Um Mês ao Volante: o líder Toyota Corolla em teste

Versão XEi de R$ 106 mil revela conforto e segurança, mas consumo inicial deixa a desejar perante Honda Civic

Texto e fotos: Felipe Hoffmann

 

Depois de alguns meses do Honda Civic EXL, Um Mês ao Volante avalia seu principal concorrente: Toyota Corolla XEi, também com motor de 2,0 litros e transmissão automática de variação contínua (CVT). Será que as qualidades técnicas e sensações ao dirigir justificam sua liderança do segmento durante tantos anos?

A versão, intermediária entre a de entrada GLi (que usa motor de 1,8 litro) e as superiores XRS e Altis, tem preço sugerido de R$ 106 mil em pacote fechado de equipamentos, que inclui ar-condicionado automático, bancos com revestimento em padrão couro, câmera traseira de manobras, chave presencial para acesso e partida do motor, faróis automáticos, rodas de alumínio de 17 pol, sete bolsas infláveis (frontais, laterais, de cortina e de joelho para o motorista) e sistema de áudio com tela de 7 pol, DVD, navegação e TV digital. A única opção é de pintura especial, que custa R$ 1.750 no caso do branco perolizado. O motor tem potência de 143 cv e torque de 19,4 m.kgf com gasolina e 154 cv/20,7 m.kgf com álcool.

 

Versão XEi custa R$ 106 mil e vem bem-equipada em conforto e segurança, com sete bolsas infláveis e controle de estabilidade; motor produz até 154 cv

 

O que explica o êxito do Corolla? Muitos compradores alegam que a robustez mecânica e a falta de complicações são os motivos principais da compra de carros da marca. Não se trata de escolha emocional, por fatores como desempenho ou sensação mais esportiva: a Toyota adota um aspecto mais conservador, embasado ainda na boa qualidade da assistência técnica e do valor de revenda. Diante do dispêndio financeiro que a compra de um carro novo representa no Brasil, não deixam de ser fortes argumentos.

 

 

A Toyota deve ter notado que consumidores mais conservadores também prezam a segurança —apesar de ter demorado um certo tempo para perceber isso —, pelo que adotou de série controle eletrônico de estabilidade e tração, o conjunto completo de bolsas infláveis e até ancoramento superior central da cadeira infantil, que permite o transporte dos pequenos no ponto mais seguro do veículo. Afinal, por mais rigorosos que sejam os testes de colisão, eles usam velocidades e massas padronizadas. No mundo real, caso do impacto de um caminhão ou ônibus na lateral do carro, quanto mais longe o ocupante estiver da lateral, maiores serão as chances de escapar com vida.

Pelo lado da ergonomia o Corolla agrada, mas com ressalvas. Os bancos com revestimento perfurado ajudam no clima tropical, além de oferecerem bom apoio. O espaço interno é bom para a categoria, salvo para quem tem grande estatura, como o autor da matéria (1,88 metro). O volante, que possui regulagem de altura e distância, poderia se movimentar mais em direção ao banco: caso se acerte a distância para as pernas, o volante fica longe, exigindo que se estique todo o braço ao passar a mão por cima. Mas o que realmente incomoda é o freio de estacionamento. A alavanca fica em posição na qual a perna do motorista alto fica apoiada, em vez de encostar no console central. Parece que foi estudada para pegar de cheio um dos tendões… Acaba por deixar a região da perna dolorida. Dá saudades do acionamento elétrico do Civic.

 

Interior de bom acabamento tem espaço adequado no banco traseiro; chave presencial e câmera traseira com linhas dinâmicas fazem parte do conteúdo

 

No banco traseiro os ocupantes encontram bom espaço para as pernas e um assoalho praticamente plano. A ressalva outra vez é para quem tem grande estatura: ao se sentar num dos cantos, a cabeça fica apoiada na lateral do teto, que se estreita muito na traseira — decisão em favor do estilo e da aerodinâmica. O grande problema disso é numa situação de impacto, na qual o ocupante pode torcer o pescoço antes que o corpo se apoie na porta. Pessoas de estatura menor não correm esse risco.

