Löeb e Schumacher: a hora do adeus

WRC e Fórmula 1 em despedidas: Sebastien Löeb e
Michael Schumacher anunciam o fim de suas carreiras

 

Nas últimas semanas, dois dos principais nomes do automobilismo mundial anunciaram suas aposentadorias. Sebastien Löeb e Michael Schumacher declararam que a hora do adeus chegou, que estão deixando as categorias que dominaram por tanto tempo e estão pendurando os respectivos capacetes.

Recordistas em número de títulos, vitórias, pódios, pontos e tudo mais o que há para mensurar a qualidade dos pilotos em suas categorias, Löeb e Schumacher construíram carreiras que dispensam discussões sobre suas credenciais. Neste momento, porém, pouca coisa há em comum nas situações de cada um além, é claro, da percepção de que a hora do adeus chegou.

Se um dos dois pilotos escolheu a dedo o momento de se despedir das pistas, o outro perdeu um momento de ouro para deixá-las — e, ao voltar, ainda tentou se manter na categoria se candidatando a outras vagas pelo grid. Mas é evidente que ambos marcaram história nas respectivas categorias.

O francês Sebastien Löeb tomou o Campeonato Mundial de Rali (WRC) de assalto num nível de dominação nunca visto antes, nem na categoria, nem em qualquer outra do esporte a motor mundial. São nove títulos consecutivos em 10 temporadas completas disputadas. Na única que não venceu, dividia as atenções com Colin McRae e Carlos Sainz — e era o menos cotado dos três pilotos da equipe, num momento em que as equipes podiam manter três carros em disputa.

 

O francês não pretende mais disputar o WRC de forma integral, deixando de fazer longas viagens que implicam ficar longe de sua família por tanto tempo, mas segue disputando alguns eventos pela Citroën no próximo ano

 

Löeb preferiu fazer o anúncio de seu adeus por cima, sem que fosse superado por um concorrente. Assim, anunciou a despedida em grande estilo no início da realização do Salão do Automóvel de Paris, durante a exposição dos planos futuros da Citroën. A marca francesa garantiu que segue no WRC pelos próximos anos e, em paralelo, amplia seu leque de atividades para o Mundial de Carros de Turismo (WTCC), que vive momento de expansão.

O francês declarou que não pretende mais disputar o WRC de forma integral, deixando de fazer longas viagens que implicam ficar longe de sua família por tanto tempo. Ainda assim, Löeb — que garantiu seu nono título consecutivo no último fim de semana, “no quintal de casa” — segue em atividade em período semi-integral, disputando alguns eventos selecionados e defendendo a equipe oficial da Citroën no próximo ano.

A temporada reduzida — de quatro a seis eventos, de 13 que integram o calendário — inclui, certamente, o Rali de Monte Carlo, um dos favoritos do francês — e um de seus feudos, tendo vencido seis de oito edições de que participou. E ralis como o da Alsácia-França e o da Alemanha devem fazer parte do calendário do francês, que pretende dividir suas atenções com outras atividades, como estar mais com a família e os testes de desenvolvimento do carro da Citroën para a disputa do WTCC.

O alemão

Michael Schumacher também dispensa apresentações: os sete títulos mundiais e mais de 90 vitórias já falam sobre a carreira do sujeito. O alemão havia deixado as pistas em 2006, depois de uma disputa eletrizante pelo título daquela temporada com Fernando Alonso, encerrando a carreira de forma brilhante. Depois de três anos, resolveu que ainda tinha gasolina no tanque e voltou, mas nos últimos três anos de carreira — desde sua volta em 2010, defendendo a Mercedes — nem de longe esteve próximo do brilhantismo que havia demonstrado.

Claro, ninguém tem nada com suas convicções. Quem gosta que as histórias terminem com um final feliz são roteiristas e escritores — e os românticos em geral. Aqui, o que vale é a satisfação pessoal, nesse caso obtida com a volta às pistas. E não há como negar que ele esteve feliz durante essa volta ao ambiente que já dominou, apesar dos resultados mais modestos.

Schumacher tentou prolongar sua estada na categoria, mas o fato é que um nome como o dele talvez ficasse restrito numa equipe média ou pequena da categoria. E, mais uma vez, ninguém tem nada a ver com suas convicções. Se ele ainda estava motivado — e parecia estar —, ótimo, seria bem-vindo. Até mesmo porque parecia ainda ter algo para dar, como mostrou ao chegar ao pódio em Valência e ao fazer o melhor tempo na classificação em Mônaco. Se ainda estava longe do nível de seu companheiro de equipe Nico Rosberg, ainda parecia ter fôlego para se manter na categoria. E, claro, na questão de marketing a vinda de Schumacher significou um ganho muito maior do que se houvesse um novato junto com Nico Rosberg na equipe.

A chegada de Lewis Hamilton significa o fim da linha para o alemão, pelo menos na Mercedes. Também parece claro que poucas portas estavam disponíveis para tê-lo em suas fileiras na próxima temporada, mas isso não significa que a passagem pela categoria foi em vão — pelo contrário.

Convém aproveitar os últimos momentos desses monstros sagrados da história do automobilismo mundial. Até porque não será fácil ver outros pilotos com a mesma capacidade deles tão cedo.

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