Novo BMW 330i ganha aprovação em praticamente tudo

Bancos dianteiros esportivos com ajustes elétricos são de série; interior ganhou espaço; console traz botão de partida, seletor de modos de condução e controles do sistema IDrive

 

Quando se dirige a até 36 km/h, o sistema armazena os movimentos efetuados ao volante nos últimos 50 metros percorridos. Se o motorista precisar dar ré em um local de baixa visibilidade, o sistema encarrega-se de refazer o trajeto sozinho a até 9 km/h, com as mesmas intervenções à direção, bastando ao condutor controlar a velocidade pelo freio.

 

 

A parada/partida automática do motor leva em conta as informações do GPS e da câmera frontal, a fim de evitar o desligamento ineficiente em condições em que a parada deverá ser breve. Outra câmera analisa a expressão do motorista, para reconhecer sinais de cansaço, e acompanha seus olhos: se o olhar se desviar, o sistema chama a atenção. Também há câmeras para mostrar na tela central os arredores do carro, imagens que podem ser transmitidas a um celular por aplicativo, de modo que o condutor monitore de qualquer lugar o que ocorre em torno dele.

O carro vem ainda com boa dotação de conveniências, mesmo na versão Sport, como abertura do porta-malas ao aproximar o pé do para-choque traseiro, ar-condicionado automático de três zonas, bancos dianteiros com ajuste elétricos e apoio lombar e teto solar com controle elétrico. O M Sport acrescenta assistente de farol alto, projeção de informações no para-brisa, quadro digital e sistema de áudio Surround Harman/Kardon, entre outros.

 

Motor de 2,0 litros revisto para mais 5,1 m.kgf de torque; à direita, grande ressonador na admissão (em destaque) ajuda nas respostas em baixa rotação antes de o turbo atuar

 

O interior é bem-acabado e espaçoso para quatro adultos, embora não confortável para cinco, tanto pelo formato dos bancos quanto pelo grande túnel central de transmissão. Apesar do uso de pneus que podem rodar vazios, o Série 3 oferece estepe, que muitos compradores requerem no Brasil. Com ele a capacidade de bagagem é modesta, 365 litros, mas passa a bons 480 com sua remoção (a bateria de 90 Ah vem no porta-malas, medida comum na marca para ajudar na distribuição de massas).

 

O motor acelera rápido, a transmissão faz reduções de marcha exatas em entradas de curva e o controle eletrônico deixa abusar e escorregar bastante nas curvas

 

Ao volante do 330i

O Série 3 mantém-se fiel à arquitetura de motor longitudinal e tração traseira, para equilíbrio de massas tanto lateral quanto entre eixos — é clássica na marca a divisão bem próxima a 50% a cada um. O eixo dianteiro bem à frente, inerente à tração traseira, traz equilíbrio de peso e estilo imponente. O peso do carro foi reduzido com maior uso de alumínio, magnésio e aços de alta resistência, assim como o centro de gravidade está mais baixo.

O motor de 2,0 litros com turbo de duplo fluxo e variação de tempo de abertura e do curso das válvulas, herdado da geração anterior, recebeu virabrequim mais leve, redução de atritos internos e bomba de maior pressão para a injeção direta de combustível (o valor máximo passou de 200 para 350 bars). Com isso, embora a potência seja igual, o torque máximo aumentou de 35,7 para 40,8 m.kgf.

 

Desempenho e som do motor empolgam, mas o melhor do Série 3 é seu comportamento em curvas: muita diversão antes que o controle de estabilidade seja acionado

 

A apresentação do 330i à imprensa, no Vello Cittá, foi praticamente um parque de diversões para adultos… ou crianças crescidas. A cabine baixa sugere uma posição esportiva para dirigir, mas sem aperto: mesmo o avaliador com 1,88 metro de altura pôde deixar as pernas esticadas e o volante bem perto de si, além de ter encontrado espaço suficiente para pilotar com capacete. Ao acelerar em ponto-morto nota-se um leve balanço com o torque do motor, proposital para dar impressão de potência — interessante como conseguem fazer isso em um motor leve e relativamente pequeno.

