Adição de 40% de álcool à gasolina: somos contra

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O governo Michel Temer prepara mais uma medida prejudicial ao consumidor brasileiro — depois do aumento de impostos sobre a gasolina — no que se refere a combustíveis: a ampliação gradual do teor de álcool na gasolina dos atuais 27% (comum e aditivada) ou 25% (premium) para até 40% nos próximos anos. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, a medida faz parte de estudo para decreto presidencial, como parte da regulamentação do programa de biocombustíveis Renovabio, que prevê maior participação de combustíveis renováveis.

O decreto estabelece que o teor de álcool suba para 30% em 2022 e para 40% em 2030, conforme aprovado pelo Congresso Nacional. A medida, defendida pelo setor de produção de cana de açúcar, traria pressão de aumento de preço na gasolina e perda de arrecadação de impostos, estimada em pelo menos R$ 4 bilhões por ano.

 

 

Além disso, a gasolina brasileira ficaria ainda mais distante do teor de 22% de álcool com o qual os motores são calibrados. Em carros flexíveis, o principal efeito seria aumento de consumo. Nos movidos apenas a gasolina poderia haver problemas de dirigibilidade (a central eletrônica não estaria apta a uma correção da mistura ar-combustível desse patamar) e, nos fabricados até a década de 1990, corrosão de componentes em contato com o combustível. Vale lembrar que quando o governo Dilma Rousseff elevou o teor para 27%, há três anos, a Anfavea (associação dos fabricantes) recomendou que carros importados ou fabricados antes de 2003 passassem a usar a cara gasolina premium (de 25%) como medida de proteção.

O Best Cars posiciona-se contra a alteração, que constitui mais um desrespeito deste governo federal e dos anteriores contra aqueles que pagam seu salário.

Atualizações: o site Nova Cana, que cobre o setor de álcool, reagiu à notícia da Folha informando em 12/3 que “essa determinação não faz parte da lei sancionada pelo Presidente” e, ainda, que  “fontes consultadas pelo Nova Cana negam que esse ponto sequer pode ser retomado no decreto presidencial previsto para ser anunciado ao longo desta semana”. Em 13/3 a Folha informou que o governo federal desistiu da alteração em razão da polêmica criada no mercado.

Texto: Fabrício Samahá – Foto: divulgação