O Mercedes Classe C 2019 e o EQ Boost

Com pioneiro auxílio elétrico, automóvel arranca forte (de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos) e gasta menos

 

Mercedes-Benz renovou seu sedã Classe C. Sucesso de vendas, já marcou globalmente a entrega de 1,9 milhão de unidades. No Brasil lidera as vendas de seu segmento – contra BMW Série 3 e Audi A4 – e crava 51% das preferências. Mudanças finas, identificáveis pela nova frente, faróis em leds e grades para indicar versões. Traseira mudou as lanternas em formato, adoção de leds, e charme de desenho em forma de C.

Mantém a linha de ação adotada há quatro anos, com a chegada da atual geração: sinergia com a Classe S, a superior, de quem aproveita alguns adjutórios tecnológicos. No caso o equipamento digital para a instrumentação e o radar frontal para identificar o movimento do carro que segue à frente, num preparativo de frenagem autônoma caso o motorista não tome providências. Dentro, um brincar com materiais de decoração, entre cores e tipos para caracterizar modelos e versões. Cores no couro, madeira com poros largos, ajudam a identificá-los. E telas para funções diversas.

Na modelia mantém o C180 – motor de 1,6 litro – como entrada, evoluindo para C200 e o topo C300 com motor de 2,0 litros. Diferencial na nova linha é o C200 EQ Boost. Nome complicado, pois induz associá-lo aos motores Ford turbo (Ecoboost). Negócio confunde até funcionários da Mercedes, sem saber como o booster pode auxiliar na combustão, como o faz o turbo acionado pelos gases de escapamento. O negócio não funciona assim, mas por um alternador/motor.

Na primeira função provê energia. Na segunda, alimentado pela energia cinética, com bateria adicional de 48 volts, se transforma num motor elétrico forte, produzindo 14 cv e 16,3 m.kgf de torque. Por correia ligada ao virabrequim aplica força para se somar à produzida pelo motor. É outro pioneirismo, aplicado ao motor de 1,5 litro, 183 cv e 27,6 m.kgf de torque, que substituirá o 1,6 de polêmicos problemas. Com o sistema o automóvel arranca forte (de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos, velocidade máxima de 239 km/h) e gasta menos.

 

 

Preços: C180 Avantgarde, R$ 187.900; C180 Exclusive, R$ 188.900; C200 EQ Boost, R$ 228.900; C300 Sport, R$ 259.900.

Mercedes explica o inusual salto em preços – usualmente, na atualização da série, preços são mantidos sem correção -, argumentando fazer administração cuidadosa nos custos em variáveis Euros, para manter estoque vendável. Automóveis são montados em Iracemápolis, SP, e serão vendidos após o Salão do Automóvel, em novembro. Questão paralela, aguarda-se a aprovação da legislação regulamentadora do setor, o Rota 2030, atualmente em curso na minguante legislatura.

Diretor de concessionária comentou o salto desnecessário de preços ante as pequenas mudanças, e argumenta poderia vender mais se os preços fossem menores.

 

O Vietnã e o carro para chamar de seu

Vietnamitas poderão comprar, a partir de setembro do próximo ano, os modelos sedã Lux A 2.0 e Lux SA 2.0 (utilitário esporte), atrevidamente mostrados no Salão de Paris. Lux significa Luxury, luxo, indicando um dos diferenciais do produto. “A” indica ser a primeira série de modelos – como aliás o fez a Ford ao surgir em 1903. São da pioneira marca nacional Vinfast.

A sonoridade pode induzir imaginar seja um destes auxiliares digestivos tão em moda recentemente, um laxante à base de vinho, mas referencia o prefixo do maior conglomerado industrial do país, o Vingroup. Negócio sério: para driblar a ausência de cérebros nacionais, contratou parceiros para desenvolver projeto de fábrica, construção, motor, mecânica e linhas. Idem para geri-la, com executivos europeus treinados na matéria.

Seus parceiros são Bosch, BMW, Magna Steyr e Pininfarina, numa pretensão técnica e mercadológica de mostrar-se entrosada mundialmente. Magna Steyr, marca austríaca, constrói desde Cherokees a Mercedes G, e fornecerá a plataforma com um mix de materiais, agregando suspensões independentes nas 4 rodas, direção e freios. Motor recém projetado, 2,0 litros a gasolina, turbo, duas versões: 180 cv no sedã e 235 cv no SUV.

