Peugeot 408: conforto a avaliar de olhos bem abertos

 

Espaçoso, bem-equipado e bom de dirigir, o sedã franco-
argentino merece atenção a alguns problemas frequentes

Texto: Luiz Fernando Wernz – Fotos: divulgação

 

O segmento dos sedãs médios foi bem representado pela Peugeot no Brasil nos anos 90, na época da abertura das importações, e início dos anos 2000. Modelos de relativo sucesso, como o 405 e o 406, tinham presença frequente em nossas ruas e estradas, repetindo em parte o sucesso que faziam em seu país de origem, a França.

Contudo, o sucessor do Peugeot 406, o 407, evoluiu tanto em relação a seu antecessor que mudou de categoria, deixando a marca sem um representante no segmento dos médios até a chegada do 307 Sedan, em 2007. O problema é que o estilo desse 307 não era dos mais felizes, o que impediu que suas vendas alavancassem, a despeito das várias qualidades do modelo.

 

 
Maior que o 307 sedã e com linhas mais equilibradas, o 408 atendeu ao objetivo da
Peugeot: oferecer um médio espaçoso e elegante a custo menor que o do 407

 

Para que os mercados emergentes voltassem a contar com um Peugeot de estilo acertado e que não fosse sofisticado a ponto de se tornar pouco competitivo, as filiais chinesa e brasileira da Peugeot buscaram um carro maior que o 307 Sedan, com estilo atraente e que, ao mesmo tempo, tivesse produção mais simples e barata que a do 407. Foi assim que nasceu o 408, concebido a partir do hatch 308 francês, com distância entre eixos revista e estilo próprio e bem resolvido.

 

Com motor de 165 cv, o 408 THP não tinha como foco ser um sedã esportivo, mas uma opção com desempenho aprimorado e mais tecnologia

 

O Peugeot 408 desembarcou no Brasil, importado da Argentina, em fevereiro de 2011. De início foram oferecidas três versões de acabamento: a básica Allure, a intermediária Feline e a de topo Griffe. O câmbio manual só estava disponível na primeira versão, mas todas compartilhavam o motor de 2,0 litros e quatro válvulas por cilindro, flexível em combustível, com potência de 143 cv com gasolina e 151 com álcool.

A versão Allure já vinha bem equipada: bolsas infláveis frontais, cintos de três pontos e encostos de cabeça para todos os ocupantes, freios antitravamento (ABS) com distribuição eletrônica de força entre os eixos e assistência adicional de emergência, faróis de neblina, rodas de alumínio de 16 pol, ar-condicionado manual, direção com assistência eletro-hidráulica, volante com regulagem de altura e distância, rádio/toca-CDs com MP3 e comandos junto ao volante, interface Bluetooth para celular, computador de bordo, volante revestido em couro e controle elétrico dos vidros, travas e retrovisores eram equipamentos de série. O único opcional era o câmbio automático de quatro marchas, acompanhado de limitador e controlador de velocidade.

 

 
O conteúdo de série era um destaque do 408 desde a versão Allure; a Feline trazia
seis bolsas infláveis, teto solar, controle de estabilidade e dispositivos automáticos

 

O 408 Feline adicionava bolsas infláveis laterais dianteiras e cortinas infláveis para a área lateral dos vidros, controle eletrônico de estabilidade, rodas de 17 pol, alarme antifurto, revestimento dos bancos em couro, teto solar com comando elétrico e fechamento comandado a distância junto dos vidros, ar-condicionado automático de duas zonas com saídas para o banco traseiro, retrovisor interno fotocrômico, rebatimento elétrico dos retrovisores externos, sensores de estacionamento traseiros, faróis e limpador de para-brisa automáticos e pedais esportivos.

Não satisfeito com esses equipamentos? Ainda era possível optar pela versão Griffe, que adicionava faróis de xenônio com facho autodirecional, sensores de estacionamento dianteiros, banco do motorista com ajustes elétricos e navegador por satélite integrado ao painel.

