiam recebê-la. Não foi a primeira do Brasil com quarta marcha, mas sim com sobremarcha: no Dodge Polara de 1979 a quarta, por ser direta (relação 1:1), não trazia menor rotação que em uma caixa de três marchas. Outras alterações eram cardã bipartido para reduzir as vibrações, amortecedores pressurizados e estabilizador dianteiro mais grosso.

As últimas mudanças de estilo do Opala vinham para 1991, com para-choques de plástico, rodas de 15 pol no Diplomata (foto) e portas sem quebra-ventos

 

A Quatro Rodas aprovou a nova transmissão: “A quarta marcha faz o motor trabalhar num regime de rotação bem menor. A redução no nível de ruído foi excepcional, reforçando o nível de conforto. Ele se tornou o carro nacional mais silencioso. A estabilidade melhorou um pouco, mas o carro continua sacolejando repetidamente seus 1.350 quilos em curvas e freadas”.

 

 

Com a preferência nacional voltando-se aos carros de quatro portas, a linha 1989 não mais contava com o Opala cupê. Lanternas traseiras com seção fumê no Diplomata e tanque de combustível em material plástico eram novidades para 1990. Além da capacidade ampliada de 84 para 91 litros, havia menor intrusão no espaço de bagagem, que assim era aumentado.

O motor de 4,1 litros aparecia aperfeiçoado em agosto de 1990, com pistões mais leves e com anéis mais estreitos, bielas mais longas (para melhor relação r/l, 0,29), maior taxa de compressão (8:1 em vez de 7,5:1), carburador Brosol 3E e novo coletor de admissão. A potência passava de 135 cv para 141 cv (líquidos) no motor a álcool e de 118 cv para 121 cv a gasolina, com reduções de consumo em 18%, de acordo com a fábrica, e de emissões poluentes.

 

O motor de 4,1 litros havia sido aprimorado e os freios traseiros a disco eram únicos no País; a Caravan seguia as novidades, mas mantinha os quebra-ventos

 

Retoques de despedida

Pouco depois, no modelo 1991, o Opala recebia sua última alteração de estilo: para-choques envolventes em plástico, nova grade dianteira, rodas de 15 pol com pneus 195/65 no Diplomata. As portas dianteiras perdiam o quebra-vento e havia novos retrovisores, mas não na Caravan. O interior trazia volante e painéis de porta refeitos e revestimento pré-moldado do teto.

 

Para marcar o encerramento foi lançada a série Diplomata Collector, que trazia certificado, fita de vídeo e brochura com a cronologia do Opala desde o projeto

 

Na parte mecânica ele se tornava o único carro nacional com freios a disco nas quatro rodas (o Alfa Romeo 2300, que os introduziu em 1974, havia saído de produção em 1986) e direção assistida com controle eletrônico Servotronic, que não mais seria usada em automóveis brasileiros — apenas nas picapes D-20 e Silverado. A bateria passava a ser selada, isenta de manutenção, mas o ventilador do radiador voltava a ter acionamento mecânico, a correia. No fim desse ano a linha recebia catalisador para reduzir emissões, atendendo à fase 2 do programa Proconve, e caixa de cinco marchas para o seis-cilindros.

Ainda com quatro marchas, a Quatro Rodas destacou que o Comodoro “não perdeu a condição de automóvel nacional mais silencioso. A máxima de 169 km/h desbanca o Ford Escort XR3 1,8 e a aceleração impressiona bem. Com discos nas quatro rodas, o equilíbrio melhorou. Dentro, faz jus à fama de luxo e conforto: rádio excelente, bancos bem desenhados, painel eficiente. A história desse modelo está perto do fim. Um carro ultrapassado, mas bem-feito”.

A série limitada Collectors, em 1992, marcava o fim do Opala após 23 anos com certificado, brindes e o nome da edição na traseira e no volante

 

Ao mesmo tempo em que completava um milhão de unidades produzidas, o Opala despedia-se do mercado: em 16 de abril de 1992 os últimos deles — um Diplomata automático e uma Caravan ambulância — saíam da linha de produção de São Caetano do Sul. Para marcar o encerramento foi lançada a série especial Diplomata Collectors (colecionadores), de estimadas 150 a 200 unidades, que vinha acompanhada de certificado, fita de vídeo e brochura com a cronologia do Opala desde o projeto inicial, relógio, caneta e chaves com inscrições douradas. No lugar dos logotipos Diplomata, na traseira e no volante, vinha Collectors. Bancos revestidos em couro eram opcionais e havia as cores preta, azul e vinho.