Slogan vai no caminho global: “Identidade vietnamita; design italiano; tecnologia alemã, padrão internacional”. Quer entrar em outros mercados com produtos em amplo leque, de variáveis da linha, a ônibus, caminhões e automóveis elétricos. Este, em projeto de produto e construção, contratado com a GM. Estilo por Giugiaro.

 

 

Ikea quer fazer vagões autônomos

Conhecida mundialmente por popularizar móveis e objetos com desenho escandinavo, a Ikea interpretou a liberdade para projetar veículos a partir do novo conceito de autonomia veicular. Sem necessidade de volante, comandos, bancos especiais, a Ikea releu o espaço interno como um lounge, olhar prático do fabricante de móveis e sofás.

A visão abre oportunidade de negócios para criações sobre chassis de marcas especializadas em veículos, como a Volvo, também sueca, e das mais avançadas no setor. A Ikea pensou inicialmente em sete conceitos virtuais, ante consciência do momento: “O potencial real dos carros autônomos não está em nossa capacidade de dirigir sem ter as mãos no volante, mas no que poderemos fazer ou experimentar dentro dos autônomos”, disse em comunicado. Vão desde café, para integrar a vizinhança, a fazenda, para venda de hortifrúti de pequenos produtores. Outro, uma sala de jogos enquanto o pequeno vagão autônomo viaja circuitos urbanos, sorveteria, consultório médico indo aos clientes.

Curioso – e não parece distante. Há um aplicativo, o Space10, permitindo usuários de celular experimentar os sete conceitos, mas o ponto de vista está em franca mudança. O automóvel perde o charme, o status, a emoção. É o que faz andar um sofá…

 

VW T-Cross em outubro

Volkswagen ajustou data para apresentar seu mais novo modelo, o aguardado T-Cross: 25 de outubro, afinada com China e Alemanha, onde o hatch, SUV ou crossover — pouco se dá o rigor ou o laceamento da classificação – também será produzido.

Basicamente o mesmo produto, entretanto adequado às peculiaridades dos clientes. A versão brasileira, por exemplo, terá acertos exclusivos por conta de seu público, mulheres de boa renda, viajadas, conhecedoras de confortos automobilísticos e preocupadas com itens capazes de garantir sua segurança e a impressão de. Na prática público diverso de chineses e europeus, com uso mais restrito do veículo e em menor degrau na escala social de renda.

Versão brasileira tem maior distância entre eixos – para assegurar mais conforto aos passageiros do banco traseiro -; teto solar panorâmico; sistema assistente que estaciona de frente, ré, e longitudinalmente; maior porta-malas; maior altura relativamente ao piso. Primeiro por necessidade em viagens rodoviárias e na aplicação dita cidade/praia/campo, e por conta das imperfeições de piso e demanda, maior distância livre do solo.

Na parte de segurança, 6 bolsas de ar, conjugação dos sistemas de ABS nos freios, do controle eletrônico de estabilidade e auxiliar para aumentar pressão no sistema e eficiência nos freios. O T-Cross pretende ser uma das atrações do Salão do Automóvel, em novembro. Vendas? Coluna aposta em março.

 

Peugeot terá, sim, picape e SUV

Informações não confirmadas; especulações; palavras impressas e ao vento; volta e meia tal teoria renasce — até a Coluna dedicou-se ao tema com as informações acessadas —, entretanto sem ter confirmação pela Peugeot ou sua holding, a PSA. Porém fez-se a luz no Mundial do Automóvel, o Salão de Paris, quando Jean-Philippe Imparato, CEO mundial da marca, confirmou projeto e andamento a jornalistas argentinos, como relatou o bom sítio Autoblog.ar.

O executivo francês não definiu o local de produção – Argentina ou Brasil -, nem a base a ser utilizada. Não será a novidadosa CMP para a próxima geração de produtos mercosulinos do segmento compacto, mas não informou ser algo primário como um chassi de longarinas em formato de escada. Disse existir o desenvolvimento de uma picape para ter amplitude global, e afastou a possibilidade de ser veículo com a leitura da Hoggar, picape pequena sobre o Peugeot 207, de fugaz – breve – presença, e olvidada – esquecida – lembrança. Nada a ver com o tosco e rústico picape Dongfeng (foto), produzido por sua associada do mesmo nome na China.

