Se 2017 não foi um ano fácil, termina melhor que 2016

Editorial

O mercado enfrentou a crise e afinal viu uma retomada; lançamentos mais relevantes foram compactos e SUVs

 

Lá se vai mais um ano difícil para a indústria automobilística, para o brasileiro em geral e para o aficionado por automóveis em particular. Apesar dos desafios, 2017 foi para vários setores da economia um período de recuperação que deixa melhores perspectivas para 2018. Como habitual, dedico o último Editorial do ano para uma análise do que vimos acontecer no mercado de automóveis.

As vendas de veículos começaram mal, abaixo de 150 mil unidades/mês em janeiro e fevereiro, mas na metade do ano se solidificavam ao redor de 190 mil/mês e, de agosto em diante, superaram 200 mil/mês por três vezes (ainda sem dados de dezembro, claro). A projeção de 2,2 milhões de carros no mercado interno representa mais 9% sobre 2016. Não é muito, mas sinaliza a trajetória de crescimento.

 

O programa de incentivo Rota 2030 continuou emperrado depois de todo um ano de negociações: a indefinição de rumos continua a ser uma triste marca brasileira

 

Fabricação do Audi A3 no Paraná: indústria precisa da definição do Rota 2030
Fabricação do Audi A3 no Paraná: indústria precisa da definição do Rota 2030

As exportações foram destaque: para dar vazão à produção, a indústria conseguiu aumentar em 53% as vendas ao mercado externo no período janeiro-novembro entre 2016 e 2017, superando 700 mil veículos nos 11 meses citados deste ano. Com dezembro, o volume exportado constituirá um recorde histórico.

Esses crescimentos somados representaram boa reação para a indústria: a produção em 2017 deve fechar em 2,7 milhões de veículos, 25% a mais que no ano anterior.

Como nota negativa, o programa de incentivo Rota 2030 continua emperrado (até a sexta 22, pelo menos) por falta de consenso entre governo e indústria, depois de todo um ano de negociações. Parece que a indefinição de rumos e a procrastinação de decisões continua a ser uma triste marca brasileira, sobretudo quando envolve o Estado.

 

 

Aventura esteve em alta

Entre os lançamentos, duas categorias se destacaram: hatches pequenos e utilitários esporte — tanto em separado quanto no elo que as une, o dos hatches “aventureiros”. A Renault agitou o setor dos carros subcompactos com o Kwid, que trouxe preços ousados e bons atributos em eficiência e segurança. Entre os compactos, Fiat e Volkswagen renovaram sua oferta com o Argo e o Polo, que o Best Cars coloca frente a frente com outros adversários no último comparativo do ano. Como você verá, a aposta dos alemães em alta tecnologia foi mais acertada que a dos italianos, conservadora demais em termos técnicos.

De utilitários esporte compactos recebemos de início o Renault Captur, que começou mal com a superada caixa automática de quatro marchas, mas corrigiu a rota com a CVT. Houve a nacionalização do Nissan Kicks e importantes evoluções ao Ford Ecosport — comparamos os três em outubro. A classe dos médios, que parecia território garantido do Jeep Compass, ganhou bons adversários com o Chevrolet Equinox e o novo Peugeot 3008. Acima, Audi Q5 e Volvo XC60 mudaram de geração; em patamar ainda mais alto, o Land Rover Discovery.

 

A Renault agitou os subcompactos com o Kwid, que trouxe preços ousados e bons atributos em eficiência e segurança; Fiat e VW renovaram-se com Argo e Polo

 

Fiat Argo e VW Polo trouxeram renovação esperada ao segmento de hatches compactos
Fiat Argo e VW Polo trouxeram renovação esperada ao segmento de hatches compactos

Enquanto isso, a Honda aderiu aos hatches “aventureiros” com o WR-V, a Ford fez a versão Trail do Ka e a JAC trouxe ao mesmo segmento o T40, que será um de seus primeiros carros fabricados em Goiás. Outras categorias também viram lançamentos importantes, como Audi A5 Sportback, BMW Série 5, Mini Countryman, Nissan Frontier e Porsche Panamera. E a Ford, depois de tantos anos de espera, enfim anunciou preço e entregas do Mustang para o começo de 2018.

No mercado internacional, enquanto o motor a combustão se vê cada dia mais ameaçado por normas e restrições, alguns fabricantes deixaram de lado a discussão ambiental e botaram para acelerar. Em poucas semanas o Bugatti Chiron estabeleceu tempo recorde de 42 segundos para arrancar até 400 km/h e parar, foi superado pelo Koenigsegg Agera (36 s) e ambos ficaram para trás — ao menos na promessa — do Hennessey Venom F5, que anuncia desempenho incomparável entre os supercarros, mas ainda não o comprovou. Por outro lado, despedimos-nos do Dodge Viper.

Para o Best Cars, 2017 marcou 20 anos de plena atividade na internet com uma edição especial de aniversário, a adoção do equipamento de medição Race Capture Pro e a 20ª Eleição dos Melhores Carros, que terá os resultados divulgados em janeiro. Foi também o primeiro ano completo de nosso canal no Youtube, que encerra o período com 116 vídeos, 37 mil inscritos e mais de 3,7 milhões de visualizações — números de respeito para um canal tão recente.

Entre altos e baixos, acredito que a maioria de nós terminou 2017 um pouco melhor e com mais esperanças para o novo ano do que terminara 2016. Agora, resta a cada um correr atrás dos objetivos. Que 2018 seja um grande ano para você e para as pessoas que lhes são especiais. Até a volta!

P.S.: enquanto a equipe descansa para retornar em 8 de janeiro, separamos alguns conteúdos do ano que se destacaram em audiência e merecem sua releitura.

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