Buenos Aires: o salão do Salón

De Carro por Aí - Nasser

Evento argentino tem lançamentos brasileiros, picapes em parceria e marcas que não estão por aqui

 

Salón del Automóvil em Buenos Aires encerrar-se-á no domingo 20. Festa na cidade, intensa divulgação, automóveis têm profunda ligação com os argentinos, apesar de o pioneirismo na importação no Continente ter sido pelo Brasil. Está na 8ª edição, 2ª série, vem crescendo. Neste ano, quatro galpões, pista de testes construída no picadeiro equino, 30 mil m² de área. Está na La Rural, particular sociedade de estancieiros, melhor área para exposições.

DS7 01Apesar da proximidade e semelhanças, Argentina tem sistema industrial diferente, com menores barreiras artificiais para importação; sem utilizar álcool como aditivo à gasolina; sem exigências de adequação; mercado conta com maior quantidade de marcas e tipos, incluindo chineses. Alfa Romeo, por exemplo, nunca parou de comercializar no vizinho. Aqui as necessidades de calibração, homologação, o dimensionamento continental impedem a retomada. Outras marcas lá presentes e não vendidas no Brasil são os produtos ingleses Caterham — desenvolvimento do Lotus 7 — e a marca Lotus, hoje controlada pela chinesa Geely, dona da Volvo. Retorna ao mercado por importador representante.

Chery exibiu Tiggo 2 e Arrizo 5, já conhecidos no Salão em edição paulista. Lá, como cá, promete lançamentos em poucos meses. Citroën exibiu produtos novos, importados, como o C4 Cactus e o E-Mehari, seu antigo jipe/picape renascido e elétrico. DS, nova marca PSA em rótulo premium, com modelos 3 e 4, além do 7 Crossback (foto acima), antecipado na recente posse de Emmanuel Macron, o presidente francês. Aqui DS deu um tempo, mas voltará com postura e rede própria. Peugeot prometeu vender breve novos 3008 e 5008 e expôs produtos marcantes de sua história no país, os modelos 403, 404 e 504.

Honda Civic Type RHonda exibiu esportivo NSX, segunda edição, sem chances de vir ao Brasil. Na primeira atribui-se a Ayrton Senna a linha filosófica. Sob análise, Civic Type R (foto) e SI, este com maior possibilidade de retomada de importações. Novidade maior da VW foi o Golf R, sem chances de vinda a nosso mercado, e na parte prática a picape Amarok com motor V6. Será, até o surgimento da picape Mercedes com motor de igual disposição, a mais potente – e cara – da categoria.

Junto havia o SUV Atlas, 7 lugares, e o novo Tiguan. Geely, chinesa saída do Brasil, apresentou SUV X7 com preço equivalente a R$ 78 mil e R$ 100 mil. Atração maior furou expectativas. Acima de Ferrari e Maserati, Pagani Zonta Revolución, mantido em Miami na coleção do bilionário argentino Pérez-Companq, marcou mas não foi, barrado pela alfândega dos EUA.

 

 

O Brasil e o Salón

Em visão prática mostra portenha equivale a pequeno Salão brasileiro, realizado em palco vizinho, nos anos ímpares, ocasião para apresentar novidades ao nosso mercado. Conclusão clara pelos lançamentos nacionais feitos fora de casa: Renault Kwid e Ford Ecosport. Categoria especial, Chevolet Equinox, importado do México para ambos os países; Fiat Argo aqui lançado há dias; e as picapes Renault e Mercedes, baseadas na Nissan Frontier, as três a serem produzidas na Argentina a partir de 2018; VW Amarok com motor V6 3,0, mais potente ao sul do continente, já à venda na Argentina. Aqui, terceiro trimestre.

Dos trinta lançamentos entre modelos e versões, interessam-nos diretamente:

KwidRenault Kwid – Degrau de entrada da Renault para tornar-se marca de utilitários esporte. Embora o Kwid seja hatch, será visto pelo público na ampla e pouco definidora categoria de “jipinhos”. Categoria é a nova queridinha da indústria automobilística. Brasileiro, feito no Paraná, três versões: Life; Zen; Intense.

Desde a primeira, quatro bolsas infláveis, ancoragens Isofix para cadeirinhas de criança no banco traseiro, indicador de troca de marchas. Zen é progressão: direção elétrica, ar-condicionado, vidros e travas elétricas. Intense é a mais agradável, acrescentando rodas leves, chave canivete, câmera de ré e tela com navegador. O motor 1,0 SCE 3-cilindros andou em marcha a ré: potência anterior, 79/82 cv, e torque de 10,2/10,5 m.kgf foram reduzidos pela supressão de variação do tempo de abertura das válvulas para 66/70 cv e 9,4/9,8 m.kgf. Aparentemente visa cliente a quem preço tem maior peso ante estilo. Vendas em agosto.

Ford Ecosport – Frustrou quem esperava ampla reformulação para habilitá-lo a galgar posição e vendas perdidas. O Eco foi líder no segmento e a Ford dormiu sobre os lucros, deixando-o defasado ante a agora enorme concorrência. Perdeu liderança, posições no mercado, escreve balanços com tinta vermelha. Trato frontal para lembrar o Edge, segundo degrau nesta escala, melhores materiais no interior, novidade de tela saltando do painel, motor menor, 1,5 litro, 3-cilindros, 137 cv, e 2,0 litros, 175 cv, 4-cilindros.