Apesar de não definir prazos, fez considerações interessantes: a picape estará baseada em qualidade, durabilidade, desenho e torque do motor, e ao lançamento apresentará nível de qualidade impecável. Não resistiu à tentação de garantir o futuro: “Será um êxito”. Situou-a como tendo um desenho ao gosto dos sul-americanos. E antecipou desdobramento: mesma plataforma comportará um SUV – como a Toyota faz com Hilux e SW4. Em porte, um concorrente para Chevrolet S10, Toyota Hilux, Mitsubishi L200 Triton Sport, VW Amarok, novos Nissan Frontier, Renault Alaskan e Mercedes Classe X. Mercado se pergunta se Ford Ranger sobreviverá à razia – limpa – feita pela marca em seus produtos.

 

Roda a Roda

Ocasião – Lançamento do novo VW T-Cross, a ser construído na fábrica de São José dos Pinhais, PR, sobre nova plataforma MQB, forçará mudança nos produtos Audi, também lá montados. Na prática o novo Q3 (foto) e, possivelmente, A4. Na beirada do balcão é presumível a venda das últimas unidades feitas sobre a plataforma atual, a preços simpáticos. Se interessado, fique de olho.

Também – Com o anúncio da Mercedes vendendo a linha do Classe C 18/19 a partir de novembro, a de 18/18, em estoque nos revendedores, será ouvinte atenta a propostas de descontos e facilidades.

Promessa – Em novembro de 2017 GM anunciou investir US$ 500 milhões na Argentina para fazer nova família de produtos, conhecida sob a abreviatura AVA – alto valor agregado. Na prática, acima do Cruze, lá feito. Presidente Macri anunciou vagamente eliminar impostos distorcidos – não os individualizou ou quantificou.

Prensa – Agora GM partiu para a objetividade: reuniu a imprensa e divulgou correspondência enviada ao Governo, comunicando decidir a inversão ante a eliminação dos citados impostos e da aprovação da Reforma Fiscal, a reforma tributária deles, ora em curso no Congresso.

Paralelo – Um programa da GM de demissões causadas pelo desidratar do mercado interno de lá e de cá serve de apoio às decisões.

Pressa – Picape Classe X ainda não começou a ser produzida e, obviamente, vendida. Porém árdegos – apressados, incontidos – concessionários Mercedes na Argentina já aceitam encomendas. Quatro versões de conteúdo, três motores: dois Nissans — 2,3 com um e dois turbos, 153 e 190 cv — e V6 Mercedes, 258 cv. Preço da segunda versão, com 190 cv, equivale ao mesmo carro vendido como Nissan Frontier, em versão superior. Parece, regra é: mais vale uma estrela pelada que um japonês enfeitado.

Aqui – Mercedes informou à rede concessionária, Classe X apenas em junho. Não aceitam pré-inscrição ou reserva, mas já há grupo de consórcio. Nele, preço estimado R$ 200 mil. Condição especial, prioridade na entrega.

Negócio – Peugeot divulgou, junto com lançamento dos novos 508 SW e Rifter no Salão de Paris, pacote de facilidades: compra on-line; recebimento do usado do comprador como entrada; financiamento; entrega do 0-km em endereço indicado pelo consumidor. O negócio automóvel está mudando em produto, relações, assistência, instalações do revendedor.

Política – Peneirada a primeira extração na depuração presidencial, dois candidatos vão para a seleção final. Nenhum dos dois se comprometeu com a indústria automobilística, mobilidade.

Como fica – Anfavea, associação dos fabricantes de veículos, está preocupada com o desdobramento dos planos ou falta deles, em especial quanto a tratamento tributário, promessas de maior abertura comercial, e o projeto Rota 2030 no Congresso, com parlamentares em seus últimos dias de Cinderela.

Mais uma – Kawasaki motos inaugurou concessionária Premium, em Curitiba. Quer diferenciar-se por contratar time de vendas e pós-vendas com larga experiência. É a 35ª loja da marca. Fica à Rua Gonçalves Dias, 195, bairro Batel.

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A coluna expressa as opiniões do colunista e não as do Best Cars