Araxá, a grande festa do automóvel antigo

De Carro por Aí - Nasser

Quase 300 veículos dispostos, com núcleo de destacada qualidade e raridade, e a reunião de 38 Ferraris

 

O Brazil Classics Renault Show, realizado em Araxá, MG, no recente feriado de 7 de setembro manteve o adequado rótulo de mais elegante dos encontros de veículos antigos no País. Foi grande o esforço para viabilizá-lo e exigiu capacidade de improvisar, resolver, reinventar-se. Superou dificuldades, obstáculos, e foi evento marcante, referencial.

Packard 1931: Best of the Show
Packard 1931: Best of the Show

Questão é: neste país sem projeto, uma greve de caminhoneiros, de origem e comando desconhecidos, sem pai, mãe ou responsáveis, parou o Brasil, pôs a administração em letargia e trouxe prejuízos sem indenização. Um deles, fez abortar a realização do Encontro, antes marcado, com estrutura instalada, bancas de comércio montadas, veículos em trânsito. Em meio aos problemas gerados pelo adiar, muitas composições com fornecedores, com o hotel sede, o êxito do evento ficou ameaçado, mas a administração tocada pelo Instituto Veteran Car, de Belo Horizonte, superou as dificuldades e apresentou soluções.

Como foi
Patrocinadora, a Renault foi compreensiva – manteve e aumentou o aporte para compensar o incremento de custos com a desmontagem da estrutura sem uso e a montagem de outra, três meses após. Colecionadores com a cabeça no lugar entenderam a razão institucional, mantendo inscrições e presença.

Na prática, quase 300 veículos dispostos, nele avultando núcleo de destacada qualidade e raridade, e o deslumbramento da reunião de 38 Ferraris, incluindo dois modelos de séries especiais, os F40 e F50. Núcleo de colecionadores se amplia. Neste ano o Museu de Carmo do Paranaíba, MG, do colecionador mineiro Rúbio Fernal, a coleção privada do empresário paulista José Luiz Gandini, e o novo foco da coleção de Leo Steinbruch, antes dedicada exclusivamente a nacionais.

Fernal exibiu raro e aqui desconhecido Fiat com projeto de estiistas da Zagato, insolitamente construído pela Riva, famosa fábrica de lanchas durante estreito período ao início dos anos 50. Gandini, dedicado aos Cadillacs dos anos 50, amplia o leque a veículos mais erados, como o imponente Packard 1931 em carroceria Roadster, conversível. Levou o transitório Prêmio Roberto Lee como Best of the Show. Steinbruch expôs Ford T de 1909 – apresentado erroneamente como 1908 -, e Mercedes-Benz 300 SL, o Asa de Gaivota.

 

 

Item e abertura de caminho importante, o Alfa BR, grupo internético de aficionados de Alfa Romeo, montou barraca, instou presença da marca, criou premiação específica. Um caminho para outros clubes de marca, criar subeventos sob o guarda-chuva da festa principal. Outro ponto de relevo foi manter a tradição de promover leilão. Neste ano demandas superaram o teto de 70 ofertas estabelecido pela empresa de leilões, ampliadas a 83. Vendas foram 29, arrecadando R$ 3,5 milhões. Estrela do evento, Alfa Spyder 2000 do ex-ator Otelo Zeloni.

Homenagem, o evento criou troféu transitório, o Og Pozolli, para distinguir o melhor automóvel dentre os não restaurados. No caso, indicado foi Cadillac 1927, modelo 314 Coupé, de Aparecido Guadain. Oportuno pelo relevo do evento, mas não é pioneirismo. O Carro do Brasil, encontro criado em Brasília para festejar os produtos nacionais, criou tal láurea em 2001. Chamou-o Pátina do Tempo, e o distribui aos eventos que buscam auxílio e orientação ao Museu Nacional do Automóvel.

