O que 2012 nos trouxe e o que ficou de fora

Foi um ano de vendas fortes e boas novidades no mercado,
mas algumas notícias restaram como expectativas para 2013

 

A duas semanas do encerrar de 2012, é inevitável aproveitar nosso último encontro este ano para relembrar o que esses 12 meses representaram para o mercado de automóveis e para quem, como nós, tem nesses veículos uma paixão.

Para a indústria, foi mais um período para comemorar. Estimuladas pela redução (isenção no caso da categoria de 1,0 litro) do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em boa parte do ano, com previsão de terminar neste dia 31 — se não for renovada mais uma vez —, as fábricas e importadoras devem colocar nas ruas 3,5 milhões de veículos, aumento de 4,5% sobre o volume alcançado em 2011.

Pelos dados mais recentes da consultoria JATO Dynamics, no acumulado até setembro o mercado brasileiro era o quarto maior do mundo, atrás de China, Estados Unidos e Japão e à frente de Alemanha, Índia e Rússia. A produção nacional tem perspectiva de ficar 2% abaixo da obtida no ano passado, sobretudo por causa das exportações cerca de 20% menores — atribuídas à crise europeia e às relações com o governo argentino.

Quem também fez festa, acredita-se, foi a organização do Salão do Automóvel de São Paulo: apesar da crescente insatisfação do público sobre o desconforto do Pavilhão de Exibições do Anhembi (veja debate a respeito na seção Interface), o volume de visitantes ficou próximo de 750 mil, como na edição anterior em 2010, e cada um pagou bem mais pelo ingresso que há dois anos. Precariedades à parte, nosso maior evento do setor tem crescido em importância, como mostrou a apresentação em primeira mão do utilitário esporte conceitual Volkswagen Taigun — São Paulo foi escolhido para sua estreia mundial, mesmo que ainda não haja definição sobre o carro ser ou não fabricado no Brasil.

Ainda em se tratando da indústria, foi boa notícia o lançamento do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores, o Inovar-Auto, com estímulos do governo para o desenvolvimento tecnológico da indústria e para a redução do consumo de combustíveis. Uma pena que as metas fixadas sejam modestas, como opinei no Editorial da edição nº 388.

 

Os entusiastas pela direção esportiva foram ouvidos por alguns fabricantes: chegaram o Citroën DS3, o novo Fusca, as versões turbo dos Peugeots 308 e 408 e do Renault Fluence

 

E para o consumidor, como foi o ano?

Positivo para a grande massa que comprou ou ainda quer comprar um carro pequeno, pois 2012 trouxe importantes lançamentos na categoria — Chevrolets Onix e Sonic, novo Citroën C3, Hyundai HB20, Toyota Etios, além do derivado Fiat Grand Siena — e renovações em modelos como Fiat Punto e Volkswagen Gol. Em segmentos pouco acima, novidades como Chevrolet Spin, Ford EcoSport e Peugeot 308 também foram boas notícias (umas melhores que outras, é verdade).

No segmento de luxo, o BMW Série 3 passou por ampla reformulação que tirou o motor de seis cilindros da versão intermediária, mas compensou a ausência com um ótimo turbo de 245 cv. A Toyota relançou a marca de prestígio Lexus e indicou o caminho para as compatriotas Honda e Nissan, que já anunciaram as futuras estreias da Acura e da Infiniti, na ordem. E o Ford Fusion apareceu redesenhado com estilo inspirado em Aston Martin e um pacote de equipamentos que parece imbatível pelo preço — ao lado do gostinho de vir ao Brasil antes mesmo que os europeus coloquem as mãos na versão de lá, o Mondeo.

Entre os utilitários, a Ford Ranger e os Chevrolets S10 e Blazer (agora Trailblazer) passaram por merecidas reformulações depois de mais de 15 anos sem alterações profundas. E os entusiastas pela direção esportiva foram ouvidos por alguns fabricantes: chegaram o Citroën DS3, o novo Volkswagen Fusca com um motor “quente” de 200 cv, as versões THP dos Peugeots 308 e 408 e a GT do Renault Fluence, todos com turbo, tendência que abordamos no Editorial anterior.

