JAC T6 convence como SUV médio a preço de compacto

JAC T6

 

Marca chinesa aposta nas dimensões do utilitário esporte, que
tem estilo e espaço, mas pode melhorar em desempenho e segurança

Texto: Geraldo Tite Simões – Fotos: divulgação

 

“Mais centímetros, menos reais”: esse era o título de nossa avaliação feita em 2012 com o JAC J5, sedã chinês que oferecia dimensões de carro médio a preço de nacional pequeno. A proposta não foi muito bem sucedida — o J5 nunca emplacou no Brasil, mesmo após reduções de preço —, mas a marca chinesa espera repeti-la com maior êxito em seu primeiro utilitário esporte à venda por aqui, o T6.

Chamado de Refine S5 e Eagle S5 em outros mercados, o T6 foi lançado na China em 2013 e anuncia dimensões comparáveis às de Hyundai IX35 e Kia Sportage a preços compatíveis aos de modelos menores, como Ford Ecosport, Honda HR-V, Jeep Renegade, Peugeot 2008 e Renault Duster. É um bom argumento para tentar vencer a resistência de muitos brasileiros aos carros do país asiático.

Para ficar abaixo da “barreira psicológica” dos R$ 70 mil, a JAC criou uma versão pouco simplificada em relação à que anunciara no Salão de São Paulo, em outubro, e que custaria R$ 72 mil. O T6 ficou com três configurações, a primeira delas por R$ 70 mil, a segunda por R$ 72 mil (escolha a sua e leve R$ 10 de troco) e a terceira por R$ 75.670. A garantia é de seis anos.

 

JAC T6
JAC T6

 

JAC T6
JAC T6
JAC T6
 
Com semelhanças ao Hyundai IX35 e até ao Audi Q5, o estilo do T6
agrada; faróis elipsoidais e rodas de alumínio de 17 pol são padrões

 

O conteúdo de série da versão básica inclui freios a disco com sistema antitravamento (ABS) e distribuição eletrônica da força de frenagem (EBD), rodas de alumínio de 17 polegadas com pneus 225/60,  faróis e luz traseira de neblina, sensores de estacionamento traseiros, computador de bordo, ar-condicionado automático, volante revestido em couro com ajuste de altura e banco traseiro bipartido. As bolsas infláveis são apenas as frontais.

 

O destaque para o tipo de veículo foi sua
estabilidade: o acerto da suspensão
mostrou-se bem feito e transmitiu segurança

 

O primeiro pacote opcional compreende barras de teto e rebatimento elétrico dos retrovisores; o segundo acrescenta central multimídia com tela tátil de sete polegadas e conexão HDMI, capaz de espelhar a tela do celular e controlar aplicativos, além de câmera traseira para manobras e navegador. Alguns itens previstos em mercados externos foram descartados, como controle eletrônico de estabilidade e tração, assistência adicional de frenagem em emergências, assistente para saída em rampa, bolsas infláveis laterais e de cortina, câmbio de seis marchas e teto solar panorâmico.

Por enquanto, o único trem de força disponível é o motor flexível de 2,0 litros e 16 válvulas (com potência de 155/160 cv e torque de 20/20,6 m.kgf, sempre na ordem gasolina/álcool) com câmbio manual de cinco marchas. Uma caixa automática pode vir mais tarde associada a um motor turbo de mesma cilindrada, como o do furgão de passageiros T8.

 

JAC T6

 
O interior de desenho atual destaca-se pelo espaço e tem acabamento
correto, embora faltem itens como ajuste do volante em distância

 

Ao olhar para o T6 é fácil notar as semelhanças com modelos de outras marcas — uma inspiração no IX35 aqui, um detalhe de Audi Q5 ali, e assim por diante —, mas o resultado é um utilitário bem desenhado, que impressiona bem. Percebe-se que os estilistas da JAC estão cada vez mais universais, a ponto de não parecer um modelo asiático. Os faróis com refletor elipsoidal para o facho baixo prometem eficiência, mas as duas saídas de escapamento são falsas.

Durante a apresentação, um dado foi nitidamente reforçado pela JAC: as dimensões. De fato, frente aos concorrentes da faixa de preços, apenas o Duster supera o T6 em distância entre eixos por cerca de 3 centímetros. Em comprimento (por 16 cm) e largura (2 cm) o JAC é maior que o Renault, assim como deixa para trás os adversários da Ford, Honda, Jeep e Peugeot. Esse maior tamanho confirmou-se uma boa qualidade na prática, porque o espaço interno é realmente ótimo para os passageiros do banco de trás — que ainda contam com cinto de três pontos e encosto de cabeça para todos.

