De Cadillac a carreteras, os antigos em Buenos Aires

O Salão de Buenos Aires tem algo que não costumamos ver por aqui: uma grande ala dedicada a modelos históricos. O Best Cars passou um agradável tempo por lá e traz alguns dos destaques.

 

Um Rolls-Royce valeria a visita, mas o estande tem vários. Nas fotos o modelo Phantom I de 1926, com motor de seis cilindros e 7,7 litros; o 25/30 HP de 1936, de seis cilindros e 4,3 litros; o Silver Cloud III 1963, com carroceria Mulliner Park Ward de “olhos chineses” e motor V8 de 6,25 litros; e o conversível Corniche 1972, com V8 de 6,75 litros.

 

 

Um dos carros mais antigos expostos, o Krieger de 1897 é um francês elétrico, com dois motores de 8 cv cada.

 

O primeiro automóvel argentino, construído à mão por quatro anos entre 1903 e 1907 por Manuel Iglesias. Motor de um cilindro e 1,9 litro, velocidade máxima de 12 km/h.

 

Há grande número de turismo carreteras ou carros de corrida de turismo. Eram automóveis de rua com peso aliviado e alguma preparação, que disputaram provas de rua de 1937 em diante com longeva rivalidade entre Chevrolet e Ford. Nas fotos, o Chevrolet é uma réplica do 1939 com que Juan Manuel Fangio correu a Vuelta a la America del Sur de 1948 entre Buenos Aires e Caracas (Venezuela). Motor de 3,9 litros e seis cilindros. O Ford Coupe 1940, com V8 de 4,0 litros e as cores do automobilismo argentino, participou em 2007 da prova Pequim-Paris.

 

O belo Cadillac conversível de 1955 é o carro presidencial comprado por Juan Domingo Perón. O atual presidente Mauricio Macri pretendia desfilar com ele na posse, em 2015, mas desistiu pelo mau estado do carro. O Cadillac foi então cuidadosamente restaurado para exposição no Museo de la Casa Rosada e em condições especiais.

 

Elogiável a iniciativa da Peugeot de expor três modelos históricos no país em seu estande. O 403, fabricado entre 1955 e 1963, foi seu primeiro carro a superar um milhão de unidades vendidas. O sucessor 404, de 1960 a 1975, foi feito na Safrar/Sevel argentina e alcançou 2,8 milhões de exemplares mundo afora. Abriu caminho ao 504, com mais de 3 milhões produzidos, que foi de 1968 a 1983 na França e até 1999 entre os argentinos — incluindo uma picape para 1,3 tonelada também vendida no Brasil.

 

Um DKW-Vemag Belcar? Quase isso: é sua versão argentina, o Auto Union 1000 S de 1965, fabricado pela Industria Automotriz Santa Fe Sociedade Anónima ou IASFSA. As portas dianteiras ainda abriam-se para trás, ao contrário do nacional daquele ano.

 

O Ambassador 990 Rambler produzido pela IKA-Renault foi por longo tempo o carro presidencial argentino: foram entregues dois em 1968 e dois em 1976, estes últimos blindados. Os carros eram alongados em 30 cm e recebiam vidro traseiro menor, bancos de couro e apliques de madeira. A blindagem usava placas de alumínio e, no lugar dos vidros, de policarbonato.

 

Com qual dos superesportivos japoneses você sonhava nos anos 90? Lá poderia ver os quatro juntos: Acura/Honda NSX (motor V6 aspirado de 3,0 litros, 270 cv), Mazda RX-7 (motor de dois rotores, 1,3 litro, dois turbos, 240 cv), Mitsubishi 3000 GT VR-4 (V6, 3,0 litros, dois turbos, 300 cv) e Toyota Supra (seis cilindros, 3,0 litros, dois turbos, 330 cv). Só faltou o Nissan 300 ZX.

 

Texto e fotos: Fabrício Samahá – Viagem a convite da Ford Brasil