RS 2020: na pista com o Renault Sandero esportivo

Menos alterado que os Sanderos comuns, o RS mantém desempenho e esportividade que andam raros no mercado

Texto: Fabrício Samahá – Avaliação: Felipe Hoffmann – Fotos: divulgação

 

A Renault convidou a Imprensa ao autódromo Velo Città, em Mogi Guaçu, no interior de São Paulo, para explorar em condições apropriadas o Sandero RS. Com alterações de estilo na linha 2020, o único produto nacional da grife Renault Sport continua um dos mais ousados hatches da fabricação brasileira, em um segmento que está quase extinto. A Peugeot oferece o 208 GT em faixa de preço bem mais alta, enquanto o Fiat Argo HGT hoje só vem com transmissão automática.

Com preço sugerido de R$ 69.690, o RS 2020 ganhou a reforma de traseira de toda a linha Sandero, com extensão das lanternas pela tampa para lembrar o Mégane francês, e novas rodas de 17 polegadas com face externa usinada, de belo efeito visual, mas que ressaltam o pequeno diâmetro dos discos de freio. Curiosamente a Renault não mexeu na parte dianteira: ele mantém o para-choque exclusivo que sempre teve, as luzes diurnas de leds e os faróis do anterior, que não seguem as novas peças da linha. Estão mais discretas as faixas laterais, que antes lembravam uma bandeira quadriculada.

O defletor de teto agora vem em preto. O item produz força descendente, o que faz sentido mesmo em um carro de tração dianteira quando se trata de alta velocidade. Afinal, hatches pequenos e médios perdem em média 200 kg no eixo traseiro a 200 km/h pela sustentação aerodinâmica. Os sensores de estacionamento, afinal, recebem a cor do para-choque para não parecer improvisados.

 

Belas rodas de 17 pol, faixas laterais e traseira com novas lanternas são o pouco que mudou no Sandero RS 2020; o motor de 2,0 litros continua com 150 cv

 

O interior é o mesmo, salvo pela central de áudio com tela capacitiva e integração a celular por Android Auto e Apple Car Play, adotada há alguns meses, e detalhes como os comandos na porta do motorista para os vidros traseiros. Preserva o ar esportivo com volante de aro espesso e apoios laterais pronunciados nos bancos dianteiros, que usam tecido com cor diferente na parte superior e trazem a sigla da versão nos encostos de cabeça. Agora há três encostos e cintos de três pontos no banco traseiro. A Renault bem poderia ter adotado um quadro de instrumentos diferenciado, mas o fator custos parece ter pesado.

 

 

Aberto o capô, erguido por uma sofisticada mola a gás, o RS exibe o mesmo motor de 2,0 litros e aspiração natural usado desde 2015. A unidade cedida por Duster e Captur tem projeto antigo — basicamente o mesmo da Scénic 2001 —, mas fornece bons índices de potência e torque: 150 cv e 20,9 m.kgf com álcool para um peso de 1.161 kg. Ele se combina a uma caixa manual de seis marchas com escalonamento fechado.

Foi possível dar três voltas pelo Velo Città com o RS, que confirmou as boas impressões do modelo anterior em nossas avaliações. O motor empurra bem e pode ser mantido com os giros lá em cima a cada troca de marcha, sobretudo nas intermediárias, mais usadas em circuito. O comando de transmissão poderia melhorar em maciez e precisão. Bom recurso é a marcha à ré sincronizada.

 

Frente segue inalterada, ao contrário dos demais Sanderos; no Velo Città, o RS mostrou grande estabilidade e desempenho com ajuda das marchas próximas

 

Nas curvas velozes, os bancos de tecido com grande apoio lateral são perfeitos para manter o corpo no lugar. O acerto de suspensão é tipicamente esportivo, com pouca rolagem e amortecedores que controlam bem os movimentos, e não falta aderência aos pneus 205/45 R 17. Acionado o programa Sport, por breve toque no botão RS, o controle eletrônico de estabilidade torna-se mais permissivo e admite um uso empolgado. Uma pressão prolongada sobre o botão aciona o Sport+, que desativa tal controle e deixa a trajetória ao gosto do motorista. No entanto, mesmo forçando, é difícil fazer a traseira sair para melhor inserção em curvas — hatches não esportivos como Honda Fit e Volkswagen Polo permitem mais.

 

 

O Sandero RS, como se vê, tem pouco a anunciar de novo para 2020. A melhor notícia talvez seja o simples fato de continuar a ser produzido no Brasil, país que prestigia tão pouco os hatches esportivos oferecidos aos montes em outros mercados.

Mais Avaliações

 

Nova central de áudio, com integração a celular e tela capacitiva, e comandos de vidros traseiros na porta do motorista estão entre as poucas novidades internas

 

Preço e equipamentos

Sandero RS (R$ 69.690) – Ar-condicionado automático, assistente de partida em rampa, câmera traseira de manobras, central de áudio com tela de 7 pol e integração a celular por Android Auto e Apple Car Play, controlador e limitador de velocidade, controle eletrônico de estabilidade e tração, rodas de alumínio de 17 pol.

 

Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo
Diâmetro e curso 82,7 x 93 mm
Cilindrada 1.998 cm³
Taxa de compressão 11,2:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 145/150 cv a 5.750 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 20,2/20,9 m.kgf a 4.000 rpm
Transmissão
Tipo de caixa e marchas manual, 6
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a disco
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência eletro-hidráulica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira eixo de torção, mola helicoidal
Rodas
Dimensões 17 pol
Pneus 205/45 R 17
Dimensões
Comprimento 4,068 m
Largura 1,733 m
Altura 1,499 m
Entre-eixos 2,59 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 50 l
Compartimento de bagagem 320 l
Peso em ordem de marcha 1.161 kg
Desempenho e consumo (gas./álc.)
Velocidade máxima 200/202 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 8,4/8,0 s
Consumo em cidade 9,9/6,9 km/l
Consumo em rodovia 11,1/7,7 km/l
Dados do fabricante; consumo conforme padrões do Inmetro