Motor SCE traz vigor e eficiência a Logan e Sandero

Redução de consumo é destaque das novas unidades de 1,0 e 1,6 litro, mas a primeira poderia ser mais suave

Texto: Fabrício Samahá e Sérgio Galvão – Avaliação: S. Galvão – Fotos: divulgação

 

A Renault estava atrasada na “marcha pela eficiência”, na qual a maior parte dos fabricantes se lançou nos últimos anos a fim de cumprir as metas de redução de consumo de combustível estabelecidas pelo programa Inovar-Auto. Logan e Sandero ainda usavam motores de 1,0 e 1,6 litro originários do Clio que chegou ao Brasil em 1998, embora a marca francesa dispusesse de unidades mais modernas por meio da associada Nissan.

Enfim, na linha 2017 há uma aguardada atualização sob o capô dos dois modelos — e não só deles, pois também se beneficiam o utilitário esporte Duster, a picape Duster Oroch e o novo Captur em versões de 1,6 litro. Por ora permanece o decano motor de 2,0 litros para esses três modelos, outra opção incoerente do fabricante, que poderia aplicar o de origem Nissan usado no sedã Fluence.

 

Sem identificações externas, o Sandero de 1,0 litro ganhou 2 cv e ficou mais econômico; a unidade de três cilindros será usada também no Kwid

 

Designados pela sigla SCE (Smart Control Efficiency, eficiência de controle inteligente) e fabricados em São José dos Pinhais, PR, os dois motores pertencem a famílias distintas. O de 1,0 litro e três cilindros deriva do usado na Índia pelo Kwid, hatch pequeno a ser fabricado no Brasil em 2017, mas com revisões para aumentar potência, torque e eficiência. Já o 1,6 de quatro cilindros é uma ligeira evolução da unidade Nissan bem conhecida de March e Versa.

 

Ganhos expressivos em economia: o consumo urbano com gasolina do Sandero 1,0 chega a 14 km/l (antes, 12,6 km/l) e o do Logan 1,6 com caixa manual passa de 10,7 para 13 km/l

 

Ambos os SCE compartilham especificações como bloco de alumínio (o que trouxe redução de peso em 20 kg no 1,0-litro e 30 kg no 1,6), duplo comando com quatro válvulas por cilindro, acionamento por corrente e variação do tempo de abertura das válvulas, que no caso do 1,0 abrange admissão e escapamento e no 1,6 apenas as primeiras (como nos modelos Nissan). Outras técnicas atuais são bomba de óleo com vazão variável (ajusta o fluxo de óleo enviado de acordo com a rotação e a carga do motor), coletor de escapamento integrado ao cabeçote e uso de aço forjado nas bielas e no virabrequim. A taxa de compressão é alta no três-cilindros (12:1), mas permanece um tanto baixa no quatro-cilindros (10,7:1, a mesma do March).

Sem sobressair em potência diante de concorrentes como Ford Ka e os Volkswagens Gol e Fox, o SCE de 1,0 litro obtém bons números: 79 cv e torque de 10,2 m.kgf com gasolina, 82 cv e 10,5 m.kgf com álcool — e estão disponíveis 90% do torque máximo a 2.000 rpm. O motor anterior oferecia menos potência (77/80 cv) e, embora atingisse os mesmos valores de torque, precisava de 4.250 rpm para isso (agora, 3.500 rpm). No caso do 1,6-litro os números de 98/106 cv e 14,5/15,5 m.kgf subiram para 115/118 cv e 16 m.kgf (mesmo torque com ambos os combustíveis) no Logan e no Sandero.

