Ford Ka: 10 chances para o “promovido” Titanium

Sedã de entrada da marca recebe certo requinte e um moderno motor para 2019, mas carece de acertos

Texto e fotos: Fabrício Samahá

 

Você já viu carro ser promovido? Às vezes isso acontece, como acabamos de ver com o Ford Ka. O carro que nasceu como modelo de entrada da marca, e assim se manteve por três gerações, ganha melhorias técnicas e novas opções de conforto na linha 2019 para assumir uma posição superior, bem próxima à do Fiesta. Ele agora oferece transmissão automática, novo motor de 1,5 litro e três cilindros e a versão de luxo Titanium. Foi nessa opção, com preço sugerido de R$ 71 mil, que o Best Cars colocou o Ka Sedan na avaliação 10 Chances para saber suas chances de merecer sua garagem.

Estilo
Embora o Ka hatch tenha um desenho agradável, o sedã nunca foi tão feliz nesse aspecto. A traseira alongada tem um estilo pouco inspirado e parece destoar da cabine alta. O modelo 2019 teve pequenas mudanças, como grade dianteira e para-choques. 0,5 ponto

 

 

Acabamento e conveniência
Mesmo com os bancos de couro do Titanium, a origem modesta do Ka fica evidente no acabamento simples, com plásticos rígidos, até mesmo no apoio de braço da porta, e algumas falhas de montagem. O porta-luvas é sua própria tampa, que despenca ao ser aberta.

 

 

A versão traz bom número de conveniências, como alarme volumétrico, alerta específico de qual porta está mal fechada, câmera traseira de manobras, comandos de voz para áudio e telefone, controlador de velocidade, duas tomadas USB, limpador de para-brisa com intervalo ajustável e sensores de estacionamento atrás, além de bom espaço para objetos. E a Ford afinal colocou ajuste elétrico de retrovisores, prometido há quatro anos. A nova central de áudio tem tela de 6,5 polegadas e integração a Android Auto e Apple Car Play. Não traz navegador integrado.

Para sua categoria, faltam itens como ar-condicionado automático, faixa degradê no para-brisa, função um-toque no controle elétrico de vidros dos passageiros, luz na parte traseira da cabine, alças de teto e volante com couro. E não entendemos por que usar chave presencial para partida do motor, mas não para acesso à cabine. 0,5 ponto

 

Inédita versão Titanium traz algum requinte ao Ka Sedan ao preço de R$ 71 mil com caixa automática; rodas são de 15 pol; faróis simples podem melhorar

 

Posto do motorista
O banco do Ka acomoda bem, mas poderia oferecer mais apoios laterais e lombar. O volante só tem ajuste em altura, não em distância. O quadro de instrumentos, bem simples, inclui computador de bordo. Os faróis são limitados, de refletor único, mas existem os de neblina e repetidores laterais das luzes de direção. Faltam luzes diurnas. A visibilidade poderia ser melhor: as colunas dianteiras são um tanto largas. 0,5 ponto

 

Seu desempenho com o motor de três cilindros ficou bom, com respostas ágeis desde baixa rotação, mas está próximo aos de City e Yaris, bem menos potentes

 

Espaço
As acomodações do Ka são modestas, abaixo do que oferecem concorrentes como Nissan Versa, Toyota Etios e Volkswagen Virtus. Ele tem bom espaço para cabeça na frente, mas atrás é só regular, assim como para as pernas, e a cabine é estreita demais para cinco pessoas. O passageiro central ainda sofre com o encosto. 0,5 ponto

Porta-malas
A capacidade de bagagem de 445 litros é razoável, mas perde para quase toda a concorrência. Ponto alto está nas articulações pantográficas da tampa, quase extintas da produção nacional, que não roubam espaço nem amassam a bagagem ao fechar. Por outro lado, o acabamento da tampa parece o de um carro de metade do preço. O estepe faz economia ao usar pneu 14, diferente dos outros 15, e falta divisão ao banco traseiro. 0,5 ponto

 

Interior ganhou bancos de couro e central de áudio Sync 3; posição do motorista e espaço traseiro poderiam ser melhores; porta-malas acomoda 445 litros

 

Desempenho
O motor é uma das grandes novidades do Ka. O três-cilindros é o mesmo do Ecosport, com recursos como variação de tempo de abertura das 12 válvulas, bloco de alumínio e correia dentada em banho de óleo para longa vida útil. Sua potência impressiona: 136 cv com álcool, próxima à dos 1,8-litro de Honda e Toyota. O nível de ruído e vibrações é ótimo, bem acima da média da classe, mesmo quando levado ao limite de 6.500 rpm.

