Renault Sandero CVT vai bem, mas não precisava subir

Transmissão é a melhor entre poucas novidades; acerto de suspensão saiu perdendo com mais 40 mm de altura

Texto: Kleber Nogueira – Fotos: autor e divulgação

 

A leve reforma de estilo dos Renaults Sandero e Logan talvez tenha sido o segredo industrial mais mal guardado do meio automobilístico no último ano. Faz tempo que as patentes do novo desenho das lanternas traseiras do hatch vazaram na internet, assim como as informações sobre a oferta de transmissão automática de variação contínua (CVT), no lugar da caixa manual automatizada Easy’R, e de uma versão “aventureira” do sedã. Provavelmente por isso, o evento de lançamento teve uma sensação de nada ser novo.

 

 

Do ponto de vista da estratégia de mercado, ficou claro que o Logan foi deixado para trás. Toda a energia da narrativa, o investimento em marketing e mesmo o dinheiro gasto na reforma ficaram concentrados no Sandero, carro mais importante da marca no País. De uma hora de apresentação, ao Logan sobraram cinco minutos de discurso ao final, mostrando apenas a suspensão elevada nas versões CVT. Logo ele, que foi o precursor de todo o movimento global de carros de baixo custo e de alta percepção de benefício.

Em linhas gerais, quando falamos do estilo, o resultado final agradou muito no Sandero. Em fotos parecem um pouco desproporcionais, mas ao vivo a nova tampa traseira com extensões (funcionais) das lanternas caiu bem. As luzes dianteiras e traseiras trazem o que chamam de “assinatura”, efeitos que simulam fios visuais por meio de leds. Na frente houve ainda retoque no desenho do para-choque. No sedã a traseira segue rigorosamente igual — perdeu-se a oportunidade de uma mudança de baixo custo na tampa, com a placa de licença nela, como no Symbol de alguns mercados.

 

Lanternas traseiras têm leds e agradam mais ao vivo que em fotos; central de áudio evoluiu; caixa CVT simula seis marchas ao acelerar mais e em modo manual

 

A nova gama de versões segue o padrão de Kwid e Captur, com os nomes Life, Zen e Intense em ordem ascendente. Logan e Stepway oferecem ainda a topo de linha Iconic com itens inéditos nos modelos. Todas as dotadas de CVT saem com 40 mm a mais de altura de rodagem, que se iguala à do Stepway, até mesmo o Logan. Isso mesmo: não será possível adquirir um Sandero ou Logan com transmissão automática que tenha vocação para andar no asfalto puro e simples. Além da altura majorada, o cliente ganha rodas de 16 pol com pneus 205/55 (para asfalto) e molduras plásticas nos para-lamas.

 

Merece destaque a nova dotação de segurança: a linha tem de série bolsas infláveis laterais dianteiras, fixação Isofix e reforços estruturais na carroceria

 

O esportivo Sandero RS recebe novas rodas e pinças de freio vermelhas, mas não muda em faróis — permanece com luzes diurnas no para-choque. O Stepway, insistentemente chamado de SUV pela marca, ganha ainda mais independência no catálogo, agregando adereços de gosto algo exagerado. Além disso, o tradicional pacote rodas/calotas e o revestimento dos bancos também foram mexidos. A versão Intense, por exemplo, usa um bonito tecido escuro mesclando náilon e couro sintético em pequenas porções. O painel de instrumentos é o mesmo, com boas e más soluções, como o botão do controlador de velocidade em local não muito adequado.

A central de áudio Media Nav, com tela de 7 pol, traz evoluções aplicadas meses atrás: integração a celular por Android Auto e Apple Car Play, tela capacitiva para maior precisão do toque e processamento mais rápido. Algumas boas correções foram feitas, como os acionadores dos vidros traseiros, que (viva!) migraram do painel para a porta do motorista, e o comando do ajuste do volante (apenas em altura), que parece mais domesticado e suave. A tampa traseira ganhou botão de abertura, camuflado no logotipo, e a chave enfim é dobrável como um canivete. Temos um novo volante, mais bonito e com comandos nos raios, associados ao bom controle satélite para áudio.