 

Em favor da segurança, a Toyota adotou de série controle de estabilidade, sete bolsas infláveis e até ancoramento superior central da cadeira infantil

 

Já na primeira semana de teste, entregamos o Corolla ao colaborador Edison Velloni, o famoso dono do Civic 1999. Também proprietário de um Toyota Camry V6 1998 impecável, Edison elogiou o XEi: “Gosto mais do desenho do Corolla do que o extravagante do Civic novo”. Aprovou a ergonomia, sem ter problemas com o freio de estacionamento e o volante, e achou a central de áudio fácil no uso do rádio. Também citou que o Corolla passa a impressão de ser mais leve, tanto pela agilidade quanto pelo acerto de suspensão e direção: “Sinto o carro mais ágil que o Civic ao toque do acelerador. É também firme para curvas e mudança de direção”.

Comparado ao Civic, realmente o Corolla não mostra tanta suavidade ao passar por irregularidades, mas parece “balançar” menos em grandes trabalhos da suspensão, como ao  transpor lombadas. Seu acelerador mais abrupto, que com qualquer movimento faz o motor produzir torque e a CVT “reduzir marcha”, ajuda na sensação de carro mais ágil e leve, mas tende a penalizar o consumo no mundo real. Nos testes-padrão de consumo, tanto faz quão progressivo é o pedal, pois o condutor do teste segue velocidades e acelerações padronizadas, mas no dia a dia o acelerador agressivo faz o carro acelerar mais, com mais rotação no caso de um automático, e afeta o consumo em comparação a um carro mais progressivo.

 

Painel registro histórico de consumo e há fixação superior central para cadeira infantil; posição da cabeça atrás e alavanca de freio são problemas aos mais altos

 

No total da semana, rodamos 348 quilômetros em cidade com média de consumo de 10,6 km/l. De acordo com a Toyota o carro foi abastecido com gasolina, mas o consumo bem pior que no Civic nos trajetos costumeiros nos deixa desconfiados de haver grande parcela de álcool no tanque (embora o odor do combustível seja típico de gasolina), até porque na homologação pelos padrões do Inmetro os carros têm resultados parecidos.

No uso diário pelas marginais Tietê e Pinheiros, em São Paulo, SP, o Civic fez médias ao redor de 15,5 km/l, chegando a 17,9 km/l num dia de pouco trânsito. Já o Corolla está na casa de 13,4 km/l com melhor de 14,9 km/l (melhor marca média da semana). A pior média foi de apenas 6,5 km/l no uso por Edison em 57 km de trânsito pesado com média de 17 km/h. Como referência o Civic fez 9,7 km/l nas mãos do colaborador. Nas próximas semanas, após abastecer só com gasolina e depois mudar para álcool, tiraremos mais conclusões. Também teremos trechos de rodovia e análises técnicas das soluções empregadas pela Toyota.

Mais Avaliações

 

Primeira semana

Distância percorrida 348 km
Distância em cidade 348 km
Distância em rodovia
Consumo médio geral 10,6 km/l
Consumo médio em cidade 10,6 km/l
Consumo médio em rodovia
Melhor média 14,9 km/l
Pior média 6,5 km/l
Dados do computador de bordo com gasolina

 

Preços

Sem opcionais R$ 105.990
Como avaliado R$ 105.990
Completo R$ 107.740
Preços sugeridos em 19/7/18

 

Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo
Diâmetro e curso 80,5 x 97,6 mm
Cilindrada 1.986 cm³
Taxa de compressão 12:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 143 cv a 5.600 rpm/ 154 cv a 5.800 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 19,4 m.kgf a 4.000 rpm/ 20,3 m.kgf a 4.800 rpm
Transmissão
Tipo de caixa e marchas automática de variação contínua, emulação de 7 marchas
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a disco
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência elétrica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira eixo de torção, mola helicoidal
Rodas
Dimensões 17 pol
Pneus 215/50 R 17
Dimensões
Comprimento 4,62 m
Largura 1,775 m
Altura 1,485 m
Entre-eixos 2,70 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 60 l
Compartimento de bagagem 470 l
Peso em ordem de marcha 1.345 kg
Desempenho e consumo (gas./álc.)
Velocidade máxima ND
Aceleração de 0 a 100 km/h ND
Consumo em cidade 10,6/7,2 km/l
Consumo em rodovia 12,6/8,8 km/l
Dados do fabricante; ND = não disponível; consumo conforme padrões do Inmetro