 

 

Seu desempenho ficou bom, com respostas ágeis desde baixa rotação, ajudadas pelo acelerador que abre muito a borboleta em uso parcial. Ele acelerou de 0 a 100 km/h em 11,3 segundos e teve boas retomadas, mas ficou próximo de Honda City e Toyota Yaris, bem menos potentes. Também nova é a caixa automática de seis marchas, opção inédita no Ka. Ela opera bem, salvo por alguns solavancos. Mudanças manuais podem ser feitas apenas por um botão na alavanca, longe de ser a melhor solução. Em modo manual, reduções são feitas ao pisar rápido no acelerador, mas podem ser evitadas com uma pressão gradual. Como no Ecosport, a caixa “empurra” o carro com força excessiva quando parado, consequência de um conversor de torque “preso” com o fim de reduzir o consumo. 1 ponto

 

Instrumentos simples; central com tela de 6,5 pol e integração a celular; câmera traseira; controlador de velocidade; botão de partida; sete bolsas infláveis; vidro um-toque só para motorista; falta ar-condicionado automático

 

Consumo
O Ka automático é mediano em consumo: ficou pouco atrás de City e Yaris nos trajetos urbanos e foi melhor que o Toyota no rodoviário, embora todos percam para o Virtus TSI. 0,5 ponto

Comportamento dinâmico
Se você procura um pequeno sedã com estabilidade de esportivo, esse é o carro certo. Como habitual nos Fords, o Ka está sempre nas mãos do motorista, faz curvas muito bem e não recorre facilmente ao controle eletrônico de estabilidade, como deve ser. No entanto, diferente do Fiesta, ele transmite muito as pequenas irregularidades do piso. A direção também pode melhorar: às vezes é mais firme em movimento do que se gostaria. Os freios parecem fracos em uso moderado, mas dão conta do recado. 0,5 ponto

Segurança passiva
É dos melhores o pacote de segurança passiva do Ka Titanium: bolsas infláveis frontais, laterais dianteiras e de cortina, cintos de três pontos e encostos de cabeça para todos, fixação Isofix para cadeira infantil. 1 ponto

 

Comportamento em curvas é destaque do Ka; novo motor gira macio e tem bom desempenho sem impressionar; caixa permite trocas manuais só por botão

 

Custo-benefício
O Ka Titanium, que vem de série com caixa automática e não oferece opcionais, custa R$ 71 mil. Parece muito para um carro que começa em menos de R$ 50 mil, mas cabe considerar os muitos itens de conforto e segurança. Como ele está diante dos concorrentes?

O Hyundai HB20S Premium usa motor de 1,6 litro com até 128 cv e sai por R$ 72.290 com bancos de couro. Tem algumas conveniências que faltam ao Ka, mas não controle de estabilidade nem cortinas infláveis. Na Fiat, o Cronos mais próximo é o Precision de 1,75 litro e 139 cv, por R$ 70 mil, que vem com controle de estabilidade. Com bolsas laterais e câmera traseira, ele chega a R$ 73.280 ainda com bancos de tecido. Portanto, em relação custo-benefício o Ka Titanium está bem situado na categoria. O que a Ford precisa é fazer alguns acertos, sobretudo de acabamento, para que essa versão honre o nome dos carros superiores da marca. 0,5 ponto

 

 

Mais Avaliações

 

Equipamentos e preços

Ka Titanium – Alarme volumétrico, ar-condicionado, assistente de saída em rampa, banco do motorista e volante com ajuste em altura, bancos de couro, bolsas infláveis laterais dianteiras e cortinas, câmera traseira de manobras, central de áudio Sync 3 com tela de 6,5 pol e integração a Android Auto/Apple Car Play, chave presencial para partida, computador de bordo, controlador de velocidade, controle elétrico de vidros, travas e retrovisores, controle eletrônico de estabilidade e tração, faróis de neblina, fixação Isofix para cadeira infantil, rodas de alumínio de 15 pol, sensores de estacionamento na traseira.

• Preço sem opcionais: R$ 70.990

• Preço como avaliado: R$ 70.990

• Preço completo: R$ 72.340

• Garantia – Três anos sem limite de quilometragem.

Preços sugeridos em nov/18

 

Desempenho e consumo

Aceleração
0 a 100 km/h 11,3 s
0 a 120 km/h 16,5 s
0 a 400 m 17,9 s
Retomada*
60 a 100 km/h 7,1 s
60 a 120 km/h 12,3 s
80 a 120 km/h 8,7 s
Consumo
Trajeto leve em cidade 13,8 km/l
Trajeto exigente em cidade 7,0 km/l
Trajeto em rodovia 13,3 km/l
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Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 3 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo
Diâmetro e curso 84 x 90 mm
Cilindrada 1.497 cm³
Taxa de compressão 12:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 128/136 cv a 6.500 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 15,6/16,1 m.kgf a 4.750 rpm
Transmissão
Tipo de caixa e marchas automática, 6
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a tambor
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência elétrica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira eixo de torção, mola helicoidal
Rodas
Dimensões 6 x 15 pol
Pneus 185/60 R 15
Dimensões
Comprimento 4,275 m
Largura 1,774 m
Altura 1,525 m
Entre-eixos 2,49 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 52 l
Compartimento de bagagem 445 l
Peso em ordem de marcha 1.135 kg
Desempenho e consumo (gas./álc.)
Velocidade máxima ND
Aceleração de 0 a 100 km/h ND/11,2 s
Consumo em cidade 11,1/7,4 km/l
Consumo em rodovia 13,2/9,4 km/l
Dados do fabricante; consumo conforme padrões do Inmetro; ND = não disponível