Se a intenção da Peugeot era conquistar novos consumidores pelo visual, a receita de estilo do 408 foi bem acertada. O porte e a continuidade das linhas agradavam, com os três volumes bem definidos. Na frente, os grandes faróis e a tomada de ar inferior do para-choque conferiam uma ousadia ao desenho. A traseira apresentava lanternas afiladas e estreitas. No interior o desenho era sóbrio e de bom gosto, os plásticos do acabamento tinham aspecto refinado e toque macio no painel e espaço era um ponto forte do sedã — que, apesar de derivado de um hatch, teve o entre-eixos alongado para dar mais conforto aos ocupantes do banco traseiro. Espaço para a bagagem também não era problema com o porta-malas com capacidade de 481 litros.

 

 
Com motor turbo de 1,6 litro e 165 cv, alto torque em baixa rotação e câmbio
de seis marchas, o 408 THP respondia aos pedidos de melhor desempenho

 

Apesar dos índices expressivos de potência e torque — entre os mais altos da categoria, motores turbo à parte —, o 408 não convencia pelo desempenho. O peso elevado (1.527 kg no caso do Griffe), somado a potência e torque concentrados em altos regimes e à caixa automática de apenas quatro marchas, resultou em um sedã sem brilhantismo, mesmo em se tratando de um carro familiar.

 

 

O primeiro passo para atender aos que desejavam melhor resposta ao acelerador foi dado em janeiro de 2012, quando a Peugeot trouxe o 408 Griffe THP. Equipado com um excelente motor de 1,6 litro com quatro válvulas por cilindro, turbocompressor e injeção direta de gasolina que produzia 165 cv, aliado a um câmbio automático de seis marchas, o 408 THP apresentava desempenho muito superior, com destaque para o torque de 24,5 m.kgf disponível desde 1.400 rpm. Mas o foco não era ser um sedã esportivo — apenas uma opção com desempenho aprimorado e mais tecnologia em favor da eficiência. Seu pacote de equipamentos era o mesmo do Griffe de 2,0 litros.

Em novembro de 2012 o Peugeot 408 ganhou a série especial Limited, de exatas 408 unidades. Apresentava como destaque o sistema multimídia no painel, com tela de 7 pol sensível ao toque, que operava os sistemas de áudio, vídeo (com leitor de DVD e VCD, incluindo formatos WMA e MPEG4), navegação por satélite, receptor de sinal de TV digital e imagens da câmera de ré para manobras. O sistema contava ainda com entradas USB e para cartão de memória SD/MMC, conexão para Ipod, entrada auxiliar A/V e saídas amplificadas RCA e para subwoofer.

 

 
Limitada a 408 unidades, a edição especial Limited vinha com central multimídia no
painel para áudio, vídeo e navegador, incluindo tela de 7 pol sensível ao toque

 

A série, que mantinha o conteúdo do Feline e o motor de 2,0 litros com câmbio automático, era identificada apenas pelo logotipo 408 Limited à frente dos retrovisores externos, com a numeração da unidade (001/408, por exemplo). Ao mesmo tempo a linha 2013 passou a restringir as versões disponíveis ao Allure, com motor 2,0-litros e câmbio manual ou automático, e ao Griffe THP automático, deixando de existir as opções Feline e Griffe 2,0 16V.

Em setembro de 2013, a linha 2014 trouxe as novidades mais aguardadas: o câmbio automático e a suspensão foram revistos e o carro ficou mais agradável de dirigir. O 408 passou a ter, também para o motor 2,0 16V, a opção do câmbio automático de seis marchas, a suspensão ganhou buchas mais macias e os pneus foram substituídos. Além dessas mudanças, os pacotes de equipamentos foram revistos. O Allure manual recebeu controlador e limitador de velocidade e sensores de estacionamento na traseira. O automático, além disso, ganhou rodas de 17 pol. E o 408 THP voltou a oferecer faróis de xenônio, item opcional que saíra do catálogo meses após o lançamento.

Próxima parte