Citroën, 100 anos, reúne carros antigos e desmonta 2CV

 

A Citroën completou 100 anos de atividades em 4 de junho e, para comemorar a marca, fez um evento para a imprensa relembrando o passado e apresentando seus planos para o futuro. O evento realizado na Bienal, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, SP, contou com a presença ilustre de carros antigos da marca, fundada em 1919 por André Citroën. O Best Cars teve a oportunidade de dirigir um deles, em um breve trajeto de 5 quilômetros em volta do parque, para conhecer melhor os velhos tempos de um fabricante conhecido pelas inovações.

 

 

O Citroën Traction Avant Coupé, ano 1947, representa um dos carros mais marcantes da história da empresa. A série iniciada em 1934 com o modelo 7A combinava tração dianteira, carroceria monobloco de aço, freios hidráulicos nas quatro rodas, suspensão dianteira independente e motor com válvulas no cabeçote. Nessa versão de duas portas e cabine compacta, um banco retrátil na traseira — conhecido como “banco da sogra” — permite levar mais passageiros a céu aberto.

 

Nosso colaborador e o Traction Avant (foto maior): o modelo lançado em 1934, pioneiro em soluções técnicas, tinha nessa versão Coupé 1947 um “banco da sogra”

 

Dirigi-lo remete à sensação de estar em um filme de gângster, com seu jeito imponente, a baixa altura para um carro de sua época e as características únicas. O modelo conta com motor de 1,9 litro, que rende 56 cv e torque de 12 m.kgf, e transmissão manual de três marchas. Pode chegar a cerca de 120 km/h. Seu rodar pode ser considerado confortável, mas é necessário aplicar grande força sobre o pedal de freio e no volante para fazer manobras.

Outro modelo experimentado, mas de carona, foi o Citroën DS Pallas de 1974 com suspensão hidropneumática, sistema que o modelo original de 1955 aplicou pela primeira vez a ambos os eixos — a versão 15-Six do Traction Avant havia recebido tal suspensão um ano antes, mas apenas na traseira. Seu desenho foi tão ousado na época que, mesmo depois de quase 20 anos, ainda impressionava no contexto dos anos 70. Desde 1967 os faróis eram direcionais, para iluminar o caminho nas curvas.

 

O sedã Pallas, no qual pegamos carona, e a perua representavam a também inovadora linha DS; na última foto, o cupê SM, lançado em 1970 com motor V6 da Maserati

 

Os bancos de couro com espumas superdimensionadas contribuem para o conforto. O DS faz jus ao marketing aplicado sobre ele em relação ao bem-estar dos ocupantes: em imperfeições, lombadas e valetas, o grande sedã de quase 4,90 metros e enorme distância entre eixos (3,13 m) consegue de forma excepcional compensar os movimentos e repassar aos ocupantes o mínimo possível das variações, mesmo com a idade da tecnologia agregada. Na versão 23 Pallas o motor de 2,35 litros tinha 115 cv e 18,7 m.kgf.

 

 

No evento estavam ainda outras versões do Traction Avant e do DS (incluindo uma perua), o cupê SM (com motor V6 da italiana Maserati) e o pequeno 2CV em diferentes opções. Houve também a oportunidade de desmontar e montar um 2CV, modelo de longa história — foi produzido entre 1948 e 1990 —, com objetivo de mostrar que a ideia da marca desde seus primeiros anos foi a praticidade e a versatilidade na produção.

Nó término do dia, a mensagem que a Citroën buscou deixar é que os carros antigos foram fundamentais em sua história, oferecendo ao mundo uma imagem de ousadia e inovação técnica.

 

O pequeno 2CV foi desmontado e montado, para mostrar sua simplicidade; o modelo foi fabricado de 1948 a 1990 em 3,8 milhões de unidades, sem contar os furgões

 

Texto: Kelvin Silva – Fotos: divulgação