 

 

Reforma bem-sucedida

Para nosso Best Cars, 2012 marcou em 22 de outubro o aniversário de 15 anos, que representariam várias décadas se valesse para a internet — como alguns defendem — a mesma regra de multiplicação aplicada aos cães. Foi também o ano da mais profunda reformulação gráfica e funcional pela qual o site já passou, apresentada em julho. Mudança que dividiu opiniões, levando a diversas críticas pelos que consideravam o desenho anterior mais fácil de usar, mas com o tempo a novidade parece ter agradado à grande maioria.

Os volumes de acessos a páginas e de visitantes cresceram, mas o que mais chama atenção nas estatísticas são outros dois índices. O número de páginas por visita subiu cerca de 50% da média do primeiro semestre para o fim do ano, enquanto houve queda drástica do que se chama de taxa de rejeição — o percentual de visitantes de determinada página que deixa o site em vez de seguir a leitura por outro conteúdo. No primeiro semestre a média ficou em 55%, mas desde agosto se estabilizou em pouco mais de 10%.

O que isso significa: de cada 100 pessoas que chegam ao site (por meio de indicação no UOL ou resultado em buscador, por exemplo), hoje quase 90 continuam sua visita pelo acesso a outros conteúdos, contra apenas 45 pessoas que o faziam antes da reformulação. Para nós, essa é uma indicação clara de que a qualidade do site e sua maneira de ver o mundo do automóvel — com precisão nas informações, rigor com a escrita e paixão pelo assunto — ficaram mais perceptíveis a novos visitantes e àqueles que, mesmo tendo visitado antes o Best Cars, não tinham o hábito de frequentá-lo.

Em que 2012 poderia ter sido melhor?

 

Além do trânsito cada vez mais saturado em todo lugar, há uma questão de educação dos motoristas que não combina com o desenvolvimento que o Brasil pretende para si

 

Para o mercado, a renovação de produtos precisa acelerar ainda mais para compensar o tempo perdido, a década inteira que se passou com o envelhecimento dos automóveis, a infinita reciclagem de tecnologias e as perdas em conteúdo, acabamento e prazer em dirigir em nome da redução de custos. Passamos anos e anos assistindo ao mundo do carro avançar no exterior sem termos acesso aos mesmos progressos — ora porque as vendas andavam em baixa, ora porque o mercado só comprava carros de menor preço, ora porque o real estava valorizado, ora porque estava desvalorizado.

Hoje as vendas internas são expressivas, o câmbio está em relativa estabilidade e nosso mercado ganha relevância nos segmentos de luxo, a ponto de atrair marcas como a BMW para fabricação local. Mas as categorias de grande volume continuam muito dependentes de projetos antiquados ou de qualidade questionável, como apontou a última fase de testes de colisão do programa Latin NCap sobre a segurança de alguns carros pequenos. Não resta dúvida de que, em se tratando dos automóveis que a maioria de nós dirige, o caminho a percorrer ainda é muito grande.

Para o motorista em geral, há um quadro de problemas que precisa ser revertido — e para muitos deles não parece haver solução à vista. Várias pessoas com quem tenho conversado concordam que, além do trânsito cada vez mais saturado em todo lugar (faz tempo que isso deixou de ser exclusivo das grandes cidades), há uma questão de educação dos motoristas que não combina com o desenvolvimento que o Brasil pretende para si. Vemos atitudes no tráfego que já deveriam estar extintas e que, se não forem combatidas, tendem a agravar o problema da mortalidade viária no País. Mas as autoridades parecem satisfeitas em encher as ruas e rodovias de radares…

Que esses males fiquem no passado são nossas esperanças para 2013. E também que tenhamos muitos bons assuntos para debater aqui no Best Cars a cada dia do novo ano.

Boas festas e um ótimo 2013!

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