Chuva: os riscos para quem dirige e como contorná-los

Editorial

 

Mais comum no verão, ela traz dificuldades ao motorista que podem ser evitadas com cuidados ao volante e com o carro

 

As férias de verão estão chegando e, com a temporada mais quente do ano, vêm também as chuvas fortes e repentinas, que não raro pegam o motorista desprevenido. Para evitar riscos à segurança, vale relembrar alguns cuidados ao volante e com a manutenção do carro.

Os primeiros devem ser feitos antes mesmo de chover. Confira se as palhetas do limpador de para-brisa estão em bom estado, macias e sem cortes, e mantenha o reservatório do lavador abastecido. Colocar ali um pouco de detergente neutro é boa ideia, pois muitas vezes o vidro recebe partículas oleosas — como do diesel de caminhões — que impedem a boa limpeza pelas palhetas. Do lado interno do vidro, conserve-o limpo com papel-toalha molhado com produto limpa-vidros ou uma solução meio a meio de álcool e vinagre, o que reduz o embaçamento.

 

Pense em ver e ser visto: acenda os faróis baixos, se não pela própria visibilidade, para que seja seja notado pelos outros condutores e pedestres

 

Velocidade na chuvaVerifique se todas as lâmpadas do veículo estão em ordem, um cuidado que deve ser frequente, mas passa despercebido por muitos (é espantosa a quantidade de carros nas ruas com ao menos uma luz de freio queimada, por exemplo). Para essas lâmpadas, uma forma prática de teste para quem não tiver alguém para ajudar é frear o carro parado com a traseira próxima de uma parede: pelos retrovisores consegue-se perceber a falta de alguma delas. Não se esqueça da luz de neblina, caso seu automóvel tenha uma (ou um par).

Nas ruas, quando a chuva começar, pense em ver e ser visto. Quem não tem o bom hábito de acender os faróis baixos em rodovias deve fazê-lo ao menos quando chove, se não pela própria visibilidade, para que seja notado pelos outros condutores e pedestres, o que vale até para a cidade. A luz de neblina traseira é muito útil no caso de rodovias, pois sua alta potência (em geral 21 watts contra 5 watts das lâmpadas de posição, embora haja cada vez mais carros com leds para esta última função) facilita a visualização em meio ao borrifo de água atrás do carro. Não se esqueça de apagá-la quando a chuva passar, pois incomoda quem vem atrás.

Por mais conhecida que seja, a precaução merece ser repetida: nunca ligue as luzes de emergência (pisca-alerta) com o carro em movimento. Sua função é sinalizar veículos parados, como em caso de acidente ou quebra. Em condições de pouca visibilidade, como sob chuva intensa, o carro rodando com pisca-alerta pode ser interpretado como parado por quem vem atrás, levando a reações arriscadas de desvio ou frenagem.

Ainda pela visibilidade, direcione o ar-condicionado para o para-brisa mantendo aberta a entrada de ar externo, ou seja, recirculação desligada. Não é preciso ar frio: ajuste uma temperatura confortável, pois o importante é a emissão de ar seco para absorver a umidade da face interna do vidro e eliminar o embaçamento. Na falta de ar-condicionado, recorra à ventilação interna (nesse caso, aquecida é preferível) e abra uma fresta dos vidros laterais para renovação de ar.

 

 

“Pistas escorregadias”

É comum ouvir-se no rádio, tão logo começa a chover em algum ponto da cidade, que “as pistas estão escorregadias”. O risco não é tão grande quanto alguns fazem parecer — pergunte a quem já dirigiu na neve ou no gelo —, mas ainda assim requer cuidados. O asfalto fica, é claro, um pouco menos aderente quando molhado. Os momentos mais críticos são os primeiros minutos de chuva: toda a sujeira e a oleosidade sobre as ruas formam uma camada que, até ser “lavada”, pode prejudicar bastante a aderência dos pneus em situações como uma frenagem de emergência.

Para compensar esse prejuízo, reduza a velocidade (em geral, 20% abaixo do limite indicado é uma boa faixa) e aumente a distância mínima até o veículo à sua frente de dois segundos para três ou mesmo quatro, conforme a intensidade de chuva e as condições de visibilidade. Por que se fala em segundos para a distância? Porque é uma forma prática de medi-la no caso de carros em movimento: marque um ponto de referência da passagem do veículo à frente (poste, árvore, marco da rodovia, etc.) e conte devagar “mil e um, mil e dois, mil e três”: se você chegar ao mesmo ponto antes do fim da frase, reduza a velocidade para aumentar a distância.

 

O risco de usar pneus gastos ou se exceder na velocidade é a aquaplanagem: o pneu “esquia” sobre o filme de água e o carro perde contato com o solo

 

Em rodovia há outro risco, o da aquaplanagem. Cabe aos sulcos dos pneus escoar a água que eles encontram pela frente, um trabalho que pode chegar ao limite em caso de chuva excessiva, poças profundas, correntes de água (como as que deslizam de encostas, não raro com lama) ou pelo desgaste da banda de rodagem dos pneus, que vai diminuindo sua capacidade de drenagem. É por isso que eles não podem ser usados até ficarem “carecas”: a profundidade mínima de sulcos é de 1,6 mm pela legislação brasileira.

TWI pneuPara checar facilmente se esse nível de desgaste foi atingido, procure na lateral de cada pneu a marca TWI (treadwear indicator, indicador de desgaste da banda). Ela mostra os pontos da banda com um filete transversal mais alto (foto): quando os gomos se nivelarem a ele, substitua o pneu. Como medida de segurança, porém, é recomendável a troca com cerca de 3 mm de profundidade.

O risco de negligenciar esse cuidado ou de se exceder na velocidade em piso molhado é a aquaplanagem: o pneu “esquia” sobre o filme de água acumulado no piso e o carro perde contato com o solo. Se acontecer, evite frear ou esterçar a direção: o carro não reagirá e, quando a aderência for recuperada, a tentativa de manobra pode se tornar excessiva. Apenas deixe de acelerar e segure o volante enquanto a velocidade diminui. A mesma reação é válida no caso de “puxadas” da direção ao passar por poças fundas com apenas um lado.

A chuva traz outros riscos, mais comuns nas cidades: os de alagamentos e poças que escondem perigos como buracos, bueiros abertos e objetos soltos. Para contorná-los, leia o artigo sobre enchentes que publicamos este ano.

Em casos extremos, a chuva é tanta que não permite uma direção segura — e cada motorista tem seu limite de segurança — e a solução é parar e esperar que diminua. Vale lembrar que chuvas de verão costumam ser rápidas e localizadas: muitas vezes insistindo em velocidade moderada chega-se mais cedo a um lugar seco que permanecendo estacionado. Se optar por parar, só o faça em local seguro: em rodovias, o ideal é recorrer a postos de combustível ou outras áreas distantes do tráfego, para evitar o risco de ser atingido por outro veículo (evite também árvores, que tendem a atrair descargas elétricas). No evento de panes que impeçam a rodagem do carro, sinalize o melhor possível e retire dele os ocupantes: é desconfortável, mas pode salvar a vida em caso de colisão.

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