O insólito e sua divulgação instigaram o Pebble Beach Concours d’Élegance, em Monterey, California, tido como o mais refinado da especialidade, a copiar a láurea e, a partir daí, a Federação Internacional de Carros de Coleção, a FIVA, a instituir o prêmio. Registro histórico se faz presente para manter não apenas a verdade, o pioneirismo brasileiro e a importância do conceito expresso pelo Museu Nacional do Automóvel, seu criador: historicamente mais vale a pátina do tempo sobre a construção original que os brilhos e reflexos pós-restauração, décadas distante dos métodos e partes empregados à época.

Patrocínio da Renault, comemorando 120 anos do início de sua história e 20 anos de atividade industrial no Brasil, incluiu exposição de unidades, protótipos, réplica da Voiturette, a primeira unidade construída pela família. Também, palestra por Alain Tissier, ex-vice-presidente da empresa e oráculo para as coisas do e no Brasil.

 

Og ad aeternum

São raras as coleções de veículos antigos a permanecer unas, unificadas, concentradas, após a partida de seu criador. Atividade solitária, exige dedicação, interesse e também, como diz o Curador do Museu Nacional do Automóvel, 3 Ts – Tempo, Tesão e Talão. Sem tal envolvimento e meios, coleções não subsistem, são vendidas aos blocos ou em unidades, se desfazem.

Modelo do projeto do Museu de dona Lia
Modelo do projeto do Museu de dona Lia

Desde novembro do ano passado, quando passou Og Pozolli, um dos implantadores do antigomobilismo no Brasil, a espada da dúvida voltou a ser lembrada, e o receio da disseminação, sempre manifestada por ele, escaldado pelas vazias promessas municipais e estaduais de aquisição.

Quem do ramo foi ao Brazil Classics encontrou aleia de honra com cinco estelares unidades da coleção Og, capitaneada por exemplar de Moon, um Touring dos anos 1920, acreditado como do então Presidente Washington Luiz e único no mundo. Conversinhas, teses, teoria dizia da aquisição pelo poderoso Bradesco, num projeto de expor que, além da atividade selvagemente argentária – milionária, rica, capitaneada pelos ganhos de dinheiro -, faria efeito demonstração de dedicação cultural.

Verdade surgiu na noite de sábado, durante a premiação: a coleção fora adquirida pela Fundação Lia Maria Aguiar, mantida por filha do criador do banco, mas sem ligações operacionais com o estabelecimento. Projeto útil, dedica-se à formação artística de jovens, e a ampliará com a construção de um museu e a formação de cursos para ensinar dados e segredos dos reparos e manutenção de automóveis antigos, um exercício de talento a cada dia mais empobrecido com o desaparecimento dos profissionais antigos. O Museu será construído em Campos do Jordão, SP, com a promessa de operação em dois anos.

A coleção do Og estará unida e preservada.

 

 

Roda a Roda

Pesquisa – FCA nos Estados Unidos aplicou US$ 30 milhões no campo de provas recebido à Chrysler em Chelsea, perto de Detroit, Michigan. Quer adaptá-lo a testes de direção autônoma; sistemas avançados de assistência ao motorista. Aqui empresa continuará usando ruas e estradas como pista de testes.

Lanchas LexusLuxo – Veículo mais luxuoso da Toyota não é sua família automobilística Lexus, mas os iates com esta marca. Projetados em conjunto com a divisão marítima da casa, seu produto de topo, o Lexus LY 650 é iate de luxo com 65 pés – uns 20 metros. Dois motores Lexus de corrida, a gasolina, e 885 cv de potência final.

Negócio – Toyota está em barcos há 20 anos utilizando o nome Ponan. Por isto, o que parece uma aventura merece crédito, neste período em que fabricantes de automóveis se aventuram em outros modais.

Variedade – Aston Martin e Bugatti têm colaborado com outros produtores de lanchas e barcos; Honda fabrica jato; Mercedes-Benz tem acordo com a Cigarette Racing promovendo os modelos AMG. Toyota não fará os novos LY 650, contratando o estaleiro Marquis-Larson Boat Group. Primeira unidade daqui a um ano.

