Fox e Spacefox: esses veteranos ainda são boa compra?

Apesar do projeto antigo, donos gostam dos motores e do espaço interno; maiores reclamações são para ruídos

Texto: Fabrício Samahá – Fotos: divulgação

 

Em um mercado com tantas opções de novos carros, por que você compraria um modelo que é feito há quase 14 anos? Por esse prisma o Volkswagen Fox pode parecer uma carta fora do baralho, mas o hatch mantém seu público e tem recebido atualizações, tanto de estilo e conteúdo quanto de mecânica. Neste Guia de Compra veremos o que pensam seus proprietários para saber se vale a pena ter um.

O Fox estreou em 2003 com a proposta de oferecer mais espaço que o habitual nos hatches pequenos. A perua Spacefox vinha em 2007. Neste guia consideramos os dois modelos desde 2010, quando a marca fez sua primeira reestilização. Na época as versões do Fox eram básica e Prime. A primeira tinha motor de 1,0 litro (potência de 72 cv com gasolina e 76 com álcool e torque de 9,7/10,6 m.kgf) e de 1,6 litro (101/104 cv e 15,4/15,6 m.kgf), ambos flexíveis e com duas válvulas por cilindro. O 1,6 podia receber a transmissão automatizada I-Motion. Quando equipado com banco traseiro corrediço, o Fox oferecia espaço de bagagem dos maiores da classe, variável entre 260 e 353 litros.

 

 

Pouco depois eram renovados o “aventureiro” Crossfox e a Spacefox. Ela era oferecida como básica e Sportline, só com o motor 1,6, e podia levar ainda mais bagagem: de 430 a 527 litros, conforme o ajuste do banco. A Space Cross vinha na sequência com as suspensões elevadas do Crossfox, mas sem o estepe preso à traseira. O Fox Blue Motion, em 2012, mantinha o motor 1,6 e recebia alterações para menor consumo. Com o mesmo nome era lançada uma versão de 1,0 litro no ano seguinte. Era o primeiro VW com o motor de três cilindros que seria adotado no Up, mais econômico e potente (75/82 cv e 9,7/10,4 m.kgf).

 

Quais as maiores qualidades do Fox? A principal resposta dividiu-se em três itens: espaço interno, consumo e desempenho, salvo com o antigo motor 1,0-litro

 

Na linha 2015 chegavam outra reforma visual e o motor 1,6 de quatro válvulas por cilindro (110/120 cv e 15,8/16,8 m.kgf) para as versões superiores Fox Highline, Crossfox e Spacefox Highline. Nesse caso a caixa manual tinha seis marchas. Outras novidades eram controle eletrônico de estabilidade e tração, assistência elétrica de direção, navegador e rodas de 16 pol em algumas versões. A linha era composta ainda por Trendline, Comfortline e Blue Motion, este só de 1,0 litro. Pouco depois aparecia o Fox Pepper, com visual esportivo e o motor mais potente.

O Fox Track era lançado para 2016 com visual inspirado no do Crossfox. Ele podia ter sistema de áudio com tela tátil e compatível com Android Auto e Apple Car Play, como outras versões. O motor de três cilindros tornava-se padrão para os carros de 1,0 litro. Na Spacefox aparecia uma versão mais simples, a Trendline. Para 2017 e 2018 houve só pequenas alterações. A linha ofereceu também edições especiais. A Seleção de 2014 usava ambos os motores da época; a Rock in Rio teve séries em vários anos, sempre de 1,6 litro, e a partir do Comfortline 1,6 foi feita a edição Run em 2016.

 

Crossfox (em laranja) e Highline mostram o estilo adotado entre 2010 e 2015; painel e conteúdo estavam melhores do que nos primeiros sete anos do Fox

 

Motores e espaço interno são elogiados

Perguntamos aos donos de Fox, por meio do Teste do Leitor do Best Cars, quais as maiores qualidades do carro. A resposta dividiu-se em três itens com o mesmo percentual (37%): consumo de combustível, desempenho e espaço interno. Os dois primeiros foram elogiados com ambos os motores 1,6 e com o 1,0-litro de três cilindros, mas não com o antigo de quatro cilindros. Na sequência veio a transmissão manual (33%). Estilo (30%), painel de instrumentos (27%), equipamentos e estabilidade (23% cada) são outros destaques desse VW bastante citados. Vale mencionar ainda o motor de 16 válvulas, a posição de dirigir (20% cada), o acabamento e a relação custo-benefício (17%).

Para Márcio Vinicius, de Pedro Leopoldo, MG, os destaques do Fox Comfortline 1,6 2017 são “o espaço interno e a posição de dirigir, bem melhores do que no Gol. O consumo surpreendeu. O painel é muito bem resolvido e completo, computador de bordo de fácil manuseio e muito eficiente. O sistema de áudio Connect é muito bom e prático”.

Thiago Ramos, de Belo Horizonte, MG, tem um Highline 1,6 16V 2015 e aponta outros aspectos: “O melhor é o motor. Não dá saudade nenhuma do antigo, já que oferece tanto torque em baixa quanto ele e muito mais potência em alta. Tenho gostado também do consumo com álcool. Silêncio interno, assistência elétrica da direção e controles de tração e estabilidade. Câmbio extremamente certeiro e de engates macios. O ar gela bastante e o acabamento é correto”.

