Jaguar XE e XF: tão parecidos, tão diferentes

Dois belos felinos que se distinguem não só pelo porte, mas pela forma como cativam o motorista

Texto e fotos: Fabrício Samahá

 

Por mais criticada que seja, a tendência parece inevitável: de fabricantes generalistas a marcas de prestígio, parece que todos têm aplicado um mesmo padrão de estilo a variados modelos, a ponto de até conhecedores os confundirem em um primeiro olhar. Aconteceu também na Jaguar: a filosofia de desenho iniciada em 2007 com o XF foi estendida ao maior XJ e ao menor XE, dos quais evoluiu para o XF de segunda geração. Ganha um doce quem conseguir diferenciá-los quando sua frente aparece no retrovisor.

E as semelhanças não se restringem à aparência. XE e XF foram derivados de igual plataforma e usam os mesmos motores no mercado brasileiro — o quatro-cilindros turboalimentado de 2,0 litros com potência de 240 cv e o V6 de 3,0 litros com compressor, que fornece 340 cv ao modelo menor e 380 cv ao maior. Similaridades à parte, há contrastes marcantes entre esses “irmãos”, que o Best Cars colocou em avaliação paralela nas versões de topo S V6.

 

De frente eles se parecem muito, mas o XE tem traseira mais curta para um perfil esportivo; rodas de 20 pol em preto realçam pinças de freio vermelhas

 

Ao preço sugerido de R$ 324.060, o XE S traz equipamentos de série como ajuste elétrico do volante e dos bancos dianteiros (com memória para o do motorista), ar-condicionado automático de duas zonas, bancos com revestimento em couro Taurus e camurça sintética (há opção só pelo couro), bolsas infláveis laterais dianteiras e de cortina, câmera traseira de manobras, chave presencial para acesso e partida, controlador de velocidade e da distância à frente, controle eletrônico dos amortecedores, faróis de xenônio com assistente de facho alto, faróis e limpadores de para-brisa automáticos, fixações Isofix para cadeiras infantis, projeção de informações no para-brisa, rodas de 18 pol, sensores de estacionamento em 360° e teto solar com controle elétrico.

 

O sistema de entretenimento com alto-falantes Meridian, de mesmas configurações para os dois, obtém altíssima definição e graves poderosos

 

O sistema de entretenimento In Control Touch vem com tela central de 8 pol sensível ao toque e áudio Meridian de 380 watts com 11 alto-falantes. Opcionais são acionamento elétrico da tampa do porta-malas, ajuste lombar elétrico, assistente de saída da faixa de rolamento (em duas versões: apenas alerta e com ação na direção para manter o carro na faixa), áudio mais sofisticado de 825 watts, grade e molduras de vidros em preto, rodas de 19 pol (que podem ser pretas, como no avaliado), tela elétrica contra sol no vidro traseiro, televisor digital e versão Pro do sistema In Control com tela de 10,2 pol e navegador. Como avaliado, passava a R$ 335.700.

O XF S custa R$ 381.120 e, comparado ao XE sem opcionais, acrescenta faróis de leds, memória também do banco do passageiro, rodas de 19 pol e tampa do porta-malas elétrica. Suas opções são os mesmos aprimoramentos ao sistema de áudio e à tela central, ambos os assistentes de saída de faixa, leitura de placas da via para o controlador de velocidade, navegador, quadro de instrumentos com tela configurável de TFT de 12,3 pol (acompanhado de tela central de 10,2 pol), rodas de 20 pol, sistema de sucção para fechamento suave das portas e televisor digital. A configuração em análise custava R$ 396.420, mas só o áudio de topo custaria mais R$ 18.390.

 

Maior em comprimento e entre-eixos, o XF compartilha a plataforma básica do XE; rodas de 20 pol são opção às de 19 de série na versão

 

O desenho é certamente um forte atributo dos dois automóveis. Grade ampla e protuberante, faróis de perfil baixo — inspirados, não sem motivo, em olhos felinos —, cabine recuada para acentuar a tração traseira, queda suave do teto e lanternas posteriores horizontais são elementos de ambos os modelos. Na metade dianteira suas linhas são muito parecidas, mas dali para trás há maior distinção pelas formas mais alongadas do XF, sobretudo no porta-malas. Quando acesas, suas lanternas mostram dois arcos de leds de cada lado, ante apenas um do XE. Eles compartilham o excelente coeficiente aerodinâmico (Cx) 0,26.

 

 

Nos interiores a maior diferença está no padrão de acabamento esportivo do XE avaliado, com revestimento em couro (laterais) e camurça sintética (centro) em preto e vermelho, bem mais chamativo que o preto do XF. Embora com desenhos distintos, os painéis seguem o mesmo conceito de contorno superior que parece interligar as portas, chamado de Arco Riva pela marca e inspirado em barcos da década de 1960.

Os materiais são ótimos em aspecto, mesmo que os plásticos não sejam macios ao toque. Requintes no XF são difusores de ar laterais que se escamoteiam quando fora de uso, painel revestido em couro e forro do teto em camurça sintética (tecido no XE). Motorista e passageiro ao lado dispõem de bancos bem definidos, com espuma de alta densidade (firme) típica de carros alemães, boa retenção lateral e regulagem elétrica que inclui apoio lombar, altura/distância do volante e (só no XF) o suporte das coxas. O carro maior oferece três memórias de posição para cada um; o outro, só para o condutor. O XE transmite esportividade com os bancos mais baixos e a percepção de se estar mais perto do eixo traseiro.

 

Interior do XE transmite esportividade com bancos mais baixos e opção de revestimento em duas cores, que associa couro e camurça sintética

Os instrumentos de ambos fornecem informações com clareza e incluem duas medições no computador de bordo e medidores de nível de óleo e de pressão de pneus. Embora o XF ofereça a opção de quadro digital, o avaliado não a trazia. Detalhe negativo do XE é o mostrador central simples e com fonte pobre, bem inferior ao do outro. Em qualquer um deles a projeção no para-brisa deixa velocidade, marcha e instruções de navegação bem no campo visual.

O sistema de entretenimento com alto-falantes Meridian, oferecido nas mesmas configurações para os dois carros, obtém altíssima definição e graves poderosos. A tela (de 8 pol nos carros avaliados, embora haja opção pela de 10,2 pol) serve a câmera traseira de manobras, sensores de estacionamento em 360 graus e modo para manobrista, que permite configurar limites de uso com senha. Há conexões USB, auxiliar e de cartão SD e o sistema aceita as plataformas Android Auto da Google e Car Play da Apple.

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