Ford Falcon Ute, 55 anos, despede-se: veja histórico

 

A Ford australiana produziu na sexta-feira (29) a última unidade da picape Falcon Ute, derivada do sedã que será fabricado no mesmo país até outubro. Parte do encerramento de produção da marca na terra dos cangurus, o fim da Ute conclui uma história iniciada em fevereiro de 1961. Durante 55 anos e sete gerações foram feitos 467.690 exemplares. A Ford criou o conceito de coupe utility, ou cupê-utilitário, na Austrália em 1934 e foi uma das duas empresas que trouxeram esse tipo de picape a nossos dias: a outra foi a Holden, braço local da General Motors, que encerra a fabricação de carros por lá no próximo ano.

Conheça um breve histórico da Falcon Ute.

 

Primeira geração (1961)

Embora parecida com a Ranchero feita nos Estados Unidos, a Ute era um projeto da própria Ford australiana, usando as portas mais curtas do sedã local (a norte-americana tinha as peças do Falcon de duas portas) e suspensão mais alta e reforçada, para uso em pisos de pior qualidade que na América. Foram feitas as séries XK, XL, XM e XP até 1966 com motores de seis cilindros em linha e 2,4, 2,8 ou 3,3 litros, sempre com tração traseira.

 

Segunda geração (1966)

Com outro desenho local, a Ford chegava a uma picape mais curta e resistente ao uso severo que a Ranchero, a ponto de substituir o modelo norte-americano no mercado da África do Sul. O motor V8 de 5,8 litros, alternativa aos seis-cilindros, garantia torque de sobra. O modelo 1973 oferecia tração nas quatro rodas pela primeira vez. Note a semelhança da frente (à direita) com a do Chevrolet Opala nacional de 1969 a 1974.

 

 

Terceira geração (1972)

Foi a primeira desenhada na Austrália com base em um sedã exclusivo, pois o Falcon já não existia nos EUA. A Ford usou a plataforma de maior entre-eixos da linha e adotou linhas mais fluidas, com coluna traseira inclinada para frente e portas sem molduras nas janelas. Os motores seis e V8 permaneciam.

 

Quarta geração (1979)

O estilo típico da Ford europeia da época faz a Ute lembrar nossos modelos dos anos 80, como a Pampa. Com capacidade para 750 kg, ela tinha motor de seis cilindros em linha e 3,3 litros, com alternativas pelo 4,1 e por dois V8 (4,9 e 5,8-litros), mas de 1982 em diante apenas os de seis eram mantidos. Foi a geração mais longeva, até 1993, e representou a sobrevivência do conceito depois de seu abandono pela Chrysler (em 1979) e a Holden (em 1985, voltando mais tarde). Uma versão para a Nissan foi feita em 1988, após pressão do governo para que a indústria local reduzisse custos.

 

Quinta geração (1992)

Arredondada na nova frente sem grade, a picape não escondia o projeto antigo na traseira retilínea: a fábrica pulou uma geração do sedã Falcon e atualizou a Ute pela metade. Nova era a versão para uma tonelada. Ao lado do motor de seis cilindros e 4,0 litros (adotado no último ano do modelo anterior), ela recebia em 1997 um V8 de 5,0 litros na versão XR8, após 15 anos de ausência. A frente das versões esportivas tinha quatro faróis circulares.

 

Sexta geração (1999)

A esperada reformulação vinha com caçamba independente da cabine, o que permitia sua substituição para aplicações específicas. Oferecia bolsa inflável para o motorista, rodar mais confortável e motores 4,0 de seis cilindros e V8 5,0. A série XR8 Pursuit 250 de 2002 (em cima à direita) vinha com motor de 5,6 litros e 340 cv, mas transportava apenas 400 kg. Em seguida a série BA (embaixo à esquerda) trazia nova frente e motores mais modernos de seis cilindros (4,0 com e sem turbo) e oito (5,0 litros, também com 32 válvulas e até 394 cv). Em nove anos, quase 150 mil picapes dessa geração foram vendidas.

 

Sétima geração (2008)

Versões de alto desempenho reforçaram o ar de lazer da Ute, que evoluía em motor, transmissão e suspensão na série FG. Continuavam as opções de seis e oito cilindros. A fase posterior FGX (embaixo à direita) de 2014 adotou o padrão mundial de frente da marca. Suas vendas indicam o declínio da Ute: 5 mil unidades em dois anos. Um acordo de livre comércio firmado em 2005 com a Tailândia, forte fabricante de picapes médias, explica a gradual substituição das Utes da Ford e da Holden por modelos como Ranger e Toyota Hilux.

 

Texto: Fabrício Samahá – Fotos: divulgação