Jaguar XE e XF: tão parecidos, tão diferentes

Painel é outro, mas ambiente interno do XF lembra o do irmão menor; espaço no banco traseiro é vantagem expressiva do modelo

Auxílios ao motorista abrangem controlador da distância à frente com função para-anda (e o controle de velocidade pode ser usado sem ele), monitor para risco de colisão frontal (mesmo com controlador desligado) e alertas para veículo em ponto cego nas faixas adjacentes e para tráfego transversal em marcha à ré (útil ao sair de vagas). O XF avaliado trazia o assistente de faixa de rolamento, que alerta em caso de saída sem uso das luzes de direção e intervém na direção para manter o carro na faixa. Ao contrário de sistemas de outras marcas, porém, foi comum sua ação somar-se à correção pelo motorista, tornando-se excessiva.

Dentro da atual tendência de ampliar as configurações do carro, a Jaguar aplicou a ambos um seletor com os programas Dinâmico (mais esportivo), Normal, Econômico e Inverno (para pisos de baixa aderência), que afetam o comportamento de motor, transmissão, direção e suspensão. No XF, ao selecionar Dinâmico pode-se ajustar em separado esses quatro elementos entre dois perfis (deixar, por exemplo, o motor mais ágil com a suspensão macia), o que o XE não permite. O modo Dinâmico ainda altera de branca para vermelha a iluminação dos instrumentos.

 

XE: mostrador central simples, tela de 8 ou 10,2 pol para várias opções de áudio, memórias só para o banco do motorista, ajuste elétrico do volante

 

Como se espera, bons detalhes estão em profusão, como alarme antifurto volumétrico, capô com dois fechos de segurança, chave presencial para acesso e partida, comandos por voz em português brasileiro, freio de estacionamento com comando elétrico, função um-toque para todos os vidros e abertura/fechamento comandado a distância, limitador de velocidade, porta-luvas refrigerado, retrovisores fotocrômicos (os três) com recolhimento elétrico dos externos, teto solar panorâmico (só a seção dianteira se abre) e trava infantil das portas traseiras acionada junto do bloqueio dos comandos de vidros (excelente ideia para não esquecer crianças destravadas nem adultos bloqueados).

 

O V6 de 340 cv impulsiona com muita rapidez o XE com direito a um som delicioso, um “urro” que contagia e convida a manter o pé embaixo

 

O XF chega ao extremo de fechar as quatro portas por sucção: basta encostá-las, sem bater, para que o sistema complete o fechamento. Nada é perfeito, porém: falta a ambos faixa degradê no para-brisa, o forro do teto solar deixa passar mais raios solares do que se gostaria no calor tropical, a tomada de 12 volts no porta-objetos fica distante do para-brisa (ruim para recarga de dispositivo que se queira manter à vista) e o espaço para objetos do dia a dia está aquém do ideal. Ainda, sob o capô do XE notamos aspecto lamentável na proteção da fiação dos amortecedores dianteiros.

A maior distinção entre os modelos talvez esteja no espaço para quem viaja atrás. Com mais 125 mm em distância entre eixos e 137 mm em largura, o XF oferece acomodações amplas para cabeças e ombros e excepcional para pernas, enquanto o XE mostra-se apenas regular em cada um dos quesitos. Levar um quinto ocupante neste último, só se ele tiver tendências masoquistas: o assento é arredondado, o encosto duro, o túnel central incomoda e, com a forma côncava dos dois principais lugares, o passageiro deslocará os colegas para uma posição desconfortável.

 

XF: mostrador mais elaborado, seletor de programas com modo Dinâmico ajustável, navegador, múltiplos ajustes elétricos, difusores escamoteáveis, controlador da distância à frente, áudio Meridian, porta-malas motorizado

 

O porta-malas do XF é amplo, para 505 litros; o de 455 litros do XE fica um pouco abaixo. O banco traseiro é dividido em 60:40 no modelo maior e em 40:20:40, ainda mais versátil, no menor. Em ambos é usado estepe temporário, sob o qual fica a bateria (mais protegida do calor do motor e favorável à distribuição de peso entre os eixos).

