Valente, Mitsubishi Pajero TR4 pede compra consciente

Mitsubishi Pajero TR4 2012

 

Pequeno utilitário enfrenta terrenos difíceis e seu tamanho o torna
prático para a cidade, mas donos apontam altos custos e baixa qualidade

Texto: Luiz Fernando Wernz – Fotos: divulgação

 

Você mora em um grande centro urbano, mas gosta de aproveitar o fim de semana para curtir a natureza, fazendo um passeio pela areia da praia? Ou curte mesmo é sentir o carro deslizando pela lama, bem longe da cidade, só para descarregar a tensão? Felizmente o mercado nacional hoje oferece opções que cabem na vaga do shopping center e na garagem, não limpam sua conta-corrente e ainda podem proporcionar esses momentos de descontração.

O Mitsubishi Pajero TR4 nasceu como Pajero iO (grafado exatamente dessa forma) há 15 anos, em 1999, e foi renomeado em 2003 ao ganhar fabricação brasileira em Catalão, GO. Neste Guia de Compra temos uma atualização, pois um guia anterior foi publicado em 2005 — aqui analisaremos os modelos de 2007 em diante. Algumas evoluções podem ser observadas no período, apesar de o carro ter preservado seus pontos básicos.

Lançado em junho de 2006, o modelo 2007 do pequeno utilitário trazia mudanças visuais que tentavam aproximar o TR4 de seus irmãos maiores (e mais caros) L200 e Pajero Sport. Os faróis retangulares foram trocados por circulares envolvidos por uma máscara plástica, assim como as lanternas traseiras. As máscaras mantinham o formato do conjunto anterior, evitando mudanças nas chapas metálicas da carroceria. Os para-choques foram revistos, assim como a grade e as barras de teto, e os pneus vinham mais apropriados ao uso no asfalto em novas rodas de alumínio de 16 pol. Pneus de uso misto eram opcionais. No interior, a única novidade ficava por conta do tecido dos revestimentos.

 

Mitsubishi Pajero TR4 2007

 
Faróis circulares montados em máscaras, que preenchiam o lugar dos anteriores,
e novos para-choques eram algumas das novidades do Pajero TR4 para 2007

 

O TR4 já vinha com bom pacote de equipamentos de série, com ar-condicionado, direção assistida, controles elétricos de vidros, travas e retrovisores, alarme com travamento das portas por controle remoto, volante e banco do motorista com regulagem de altura, rodas de alumínio, bolsa inflável para o motorista e rádio/toca-CDs com leitor de MP3. Os opcionais eram barras transversais no teto, pneus de uso misto, tanque de combustível com capacidade aumentada de 53 para 86 litros, revestimento interno em couro e câmbio automático, que vinha acompanhado de bolsa inflável para o passageiro da frente e freios com sistema antitravamento (ABS).

 

O sistema de tração tinha quatro modos de uso:
traseira, 4×4 contínuo, 4×4 com bloqueio
de diferencial central e este último com redução

 

A mecânica permanecia com motor de 2,0 litros e quatro válvulas por cilindro, com potência de 131 cv e torque de 18 m.kgf, e câmbio manual de cinco marchas ou automático com apenas quatro. Um mês após, em julho, o motor passava a ser flexível em combustível e ganhava 2 cv com álcool. A desenvoltura para enfrentar condições adversas de terreno era um destaque, herança direta da família Pajero.

O sistema de tração tinha quatro modos de operação: 4×2, com tração traseira; 4×4 contínuo, com distribuição de tração nas rodas por demanda e operação de engate a até 100 km/h; 4×4 com bloqueio de diferencial central, com divisão da tração em 50% para cada eixo, também acionável a até 100 km/h; e 4×4 com bloqueio de diferencial central e redução, acionado com o carro parado e no qual não se deve ultrapassar os 50 km/h. Em maio de 2008 era lançada a versão GLS, mais simples, com câmbio manual e sem freios ABS ou bolsa inflável para o passageiro.

 

Mitsubishi Pajero TR4 2007
Mitsubishi Pajero TR4 2007
 
O motor de 2,0 litros e 131 cv não mudava, mas um mês depois o TR4 tornava-se
flexível; o sistema de tração tinha quatro modos de uso, incluindo reduzida

 

Em setembro de 2009 aparecia o Pajero TR4 2010, com a remodelação mais extensa desde o lançamento do Pajero iO. A frente ganhou grade e para-choque mais integrados à linguagem de estilo da marca e novos faróis de duplo refletor. As laterais tiveram os vincos suavizados e receberam saídas de ar nos para-lamas dianteiros, além de vidros laterais traseiros mais arredondados. Na traseira foram refeitos lanternas, tampa do porta-malas e para-choque. Por fim, as rodas cresciam para 17 pol e os pneus tiveram altura reduzida.

 

 

A Mitsubishi optou, porém, por manter o interior praticamente igual ao lançado 11 anos antes, modificando apenas detalhes como botões de ventilação, volante e quadro de instrumentos, em um contraste desagradável do exterior mais moderno com o aspecto interno ultrapassado. O sistema de áudio foi aprimorado com entradas USB e para Ipod, além de interface Bluetooth. O pacote de equipamentos de série e opcionais permaneceu, incluindo a privação do ABS e da segunda bolsa inflável nas versões com câmbio manual. Na mecânica, o motor 2,0-litros teve a taxa de compressão aumentada de 9,5:1 para 11:1, melhorando o aproveitamento no uso do álcool e trazendo aumento de potência em 7 cv (4 cv no caso da gasolina).

Por fim, em dezembro de 2011, com foco no público consumidor urbano, era lançada a versão 4×2. Com opção de câmbio manual ou automático, tinha tração apenas nas rodas traseiras. A versão 4×4 passou a contar com uma central multimídia da marca Clarion, que ainda não incluía navegador, embora oferecesse tal possibilidade pela compra de um complemento no mercado de acessórios. Desde então não houve outras novidades no modelo.

 

Mitsubishi Pajero TR4 2007

 
Mantido desde o Pajero iO, o interior era um ponto negativo desse Pajero: linhas
antigas, acabamento muito simples e pouco espaço para quem viajava atrás

 

“É um 4×4 de verdade”

Pelo que se pode constatar pelos relatos do Teste do Leitor, os donos do Pajero TR4 adoram destacar sua aptidão fora de estrada, que transcende os modelos aventureiros apenas na aparência, além de sua praticidade e robustez.

“É um 4×4 de verdade, com quatro opções de tração distintas. Encara qualquer obstáculo. Sabendo dirigir faz em torno de 8 km/l com ar-condicionado ligado, no trânsito de São Paulo, com gasolina. Alto, é muito bom para passar em obstáculos. Buracos e quebra-molas são brincadeirinhas de criança. Dos SUVs pra valer, é o que tem a melhor relação custo-benefício, pelo que oferece em termos de conforto, desempenho e segurança. Pra quem gosta de jipe, de terra, aventura e não tem família grande, é o carro. É muito seguro ao andar em asfalto molhado, com o 4×4 sem bloqueio. Tem muita aderência nesta situação”, elogia Márcio Araújo, de São Paulo, SP, dono de um Pajero TR4 4×4 automático 2012.

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