Al mare – Estaleiro catarinense Triton Yachts levará ao São Paulo Boat Show – SP, 27/9 a 2/10 – duas novas embarcações. Uma, a 460 Fly, 46 pés, 14 m de comprimento, expõe as últimas tendências europeias; três suítes, com a máster ocupando toda a parte central. Motorização sugerida, dois motores diesel, entre 330 e 400 cv cada. Quanto? Circa R$ 1,7 milhão.

Mais – Há novidade tipo esportiva, a 350 HT, com espaço para 12 pessoas durante o dia e 4 para pernoite. Menor, outra proposta, outro preço: R$ 510 mil. Motorização diesel, 2x 250 a 350 cv.

Mais – Japonesa Sumitomo impulsiona sua marca Dunlop no Brasil. Aplica R$ 640 milhões para aumentar capacidade industrial de pneus de passeio e carga. Fábrica não está em Campinas, endereço da Dunlop original, mas beiradas de Curitiba, PR.

Quem é – Petronas, empresa malaia, mais conhecida como co-patrocinadora da equipe Mercedes-Benz na Fórmula 1, está no Brasil em Contagem, município industrial lindeiro a Belo Horizonte. Ocupa as instalações da antiga Tutela, a fábrica de óleos e lubrificantes da Fiat e da estatal Agip.

Melhor – Investiu R$ 20 milhões no atualizar laboratórios em Centro de Excelência em Pesquisa e Tecnologia na América Latina. Deve manter o pioneirismo: primeira a fazer óleos lubrificantes semissintéticos no país – e responsável pela quebra da nunca entendida barreira limitando os lubrificantes nacionais à classificação SD.

Questão – Crescimento de produção e vendas da indústria automobilística se dissociam da noção de estagnação da economia. Números a ser fechados ao final do ano devem indicar otimismo. Até agora mercado cresceu 15%. Seria melhor sem a greve dos caminhoneiros, vitrine de nossa fragilidade e da inabilidade da cúpula do poder em gerir o problema.

II – Os números não deverão mentir. Somente em 2023 produção e vendas repetirão os cravados em 2013. Na prática a atrapalhada gestão (sic) da presidenta que se dizia formada em economia, atrasou o país por 10 anos. E querem levá-la ao Senado…

Situação – Boletim automobilístico Auto Data perguntou aos seis candidatos melhor colocados na disputa para a Presidência da República, quais os planos de cada um para a indústria automobilística. Ao ver do atento leitor/eleitor, qual o percentual de respostas? Zero, acredite. Ninguém se manifestou.

O quê – Desinteresse, desconhecimento? Vicente Alessi, filho, editor, tem visão pragmática: o fim das doações para campanhas, as regras de compliance, o receio de multas ou prisão reduziram a capacidade de entendimento.

Programa – Gostas de veículos? Tecnologia? Programa a ser considerado: dia 18, às 9h30, Audi transmitirá o evento The Charge, cuja estrela maior será o modelo E-Tron, seu primeiro totalmente elétrico. Meios diversos: Audi MediaTV (www.audiamedia.tv), em alemão e inglês, incluindo link para compartilhar a transmissão em outros sites; Smart TV, usando o aplicativo Audi Media TV; via satélite, em chinês e inglês; na página do Facebook de Audi AG e no canal do Youtube Audi Media TV; website: www.e-tron.audi.

Gente – Cláudio Rawics, comunicólogo, ex-Fiat, mudança. Deixou a área de propaganda da Renault e foi-se à Audi. Nova diretoria na empresa, administrando publicidade, marketing e comunicação. / Gustavo Perini, 33, engenheiro na DAF – fábrica de caminhões – aplauso. Ganhou o Prêmio Jovem Engenheiro da SAE, grêmio de engenheiros automobilísticos. Láurea reconhece seus estudos estruturais nos caminhões para reduzir tempo de testes de rodagem.

Coluna anterior

A coluna expressa as opiniões do colunista e não as do Best Cars