 

 

Ronco e desempenho empolgantes

Dos vários motores a gasolina e a diesel disponíveis no mercado europeu, o XE e o XF usam nestas versões S um mesmo V6 de 3,0 litros com compressor, que fornece 340 cv ao XE e 380 ao XF com torque de 45,9 m.kgf em ambos. De operação muito suave, a unidade emite um ronco sutil (mais notado no XE) em rotações moderadas que transmite sensação de desempenho. Comparado aos motores turboalimentados que se têm tornado regra em carros de prestígio, o torque oferecido na faixa de 2.000 rpm pode não impressionar, mas há grande linearidade em seu fornecimento.

De rotações médias para altas, o V6 impulsiona com muita rapidez os 1.665 kg do XE — com direito a um som delicioso, um “urro” que contagia e convida a manter o pé embaixo — ou mesmo os 1.710 kg do XF, neste caso ajudado pelos 40 cv adicionais. Em nossa pista, acelerar de 0 a 100 km/h exigiu 5,5 e 5,9 segundos, na ordem, enquanto 160 km/h chegavam em 10,8 e 11,5 s. Desempenho à altura das exigências de quem compra um carro como esses, perfil que abre mão de economia de combustível, mas obteria ainda adequados 11,6 e 9,8 km/l em nosso trajeto rodoviário (veja abaixo mais números e análise detalhada).

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Desempenho e consumo

Embora os 40 cv adicionais do XF mais que compensem a pequena diferença de peso (45 kg), deixando-o com relação peso-potência mais favorável, foi o XE que acelerou mais rápido: de 0 a 160 km/h em 10,8 segundos, menos 0,7 s que o irmão maior. As relações de marcha pouco mais curtas podem explicar a vantagem, ao menos em parte. Ambos trocam de marcha a 6.500 rpm, não importa se em modo manual ou automático. Tração traseira e largos pneus garantem fáceis saídas a pleno acelerador, com mínima perda de aderência.

O Jaguar menor ficou atrás, no entanto, em retomadas: levou 7,3 s de 80 a 120 km/h, mais 0,5 s que o modelo superior. Chamou atenção nessas provas a lentidão da caixa automática de ambos para efetuar redução, mesmo em modo Dinâmico (usamos sempre o programa mais favorável ao desempenho nessas medições), sinal de que a calibração eletrônica pode evoluir.

Ambos têm a velocidade máxima limitada a 250 km/h, que pode ser atingida em sexta marcha, com o motor no regime de potência máxima no XE e pouco abaixo no XF. Sétima e oitava ficam, portanto, como sobremarchas para viajar com conforto e menor consumo: a 120 km/h são cerca de 2.000 rpm em oitava.

Seja pelo peso adicional, as rodas maiores ou o acerto do motor para potência superior, o XF consumiu mais combustível nos três percursos de medição. Se o XE pode ser considerado econômico para um carro do gênero, com 11,6 km/l no trajeto rodoviário, a marca de 9,8 km/l do modelo maior é apenas razoável. Mas não é algo que importe para quem alcançou sua faixa de preço.

 

XE XF
Aceleração
0 a 100 km/h 5,5 s 5,9 s
0 a 120 km/h 6,6 s 7,4 s
0 a 160 km/h 10,8 s 11,5 s
0 a 400 m 11,2 s 11,7 s
Retomada
60 a 100 km/h* 5,9 s 5,3 s
60 a 120 km/h* 8,6 s 7,9 s
80 a 120 km/h* 7,3 s 6,8 s
80 a 160 km/h* 11,9 s 11,0 s
Consumo
Trajeto leve em cidade 9,6 km/l 8,5 km/l
Trajeto exigente em cidade 5,2 km/l 4,3 km/l
Trajeto em rodovia 11,6 km/l 9,8 km/l
Autonomia
Trajeto leve em cidade 544 km 566 km
Trajeto exigente em cidade 295 km  286 km
Trajeto em rodovia 658 km 653 km
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Dados do fabricante

XE XF
Velocidade máxima 250 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 5,1 s 5,3 s
Consumo em cidade 7,0 km/l
Consumo em rodovia 11,0 km/l 10,0 km/l
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