 

 

Partida liberada, o Série 3 demonstra por que a BMW é uma das referências mundiais em sedãs de desempenho. O motor acelera rápido, com um som que transmite potência, e a transmissão faz reduções de marcha perfeitas em entradas de curva — mal se precisa dos comandos de trocas no volante. A direção revela-se muito rápida e precisa e os freios mostram grande capacidade. Não apenas a suspensão e os pneus garantem estabilidade das melhores: também impressiona a calibração do controle eletrônico, que deixa abusar e escorregar até o limite em que o motorista estaria próximo de um acidente.

No M Sport, os pneus traseiros são 30 mm mais largos que os dianteiros. Com o volante esterçado, percebe-se o grande ganho de câmber dianteiro. Isso é causado pelo grande ângulo de cáster, que visa “tombar” as rodas para dentro da curva para que ajudem o carro a fazer mais curva, além de evitar que o pneu se dobre, apoiando toda a banda de rodagem. De fato, mesmo depois de mais de uma hora e uso na pista, não se via desgaste irregular nas bordas dos pneus dos automóveis do evento.

 

Os 330i alinhados para o teste no Vello Cittá; M Sport usa rodas de 19 pol com pneus traseiros mais largos; gráfico indica aceleração lateral no autódromo com pico máximo de 1,4 g

 

Conectado o instrumento de aquisição de dados Race Capture Pro, o 330i indicou que o turbo trabalha com 230 kPa de pressão máxima, o que significa por volta de 1,3 bar em pressão relativa. O motor, quando parado, indicava temperatura de 106º C e durante a volta trabalhava com 100º C, o que indica bom trabalho para não haver detonação. Mesmo em pressão máxima trabalhava com avanço de ignição positivo (4°): em outros motores turbo, em plena carga já vimos avanço negativo, o que prejudica a eficiência.

Foi possível medir também a aceleração lateral do Vello Cittá. Quando o carro era atirado nas curvas e começava a sair de traseira — algo fácil de controlar nesse BMW —, atingia o pico de 1,4 g indicado no gráfico, mas depois de se estabilizar mantinha um valor perto de 1,1 g. Não cabe aqui comparar a nosso teste-padrão de Um Mês ao Volante, primeiro pelo maior atrito do asfalto usado em pistas e segundo pelo método de medição. Nosso teste-padrão pega a média de toda a volta em um círculo, para filtrar esses picos, o que leva a números cerca de 0,2 g menores que o maior pico. Mesmo assim, os valores indicam um brinquedo de gente grande muito divertido.

O que não agrada no novo 330i M Sport? Essa é a grande pergunta. Todos os aspectos que um sedã esportivo se propõe a atender — desempenho, comportamento dinâmico, segurança, conforto, estilo — estão plenamente cumpridos, com ressalva para o espaço de bagagem ao levar estepe. Pode-se argumentar que R$ 270 mil são muito, mas a excelência de conjunto encontrada no lançamento bávaro tem seu valor.

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Ficha técnica

Motor
Posição longitudinal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo e levantamento
Diâmetro e curso 82 x 94,6 mm
Cilindrada 1.998 cm³
Taxa de compressão 10,2:1
Alimentação injeção direta, turbocompressor, resfriador de ar
Potência máxima 258 cv de 5.000 a 6.500 rpm
Torque máximo 40,8 m.kgf de 1.550 a 4.400 rpm
Transmissão
Tipo de caixa e marchas automática, 8
Tração traseira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a disco
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência elétrica
Suspensão
Dianteira independente, braços sobrepostos, mola helicoidal
Traseira independente, multibraço, mola helicoidal
Rodas
Dimensões 8 x 19 pol (diant.), 8,5 x 19 pol (tras.)
Pneus 225/40 R 19 (diant.), 255/35 R 19 (tras.)
Dimensões
Comprimento 4,709 m
Largura 1,827 m
Altura 1,425 m
Entre-eixos 2,851 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 59 l
Compartimento de bagagem 365 l (480 l sem estepe)
Peso em ordem de marcha 1.470 kg
Desempenho
Velocidade máxima 250 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 5,8 s
Dados do fabricante; consumo não disponível