 

Novas frente e traseira, motor 1,6 de 16 válvulas e caixa de seis marchas vinham para 2015; a versão Track (em branco) aparecia mais tarde

 

E quanto aos aspectos negativos? A capacidade de bagagem do hatch aparece em primeiro (27%), apesar do ajuste do banco, que permite ampliá-la com prejuízo ao conforto dos passageiros. Seguem-se a falta de comando interno da tampa do tanque (23%), a estabilidade (20%) e, empatados com 13%, conforto da suspensão e custo de revisões. Registram-se ainda queixas ao estepe voltado para baixo (10%), que dificulta checar a pressão, e à visibilidade dianteira (7%).

 

 

“Suspensão dura demais, bancos dianteiros muito estreitos. Porta-malas ridículo. Retirar o estepe para calibrar requer um esforço enorme. A VW diz que é um compacto premium, para mim é um popular disfarçado. Colunas dianteiras são muito largas e escondem uma pessoa facilmente”, observa Josée Mauro, de Osasco, SP, dono de um Fox Rock & Rio 1,6 2014. Tarcisio Silva, de Brasília, DF, tem uma Spacefox Trend 1,6 2012 e acrescenta: “Se pegar estrada ruim, o carro parece um jipe dos anos 50 de tão duro. Acabamento usa muito plástico e painel estrala. Preço de revisão não é barato se comparar com Gol”.

Os defeitos que mais incomodam os donos de Fox são ruídos, tanto os internos (23%) quanto os da suspensão (17%). Outros problemas citados foram no controle elétrico de vidros (13%), ruídos no banco traseiro corrediço e empenamento de discos de freio (10% cada). Com menor incidência houve alerta de defeito nas bolsas infláveis, consumo de óleo lubrificante no motor 16V e falhas na transmissão automatizada (7% cada).

 

Crossfox (em cima) e Spacefox acompanharam as renovações; embaixo à direita, o Fox Pepper; edições limitadas foram frequentes nesse período

 

Davi Reis de Souza, de Belo Horizonte, MG, enumera o que ocorreu com seu Fox Highline 1,6 16V 2015: “Barulhos no acabamento interno, levantamento automático dos vidros parou de funcionar, barulho na suspensão, módulo da injeção eletrônica se soltou do suporte. Surgiu um barulho de rolamento: os pneus Pirelli P7 são os culpados”.

Afinal, como se sentem os proprietários em relação ao Fox e à Spacefox? Para 60% deles o carro trouxe muita satisfação, um índice apenas razoável no histórico da pesquisa. O “irmão menor” Up obteve 94% e outros carros pequenos ficaram entre essas marcas: 82% para Chevrolet Onix e Prisma, 76% para Toyota Etios, 75% para Hyundai HB20 e HB20S e 64% para Fiat Grand Siena. Em relação às concessionárias VW, o Fox ficou outra vez em situação modesta. Com 40% muito satisfeitos, superou o Grand Siena (30%), mas perdeu para Etios (69%), HB20 (63%), Onix e Prisma (46%) e o próprio Up, com 65% (os dados foram contabilizados para cada Guia de Compra e podem não corresponder aos atuais).

 

Satisfação com o carro

Muito satisfeitos 60%
Parcialmente satisfeitos 30%
Insatisfeitos 10%
Pesquisa com 30 donos de modelos 2010 a 2017

 

Satisfação com a rede de concessionárias

Muito satisfeitos 40%
Parcialmente satisfeitos 43%
Insatisfeitos 17%
Não usam 0
Pesquisa com 30 donos de modelos 2010 a 2017

 

 

Ficha técnica

Track 1,0 Highline 1,6 16V
Motor
Posição transversal
Cilindros 3 em linha 4 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo
Diâmetro e curso 74,5 x 76,4 mm 76,5 x 86,9 mm
Cilindrada 999 cm³ 1.598 cm³
Taxa de compressão 11,5:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 75/82 cv a 6.250 rpm 110/120 cv a 5.750 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 9,7/10,4 m.kgf a 3.000 rpm 15,8/16,8 m.kgf a 4.000 rpm
Transmissão
Tipo de caixa e marchas manual / 5 manual / 6 ou manual automatizada / 5
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a tambor
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência elétrica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira eixo de torção, mola helicoidal
Rodas
Dimensões 6 x 15 pol 6 x 16 pol (opc.)
Pneus 195/55 R 15 195/50 R 16 (opc.)
Dimensões
Comprimento 3,868 m
Largura 1,66 m
Altura 1,552 m
Entre-eixos 2,467 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 50 l
Compartimento de bagagem 260 a 353 l (conforme ajuste do banco)
Peso em ordem de marcha 1.084 kg 1.105 kg
Desempenho e consumo (gas./álc.)
Velocidade máxima 158/159 km/h 183/189 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 14,7/14,4 s 10,3/9,8 s
Consumo em cidade 12,3/8,6 km/l 10,8/7,6 km/l
Consumo em rodovia 13,5/9,3 km/l 12,0/8,4 km/l
Dados do fabricante para modelos 2017 com caixa manual; consumo conforme padrões do Inmetro; *gasolina/álcool