Kia Sportage: um SUV em evolução a passos largos

 

O utilitário esporte sul-coreano traz boa relação custo-
benefício e apresenta grande diferença entre suas gerações

Texto: Luiz Fernando Wernz – Fotos: divulgação

 

No Guia de Compra do Kia Cerato falamos da atuação da Kia no Brasil desde a década de 1990, quando era focada nos utilitários. Mas não só a Besta teve sucesso em nosso mercado na época: o Kia Sportage de primeira geração vendeu bem naqueles tempos, tendo iniciado a importação em 1995 da Coreia do Sul e sustentado por alguns anos o título de utilitário esporte mais barato com motor a diesel.

Em 2003 o longevo utilitário já havia passado por algumas “plásticas”, tentando esconder sua real idade, e deixou de ser importado para o Brasil. Só foi substituído no início de 2005, quando a segunda geração do Sportage desembarcou aqui. Não havia mais a opção do motor a diesel, pois seria exigido por lei o uso de caixa de transferência (reduzida), que o novo modelo não tinha. O Sportage contava agora com um motor a gasolina de 2,0 litros e quatro válvulas por cilindro, de concepção moderna, que fornecia potência de 142 cv.

 

 
Apesar da evolução sobre o modelo original, o Sportage lançado em 2005
não impressionava pelo estilo; as versões LX e EX estavam disponíveis no Brasil

 

Tanto a versão de entrada, LX, quanto a de topo, EX, vinham com esse motor e podiam ter tração dianteira ou nas quatro rodas — esta acionada por meio de uma tecla no painel ou com ação automática de acordo com as condições do terreno, transferindo então 50% do torque para as rodas traseiras. O câmbio era manual de cinco marchas ou automático (com opção de trocas manuais sequenciais) de quatro marchas, com qualquer tipo de tração. O Sportage EX, no entanto, era o único que podia contar com um motor V6 de 2,7 litros e 175 cv, também com quatro válvulas por cilindro.

 

O desenho da carroceria tinha evoluído claramente com relação à primeira geração, mas ainda não impressionava pela modernidade

 

O LX já vinha com muitos equipamentos, como ar-condicionado, direção assistida, bolsa inflável para o motorista, controle elétrico dos vidros (com função um-toque apenas para descer o do motorista), travas e retrovisores, abertura do vidro traseiro independente da tampa do porta-malas, banco do motorista com ajuste de altura, banco traseiro bipartido e reclinável em cinco estágios, rodas de alumínio, volante com ajuste de altura e para-brisa com faixa degradê. Uma opção era o sistema de áudio com rádio/toca-CDs.

A versão EX adicionava freios com sistema antitravamento (ABS) e assistência em frenagem de emergência, bolsa inflável para o passageiro dianteiro, faróis de neblina, alarme antifurto, maçanetas e retrovisores na cor do veículo. Em ambas as versões o revestimento de couro nos bancos era opcional.

 

 
O interior não era luxuoso, mas no EX continha bons equipamentos de conforto;
essa versão podia vir com motor V6 de 2,7 litros como alternativa ao 2,0-litros

 

O desenho da carroceria tinha evoluído claramente com relação à primeira geração, mas não impressionava pela modernidade. Elementos como a posição muito baixa das lanternas traseiras, os para-lamas com corte reto e o desenho do para-choque dianteiro deixavam o Sportage pouco inspirado em estilo. Por dentro, o desenho do painel era sóbrio e mais atual que o do Hyundai Tucson, fabricado pelo mesmo grupo sobre igual plataforma.

Em outubro de 2008 era apresentado o modelo 2009 do Sportage com uma reforma visual. O carro recebeu novos faróis, grade, lanternas traseiras e para-choques, que trouxeram um aspecto mais jovial. Internamente, alguns itens foram redesenhados e havia opção de controlador de velocidade e ar-condicionado com controle automático. Na versão V6 o painel recebeu duas cores, bege na parte inferior e marrom na superior, para um ar mais refinado. As fotos deste artigo são de versões vendidas no exterior e podem conter diferenças para os carros vendidos no Brasil.

 

 

A terceira geração do Sportage aparecia por aqui em novembro de 2010. Todo novo, o utilitário esporte passava a imagem de se tratar de um veículo de categoria superior ao antigo, com destaque para o estilo inovador em seu segmento. Não havia mais a designação de versões por siglas, mas apenas por códigos de pacotes de equipamentos, como no Cerato. O básico (P.525) vinha com câmbio manual, bolsas infláveis frontais, encostos de cabeça ativos na frente, freios com ABS e distribuição eletrônica de força entre os eixos (EBD), ar-condicionado, rádio/CD/MP3 com controles no volante e rodas de alumínio de 16 pol. O mesmo pacote, acrescido de caixa automática de seis marchas com opção de trocas sequenciais, era o P.575.

O P.586 adicionava controle eletrônico de estabilidade, rodas de 18 pol, ar-condicionado automático de duas zonas, banco do motorista com ajustes elétricos, botão de partida do motor com reconhecimento da chave, computador de bordo, controlador de velocidade, câmera traseira para orientar manobras, retrovisor interno fotocrômico, revestimento interno em couro e luzes diurnas com leds. O pacote P.587 incluía teto solar panorâmico de controle elétrico, bolsas infláveis laterais e cortinas infláveis. Por fim, o pacote P.685 trazia os mesmos conteúdos do P.586, mas com tração integral.

 

 
Grade, faróis e lanternas retocavam o visual do Sportage em 2009; as duas versões
ofereciam câmbio manual ou automático e tração dianteira ou nas quatro rodas

 

Na nova geração não havia mais a opção de um motor V6, havendo apenas a opção do 2,0-litros 16V a gasolina com variador do tempo de abertura das válvulas e 166 cv, e a suspensão traseira adotava o conceito multibraço. Em fevereiro de 2012 o Sportage recebia motor flexível em combustível, passando a produzir 169 cv com gasolina e 178 cv com álcool, e novo câmbio manual de seis marchas. As rodas de 18 pol tornavam-se itens de série. Em junho do mesmo ano, a linha 2013 veio com conjunto multimídia com tela sensível ao toque e navegador por GPS integrado ao painel.

 

“Custo-benefício diferenciado”

A relação custo-benefício e a qualidade do acabamento são os principais pontos positivos apontados pelos donos do Kia Sportage da segunda geração (até 2010). Ainda não constam do Teste do Leitor opiniões dos donos da terceira geração, mas convidamos você a opinar caso tenha um.

Everaldo Men roda por Ibiporã, PR a bordo de um Sportage LX 4×2 2007 e opina: “Novo conceito de veículo SUV de custo-benefício diferenciado dos concorrentes. Câmbio automático sequencial (muito bom), dirigibilidade, conforto, banco traseiro reclinável. Espaço para bagagens, melhor acabamento interno que concorrente direto Tucson”.

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