 

Como o Sandero, todo Logan com transmissão CVT recebe a suspensão elevada e rodas de 16 pol; bancos de couro da versão Iconic são inéditos no sedã

 

Merece destaque a nova dotação de equipamentos de segurança: a linha passa a oferecer de série bolsas infláveis laterais dianteiras, fixação Isofix para cadeira infantil, cintos de três pontos e encostos de cabeça para todos e reforços estruturais na carroceria, o que, segundo a Engenharia da marca, engordou os carros em 14 kg. Como ocorria com as versões automatizadas, as CVTs contam com controle eletrônico de estabilidade e tração e assistente de saída em rampa.

 

 

Na mecânica, fora a nova opção de transmissão e a suspensão elevada, nada de novidades. Continuam os motores de 1,0 1,6 e 2,0 litros (este restrito ao Sandero RS), assim como os anacrônicos tanquinhos de gasolina para partida a frio. O sistema automático de parada e partida agora vem apenas com caixa manual. Mais uma vez perdemos a oportunidade de ver uma direção mais suave: permanece a assistência eletro-hidráulica, pesada em manobras e com itens adicionais para manutenção e eventuais problemas, que fica para trás em comparação a outros modelos — até mesmo o Kwid da mesma marca. A transmissão manual já tinha passado por melhorias na ocasião da renovação dos motores, na linha 2017.

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Ao lado de conveniências, a linha ganhou bolsas infláveis laterais e outros itens de segurança; à direita, a traseira do Symbol, o Logan de alguns mercados

 

Versões, preços e equipamentos

Logan Life 1,0 manual (R$ 50.490), Sandero Life 1,0 manual (R$ 47 mil) – Ar-condicionado, bolsas infláveis laterais dianteiras, chave dobrável, controle elétrico de vidros dianteiros, direção assistida eletro-hidráulica, encostos de cabeça e cintos de três pontos para cinco pessoas, fixação Isofix para cadeira infantil, lavador/limpador traseiro (Sandero).

Stepway Zen 1,6 manual (R$ 61.190) – Como o Sandero Life, mais alarme, banco do motorista e volante ajustáveis em altura, computador de bordo, conta-giros, controle elétrico de vidros um-toque, rádio com USB, sensor de estacionamento traseiro.

Logan Zen 1,0 manual (R$ 53.490) e 1,6 manual (R$ 59.490), Sandero Zen 1,0 manual (R$ 50 mil) e 1,6 manual (R$ 56 mil) – Como o Stepway Zen, mais central de áudio Media Evolution com tela de 7 pol e integração a celular.

Logan Zen 1,6 CVT (R$ 66.490), Sandero Zen 1,6 CVT (R$ 63 mil) – Como o Zen manual, mais assistente de saída em rampa, controle eletrônico de estabilidade e tração, suspensão elevada em 40 mm, rodas de 16 pol, transmissão CVT.

Logan Intense 1,6 CVT (R$ 69 mil), Sandero Intense 1,6 CVT (R$ 65.490), Stepway Intense 1,6 CVT (R$ 71 mil) – Como o Zen CVT, mais ar-condicionado automático, banco traseiro bipartido, câmera traseira de manobras, controlador e limitador de velocidade, controle elétrico de vidros traseiros e retrovisores, repetidores de luzes de direção, rodas de alumínio de 16 pol, volante com simulação de couro.

Logan Iconic 1,6 CVT (R$ 71.090), Stepway Iconic 1,6 CVT (R$ 73.090) – Como o Intense, mais bancos com simulação de couro, faróis e limpador de para-brisa automáticos.

Sandero RS 2,0 manual (R$ 69.690) – Como o Intense, mais pacote esportivo, rodas de 17 pol, seletor de modos de condução, menos transmissão CVT.

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