 

Edição Vibe traz rodas de alumínio e detalhes coloridos ao Sandero de 1,0 litro; painel vem com tela de 7 pol para sistema de áudio e navegador

 

Duster e Oroch são mais potentes, 118/120 cv e 16,2 m.kgf, por causa de calibração eletrônica e coletor de escapamento diferenciados. Contudo, esses utilitários já contavam com a unidade Renault de quatro válvulas por cilindro, mais potente que a de duas oferecida por Logan e Sandero, com 110/115 cv e 15,1/15,9 m.kgf. Um avanço que a fábrica “esqueceu” foi substituir o superado tanque auxiliar de gasolina para partida a frio por um sistema de preaquecimento de álcool, como em quase toda a concorrência.

 

 

Como medidas adicionais de redução de consumo, a Renault adotou assistência eletro-hidráulica de direção em toda a linha (já vinha no Sandero RS), alternador com operação inteligente (recarrega mais a bateria ao desacelerar, o que permite desativá-lo nas acelerações) e parada/partida automática nas versões 1,6 (há botão para desativação). Logan e Sandero com a transmissão automatizada monoembreagem Easy’R receberam ainda controle eletrônico de estabilidade e tração e assistente para saída em rampa.

Tudo somado, o fabricante anuncia ganhos expressivos em economia. Tomando por base o consumo urbano com gasolina pelos padrões do Inmetro, o Sandero 1,0 chega a 14 km/l (antes, 12,6 km/l), o Logan 1,6 com caixa manual passa a 13 km/l (eram apenas 10,7 km/l) e o Duster 1,6 sobe a 11,3 km/l (antes, 9,5 km/l).

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Versões, equipamentos e preços

Sandero Authentique 1,0: R$ 42.700 • Logan Authentique 1,0: R$ 46.300

Abertura interna da tampa do porta-malas e tanque, ar-condicionado, conta-giros, desembaçador e limpador do vidro traseiro, direção com assistência eletro-hidráulica, indicador de troca de marchas. Opcionais: controle elétrico de vidros dianteiros e travas, controle remoto de travas.

Sandero Expression 1,0: R$ 44.950 • Sandero Expression 1,6: R$ 49.770 • Sandero Expression Easy’R 1,6: R$ 54.420 • Logan Expression 1,0: R$ 48.200 • Logan Expression 1,6: R$ 52.750 • Logan Expression Easy’R 1,6: R$ 57.350

Como o Authentique, mais alarme perimétrico, banco do motorista com altura regulável, comando de áudio no volante, computador de bordo, rádio/CD/MP3 com entradas USB e auxiliar e interface Bluetooth, volante regulável em altura. Opcionais: pacote Techno (sistema de áudio com navegador e tela de 7 pol, sensor de estacionamento traseiro).

Sandero Vibe 1,0: R$ 47.100

Como o Expression, mais faróis de neblina, rodas de alumínio de 15 pol, sistema de áudio com navegador e tela de 7 pol.

Sandero Dynamique 1,6: R$ 53.500 • Sandero Dynamique Easy’R 1,6: R$ 58.550 • Logan Dynamique 1,6: R$ 56.400 • Logan Dynamique Easy’R 1,6: R$ 61.400

Como o Expression, mais banco traseiro bipartido, controlador e limitador de velocidade, controle elétrico de vidros traseiros, faróis de neblina, regulagem elétrica dos retrovisores, rodas de alumínio de 15 pol, três apoios de cabeça no banco traseiro, volante revestido em couro. Opcionais: pacote Techno Plus (ar-condicionado automático, sensor de estacionamento traseiro, sistema de áudio com tela de 7 pol), revestimento parcial de bancos em couro.

Sandero GT Line 1,6: R$ 54.620

Como o Dynamique, mais ar-condicionado automático, rodas de alumínio de 16 pol, sensor de estacionamento traseiro, sistema de áudio com tela de 7 pol.

Sandero Stepway 1,6: R$ 59.720 • Sandero Stepway Easy’R 1,6: R$ 63.070

Como o Dynamique, mais ar-condicionado automático, revestimento parcial de bancos em couro, rodas de 16 pol (aço), sensor de estacionamento traseiro, sistema de áudio com tela de 7 pol, suspensão elevada em 40 mm. Opcional: rodas de alumínio.

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