 

 

Poucos carros deixaram tantas saudades nos brasileiros como o Opala. Após sua descontinuação, fãs protestaram diante da portaria principal da General Motors na avenida Goiás, em São Caetano do Sul. Na Eleição dos Melhores Carros do Best Cars ele venceu entre os Carros Fora de Linha — em categoria geral e, mais tarde, na dos modelos das décadas de 1960 e 1970 — nos 18 anos em que participou. Um carisma não igualado nem mesmo por seu sucessor, o também marcante Omega. O Opala se foi, mas estará sempre no coração de uma legião de aficionados.

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Um motor de longa vida

O motor de seis cilindros em linha que conhecemos no Opala não terminou sua carreira no mercado quando ele se foi: permaneceu em uso nos utilitários da marca, tanto as picapes A-20 e C-20 quanto nas grandes peruas Bonanza e Veraneio, seguindo-se ao que ocorria desde a série 10 dos anos 70.

Ele foi também o recurso adotado pela GM brasileira quando a Opel estava por cessar a produção do motor de 3,0 litros, usado lá e aqui pelo Omega de primeira geração — seu segundo modelo usaria um V6. Com desenvolvimentos pela Lotus inglesa, que incluíram cabeçote com dutos de admissão individuais, peças móveis mais leves e injeção multiponto sequencial, ele voltava a automóveis Chevrolet na linha 1995 do Omega e da perua Suprema. Apesar dos 3 cv adicionais ao 3,0-litros (168 ante 165 cv) e do torque bem superior, a mudança não agradou a todos: era um motor de baixa rotação e de funcionamento mais áspero.

 

Uma versão menos potente (138 cv) foi aplicada à picape Silverado, que em 1997 substituiu a série 20, e ao utilitário Grand Blazer que dela foi derivado. Assim, embora o Omega tenha saído de produção em 1998, por mais um ano se pôde comprar um Chevrolet novo com o clássico “seis-canecos” do Opala.

 

Ficha técnica

Opala de Luxo 3,8 sedã (1969) Opala SS 4,1 cupê (1972) Diplomata SE 4,1 sedã (1991)
Motor
Posição e cilindros longitudinal, 6 em linha longitudinal, 6 em linha longitudinal, 6 em linha
Comando e válv./cilindro no bloco, 2 no bloco, 2 no bloco, 2
Cilindrada 3.764 cm³ 4.097 cm³ 4.097 cm³
Potência máxima 125 cv a 4.000 rpm* 140 cv a 4.000 rpm* 121 cv a 3.800 rpm
Torque máximo 26,2 m.kgf a 2.400 rpm* 29,0 m.kgf a 2.400 rpm 29,0 m.kgf a 2.000 rpm
Alimentação carburador de corpo simples carburador de corpo simples carburador de corpo duplo
*valores brutos
Transmissão
Tipo de caixa e marchas manual, 3 manual, 4 manual, 4 ou automática, 4
Tração traseira traseira traseira
Freios
Dianteiros a tambor  a disco a disco ventilado
Traseiros a tambor a tambor a tambor
Antitravamento (ABS) não não não
Suspensão
Dianteira independente, braços sobrepostos independente, braços sobrepostos independente, braços sobrepostos
Traseira eixo rígido eixo rígido eixo rígido
Rodas
Pneus 5,90-14 7,35 S 14 195/65 R 15 H
Dimensões
Comprimento 4,575 m 4,575 m 4,78 m
Entre-eixos 2,668 m 2,668 m 2,668 m
Peso 1.125 kg 1.150 kg 1.360 kg
Desempenho
Velocidade máxima 165 km/h 170 km/h 170 km/h
Aceleração de 0 a 100  km/h 13,0 s 12,0 s 12,0 s
Dados de desempenho aproximados; motores a gasolina