Nova Frontier é forte em conforto e custo-benefício

Geração 12 da picape Nissan aproxima-se de automóveis em interior e suspensão, mas faltam itens de segurança passiva

Texto: Geraldo Tite Simões e Fabrício Samahá – Fotos: divulgação

 

A décima segunda geração da picape Nissan, que desde 1998 é vendida aqui como Frontier, é uma tentativa de levar ainda mais conforto para o trabalho pesado. Não é uma maquiagem da versão anterior, mas um cuidadoso trabalho de remodelação que não aproveitou quase nada do modelo lançado em 2007.

A nova Frontier é parte de um projeto conjunto com a Daimler-Benz, que resultará também na Renault Alaskan e na Mercedes-Benz Classe X, por ora mostrada apenas como conceito. As três serão fabricadas na unidade da Renault em Córdoba, Argentina, a partir de maio do próximo ano. Até lá, a da Nissan vem do México restrita à versão de topo LE com cabine dupla, tração nas quatro rodas e transmissão automática: opções mais acessíveis chegam ao mercado quando começar a produção no país vizinho. A importação mexicana sem o imposto correspondente é limitada por uma cota dividida com Sentra e Kicks, o que impõe baixo volume nessa fase inicial.

O preço sugerido de R$ 166.700 é o mais baixo das picapes de topo da categoria: Chevrolet S10 High Country (2,8 litros, 200 cv, R$ 172.690), Ford Ranger Limited (3,2 litros, 200 cv, R$ 184.490), Mitsubishi L200 Triton Sport HPE Top (2,4 litros, 190 cv, R$ 175 mil), Toyota Hilux SRX (2,8 litros, 177 cv, R$ 189.970) e Volkswagen Amarok Highline Ultimate (2,0 litros, 180 cv, R$ 178 mil), todas com caixa automática e tração 4×4. Veja no quadro abaixo os equipamentos de série.

 

O visual lembra o da anterior, mas a Frontier é toda nova; por enquanto vem do México em versão de topo até que passe a ser feita na Argentina

 

Embora lembre bastante a antecessora, a picape ganhou desenho mais elaborado, com formas mais curvas em faróis e nos vincos da carroceria, capô mais alto nas laterais que no centro e outra proporção entre chapas e vidros — estes estão menores, uma tendência que demorou a chegar à Frontier. Decisão incomum da Nissan foi manter as rodas de 16 polegadas, em um segmento que tem feito de 18 pol uma medida comum e chega a 20 pol na Amarok. Apesar de abrir mão de esportividade visual, a fábrica escolheu certo dos pontos de vista de conforto de rodagem e resistência a impactos no uso fora de estrada.

 

O sistema de áudio com plataforma Android permite baixar e usar aplicativos (incluindo Waze) e acessar a internet com conexão por modem USB ou telefone

 

Maior foi a evolução no aspecto do interior: parece ter subido de categoria, tanto em desenho quanto na aparência dos materiais. Do volante ao console central, dos instrumentos com mostrador central colorido aos painéis de porta, tudo transmite ar bem mais sofisticado que no modelo anterior. Revestimento de couro nos bancos e volante, apliques em alumínio escovado, sistema de áudio com tela ampla e fácil de ver e bancos realmente anatômicos deixam a picape com jeito de automóvel por dentro.

Conveniências inéditas no modelo incluem ar-condicionado automático de duas zonas, ajuste elétrico para o banco do motorista (inclui o apoio lombar) e aquecimento para os dois dianteiros, chave presencial e retrovisores externos com rebatimento elétrico. O sistema de áudio Multi-App — o mesmo oferecido no March e no Versa —, com tela de 6,2 polegadas e plataforma Android, permite baixar e usar aplicativos (incluindo o popular navegador Waze, impossível com o sistema Android Auto) e acessar a internet, com conexão fornecida por modem USB ou telefone celular. Há 2 GB de espaço na memória para programas. A Nissan informa que cresceu em 8,7 cm a altura útil da cabine, que está também mais larga.

 

Interior melhorou muito em aparência; quadro traz mostrador central multifunção; ótimos bancos dianteiros, mas posição atrás não agrada

 

Auxílios ao motorista comuns na classe, mas ausentes da anterior, são assistente de saída em rampa e controlador de velocidade em declive. A tração não mudou: um seletor no painel alterna entre os modos 4×2 (traseira), 4×4 e 4×4 com reduzida. Este requer parar a picape, mas entre os dois primeiros pode-se comutar a até 100 km/h. O diferencial traseiro é autobloqueante. Faltou capricho, porém, em segurança passiva: as bolsas infláveis são apenas as frontais obrigatórias (a Ranger, por exemplo, vem com sete desde a versão de entrada: frontais, laterais dianteiras, de cortina e de joelhos do motorista) e o passageiro central do banco traseiro não dispõe de cinto de três pontos nem encosto de cabeça.

 

 

Na caçamba foram adotadas soluções interessantes como ganchos reguláveis que correm em trilhos, tomada 12-volts blindada e revestimento com camada de tinta plástica, que não consome tanto espaço quanto os protetores tradicionais. Pode-se levar até um scooter ou moto esportiva com a tampa fechada — rodar com a tampa aberta, só com segunda placa na traseira.

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Helicoidais ou feixe de molas?

Uma das peculiaridades da Frontier na categoria é a suspensão traseira com molas helicoidais, solução comum em picapes leves (Chevrolet Montana, VW Saveiro) e usada nas médio-pequenas Fiat Toro e Renault Duster Oroch, mas não neste segmento, no qual o padrão são feixes de molas semielípticas. No entanto, ao vermos as fotos do chassi (como a acima à esquerda), lá estavam os feixes e nada das helicoidais. O que acontece?

Ocorre que a nova geração é produzida com ambos os tipos de suspensão: a de molas helicoidais para a cabine dupla e a de semielípticas para a de cabine estendida (King Cab). São do segundo tipo algumas fotos divulgadas, mas a suspensão “de automóvel” da Frontier aparece acima à direita, em foto publicada no exterior.

Por fim, um esclarecimento conceitual. Apesar de chamada de five-link ou multilink, a suspensão da picape nada tem em comum com a independente multibraço (multilink em inglês) usada em carros de segmento superior. Trata-se apenas de cinco elementos de controle do eixo, que permanece rígido. Picape com multibraço de verdade, no mercado brasileiro atual, apenas a Toro.

 

Preço e equipamentos

Frontier LE (R$ 166.700): acionamento automático dos faróis, alarme, aquecimento dos bancos dianteiros, ar-condicionado automático de duas zonas, assistente de saída em rampa, banco do motorista com regulagem elétrica, bolsas infláveis frontais, câmera traseira de manobras, chave presencial para acesso e partida, controle de velocidade em declive, controlador de velocidade, controle eletrônico de estabilidade e tração, faróis de neblina, freios com freios antitravamento (ABS), distribuição eletrônica de frenagem (EBD) e assistência em emergência, luzes diurnas de leds, retrovisores externos com rebatimento elétrico, sensores de estacionamento traseiros, sistema de áudio Multi-App com toca-CDs, tela de 6,2 pol, conexão com internet e aplicativos, volante com regulagem em altura.

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