Ford Ecosport 01Para agradar comprador do Mercosul mantém estepe externo, e o trato geral foi definido para o norte-americano, onde entrará como o primeiro Ford na categoria. Em tal postura tomou cuidados: trocou a transmissão. Em lugar do sistema com duas embreagens, problemático, objeto de ações de indenização por sete mil clientes nos EUA, aplicou uma automática de seis marchas. No Brasil vendas em agosto.

Chevrolet Equinox – Imaginado como substituto do Captiva, sobre plataforma do Cruze, chegará com motor 2,0 turbo, 262 cv, transmissão automática de nove marchas, tração total. Quer ficar acima da dezena de crossovers no segmento, concorrer com Honda CR-V e Toyota RAV-4.

 

Picapes, outro mundo

Fabricantes transformaram Argentina em capital sul-americana das picapes. Lá 11% das vendas são do tipo, aqui 5%, e país produz Toyota Hilux, Ford Ranger, VW Amarok. Renault cedeu espaço na pioneira planta em Santa Isabel para a Nissan produzi-las. Marca japonesa iniciará processo novidadoso: uma linha de produção, três marcas — Nissan, Renault e Mercedes-Benz, duas últimas estreando no negócio.

Base é a picape NP300, no Brasil tratada como Frontier, fornecendo a base mecânica, chassi e grupo motopropulsor às marcas em aliança. Nissan e Renault devem tê-lo com pequenas mudanças estéticas. Mercedes dará trato interno e externo para caracterizá-la como a única picape premium no mercado. Inicialmente motor comum, Nissan, diesel, 4-cilindros, 2,3 litros, dois turbos, 190 cv. Na Mercedes, a médio prazo crê-se opção V6, também diesel, 3,0, 262 cv, para ser mais potente na categoria. No Salón exibiu dois protótipos. Vendas 2018.

 

Roda a Roda

Em casa – Família de Maurício Macri, presidente argentino, tem nova representação chinesa. Além da Chery, a DFSK, de pequenos utilitários, joint venture entre a poderosa DongFeng, sócia da PSA, e Sokon Motor. Apesar da tradição do grupo, ex-fabricante de Peugeots e Chevrolets na Argentina, o representar da marca será importar e assistir, sem produzir.

Futuro – Para fomentar vendas de veículos ecológicos, governo argentino reduziu impostos: 6.000 unidades, por três anos. Híbridos pagarão 5%; elétricos e por célula de combustível, 2%. Se montados no país estarão isentos.

Argensino – Durante 40 anos fabricando motocicletas, argentina Zanella fará caminhões pequenos, com tecnologia e partes chinesas. Será o ZTruck.

De volta – Daniel Buteler, argentino, e no Brasil ex-GM, ex-vice diretor comercial da Mercedes e ex-presidente da Audi, volta ao negócio. Lidera representação da Lotus.

Na mosca – Renault informou preços do seu Kwid, de R$ 30 mil a R$ 40 mil. Empresa abriu lista de interessados nos revendedores: R$ 1.000, entrega em agosto. Se compra envolver financiamento da marca, extensão da garantia a 5 anos. Vai comprar? Vá na versão superior.

Fórmula – Marca aposta no reduzido peso, apenas 800 kg, para obter resultado dinâmico e de consumo com 66 cv e 9,4 m.kgf de torque – os menores do mercado. Disposição de automóvel se mede pelo número de quilos a ser deslocado por cada cavalo. No caso pouco mais de 11 kg/cv. Com itens de segurança o Kwid pesa menos ante o antigo Uno sem eles. Novos materiais e 80% de peças diferem do modelo indiano, barrado no teste de impacto do EuroNCAP. Renault mudou até câmbio para reduzir peso.

Além – Aparentemente o ectoplasma do Colin Chapman, 1928-1982, criador dos Lotus e da prática da máxima redução de peso, colaborou no projeto…

Corte – HPE, produtora dos Mitsubishis no Brasil, bisou corte de 60 empregados em sua usina em Catalão, GO. Queda geral nas vendas reduziu produção exigiu adequação de pessoal e gastos. Operação é 100% brasileira, bancada pelos sócios, sem matriz para socorrer. Demissões geram problema na cidade goiana, de economia assentada em mineração e agropecuária. A HPE, motivo de orgulho local, era a melhor empregadora, e em Catalão postos com tal especialização são restritos.

Método – Para se fazer presente num mercado com participação das grandes marcas mundiais, YPF, argentina, implantou o Conte com YPF, linha direta a profissionais da lubrificação. Rápido e sem custos, tira dúvidas na hora: 0800.70.30.990, WhatsApp (11) 971 885.773 ou e-mail contecomypf@ypf.com.

Contraponto – Tomara funcione. Quando se demandam informações em outro fabricante de óleos, a Castrol, sem resposta.

Cuore – Neste final de semana, Encontro Alfa Romeo em Caxambu, MG. Mais de centena de veículos inscritos, dos sólidos caminhões aos fluidos Spyder. Reunião de camaradagem. Slogan Alfa é Cuore Sportivo. Nada a ver com a grade triangular, mas com o inerente espirito performático.

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A coluna expressa as opiniões do colunista e não as do Best Cars

Fotos: Fabrício Samahá (Civic: divulgação)