Motociclistas iniciantes: oito dicas de segurança

Motite

Respeito ao medo e aos limites, “não” à prepotência e outras medidas para pilotar moto de forma mais segura

 

Se perguntarem a alguém o motivo de usar moto, ele dará várias justificativas, desde a agilidade no trânsito até o puro prazer e paixão. Mas se perguntar para qualquer pessoa por que não compra uma moto, a resposta geralmente é: porque tenho medo.

O medo é um sentimento totalmente natural que aparece diante do desconhecido. Em geral, quem abre mão de usar a moto como meio de transporte nunca pilotou uma ou teve uma primeira — e única — experiência desagradável. Aliás, o primeiro passo para ter uma moto é continuar sentindo medo, não de forma doentia, mas respeitosa. Porque o medo é a melhor arma do iniciante para se manter inteiro.

Veja abaixo algumas dicas para reduzir a sensação de insegurança e ser um motociclista mais sossegado.

1) Respeite o medo. Só existem dois tipos de motociclistas que se julgam destemidos: os mentirosos e os loucos. Todo ser vivo tem medo e precisa sentir, porque é o que preserva a espécie. O conhecimento é a melhor forma de controlar o medo. Quanto mais conhecer o veículo, sua dinâmica, os pontos fortes e fracos e as formas de se proteger, maior será a sensação de segurança. Resumindo, conheça o veículo e adquira as técnicas de pilotagem preventiva. Mas não espere encontrar isso nos CFCs (centro de formação de condutores): salvo raras exceções, a única coisa que se aprende em moto-escola é dar a partida e fazer dois ou três exercícios. Não se engata nem a segunda marcha.

 

Vigilância constante a tudo que se passa à volta: ponto de ônibus, saída de escola, ruas com muito comércio — e nunca, jamais, confie na preferência em cruzamentos

 

Uma moto grande e pesada pode ser má escolha para a cidade, sobretudo ao novato
Uma moto grande e pesada pode ser má escolha para a cidade, sobretudo ao novato

2) Saiba escolher a moto certa. Muitos motociclistas novatos passam por uma experiência ruim porque fizeram a escolha errada da moto. Ninguém nasce sabendo; portanto, ao começar a pilotar motos, é preciso estar ciente que algumas exigem mais empenho físico e técnico para conduzir. Antes de decidir pela moto, faça pesquisa, avalie as dimensões, procure experimentar algumas.

No caso da primeira moto, uma utilitária pequena de 125 a 160 cm³ resolve, assim como um scooter (saiba sobre as diferenças entre eles e as motos), mas uma moto na faixa de 250 cm³ tem vantagens em segurança (freios e suspensões melhores, pneus sem câmara) e conforto e não é tão mais pesada. O erro mais comum na escolha de uma moto é não definir o uso que fará. Isso leva a motociclistas insatisfeitos, porque compraram uma grande e pesada para enfrentar 20 km de congestionamento todos os dias. Ou aqueles que compram uma moto de uso misto e jamais rodarão por estradas de terra.

3) Respeite os limites. É comum o motociclista iniciante sentir o desejo de passear com grupos de amigos e participar de motoclubes, mas nem todos têm o mesmo nível de experiência. Tentar acompanhar um motociclista mais experiente pode ser um grande erro. Na verdade, quando um grupo tem consciência da presença de um novato, o ritmo deve respeitar os limites do mais novo — ou é melhor marcar um ponto de encontro e cada um vai no seu ritmo.

4) Pilote “antenado”. Hoje em dia o maior número de acidentes envolve motociclistas com menos de dois anos de experiência. É comum o novato tentar imitar o comportamento dos mais experientes, que rodam 150 a 200 km por dia. O conselho é manter a vigilância constante, com atenção a tudo que se passa à volta. Ponto de ônibus, saída de escola, ruas com muito comércio — e nunca, jamais, confie na preferência em cruzamentos. O brasileiro não tem o hábito de respeitar as placas de Pare, mas deveria.

 

 

5) Evite a prepotência. Os três fatores que levam ao acidente são: negligência, imprudência e imperícia. Mas existe a prepotência, que é a sensação de que nada de ruim pode acontecer com a pessoa. É mais comum na adolescência, mas algumas pessoas carregam essa característica para sempre, sobretudo homens. O melhor remédio para a prepotência é a humildade — fazer só aquilo que é capaz, a melhor postura para quem quer pilotar bem e por muitos anos. E quando não se sentir capaz, ainda existe a chance de se inscrever em cursos de pilotagem de qualidade que ajudarão a conhecer e respeitar os limites de cada um.

6) Mantenha a calma. Um dos conceitos mais equivocados com relação às motos é acreditar ser um veículo para quem tem pressa. Mentira: a moto é um veículo para quem não quer perder tempo. São conceitos muito diferentes que precisam ser entendidos (leia coluna). A pressa é querer ir mais rápido do que a condição permite. Quem usa moto não precisa correr, porque já está bem mais rápido do que o trânsito.

 

A maioria absoluta dos acidentes acontecia a até quatro minutos do ponto de partida ou de chegada do itinerário: a vigilância fica relaxada em locais familiares

 

Não precisa correr: em velocidade moderada você já está bem mais rápido que o trânsito
Não precisa correr: em velocidade moderada você já está bem mais rápido que o trânsito

Como exemplo, em São Paulo, cidade com seis milhões de veículos, a média de velocidade durante os horários de pico fica por volta de 12 km/h. Nas mesmas condições uma moto consegue rodar a 40 km/h sem correr riscos, mais que o dobro da média. Por isso o motociclista não precisa correr para ganhar tempo, porque ele já não perde tempo rodando normalmente.

7) Mecanicamente seguro. Cerca de 94% dos acidentes envolvendo motos são de responsabilidade humana, do motociclista, motorista ou pedestre. Ou seja, apenas uma parcela muito pequena é causada por problemas na pista ou de manutenção. Mas três itens da moto podem derrubar se a manutenção for esquecida: pneus (como são apenas dois, se um falhar ninguém segura), luzes (é importante ser visto) e relação de transmissão. Esta última merece atenção especial, porque uma corrente folgada pode escapar, travar o cubo da roda e causar uma queda, sem falar na possibilidade de arrebentar o eixo primário (onde é fixado o pinhão) e parte do bloco do motor.

8) Os quatro minutos. Nos anos 1960 um especialista inglês descobriu que a maioria absoluta dos acidentes de trânsito acontecia em um perímetro de quatro minutos do ponto de partida ou de chegada do itinerário. Isso acontece porque são locais familiares e a vigilância fica relaxada. Mas lembre-se: quando na moto, jamais baixe a guarda. Imagine que você tem uma antena parabólica na cabeça, capaz de captar qualquer ruído à sua volta. Só relaxe quando estiver com a moto estacionada no fim da jornada.

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Geraldo Tite Simões é jornalista e instrutor de pilotagem do curso Abtrans

A coluna expressa as opiniões do colunista e não as do Best Cars

Fotos: autor e divulgação