Com portas leves que abrem em ângulo enorme, é fácil entrar e sair. Em seu posto de comando o motorista conta com boas regulagens do banco, mas o volante só oferece ajuste de altura. O acabamento é bem cuidado, seja nos bancos revestidos em tecido, seja nos plásticos do painel e das portas, e o painel com muitas informações revela-se fácil de visualizar com sua iluminação em branco. Bons detalhes são os retrovisores com recolhimento elétrico, luz de sugestão para trocar de marcha (para cima e para baixo), luzes de cortesia nos para-sóis e ajuste elétrico dos faróis.

 

JAC T6
JAC T6

 

JAC T6
JAC T6
JAC T6
 
Central multimídia da versão de topo tem câmera traseira e espelha a
tela do telefone; painel é fácil de ler; porta-malas leva 505 litros

 

Um dos destaques da versão de topo é a central multimídia com interatividade com o telefone celular, que permite visualizar aplicativos (como o Waze, de trânsito) na tela do painel. Isso resolve uma questão frequente hoje nos grandes centros, em que aplicativos são mais úteis que o navegador instalado no carro, mas não oferecem a mesma fácil visualização. A JAC também anuncia a maior capacidade de bagagem da classe: 505 litros (pelo dado oficial chinês, não o divulgado aqui, de 610), ante 475 do Duster, 431 do HR-V, 362 do Ecosport, 355 do Peugeot e 260 do Renegade (o estepe temporário contribui para o maior volume útil).

 

 

Ao volante

O motor de 2,0 litros do T6 é o mesmo da minivan J6, mas com revisões para aumentar a potência e o torque. Dotado de variação do tempo de abertura das válvulas e preaquecimento de álcool para partida a frio, desenvolve valores superiores aos dos modelos nacionais de mesma cilindrada na categoria, deixando-o abaixo apenas dos vigorosos 2008 THP e Renegade turbodiesel. Por outro lado, as dimensões cobram seu preço no peso de 1.505 kg, o mais alto entre as opções flexíveis da classe. O conjunto mecânico inclui recursos modernos como a suspensão traseira independente multibraço, a única entre os modelos citados com tração dianteira (Duster e Ecosport usam-na apenas em versões 4×4).

Durante a avaliação da imprensa pela SP-312 — a conhecida Estrada dos Romeiros —, que liga São Paulo a Itu, o T6 deixou boas impressões. O destaque para o tipo de veículo foi sua estabilidade: na rodovia bastante sinuosa, o trabalho de acerto da suspensão mostrou-se bem feito e o utilitário transmitiu segurança, mesmo com os desconhecidos pneus da marca Giti. Exigidos até o limite, não “cantam” com facilidade.

 

JAC T6
JAC T6
 
Estabilidade do T6 convenceu na avaliação em estrada sinuosa, mas
motor de 160 cv deveria oferecer mais torque em baixa rotação

 

Uma ressalva fica para a direção com assistência elétrica algo exagerada: a exemplo de outros modelos JAC, pareceu muito leve, passando uma sensação de instabilidade ao motorista não habituado. Em trechos com lombadas e buracos, percebe-se a suspensão traseira macia demais e com a velocidade de retorno dos amortecedores um pouco alta — depois de passar por uma lombada, a traseira sobe e desce além do esperado, mesmo sem carga no porta-malas.

Nos poucos trechos de reta a rotação em quinta marcha a 120 km/h registrou 3.100 rpm, adequada ao motor em uso. O desempenho, porém, fica aquém das expectativas: pesado, o T6 mostra certa preguiça para subir de rotação. O importador anuncia aceleração de 0 a 100 km/h em 12,2 segundos, razoável para a proposta, mas em baixos regimes as respostas são lentas — é preciso recorrer ao câmbio para ganhar e recuperar velocidade. Ainda, chamaram a atenção o nível de vibração notado no volante e no assoalho e a queda de giros lenta demais ao tirar o pé do acelerador, em geral por um ajuste da central eletrônica voltado a reduzir emissões poluentes.

O novo JAC certamente tem pontos a melhorar, mas como está se revela uma boa proposta para quem busca o primeiro utilitário esporte e precisa de mais espaço que o oferecido pelos compactos nacionais. A imagem da marca já mostra certa consolidação, aos quatro anos de presença no mercado e com fábrica por ser construída. O maior obstáculo parece mesmo a falta de câmbio automático, que o comprador brasileiro praticamente exige hoje em carros familiares acima de certo preço.

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Ficha técnica

Motor

Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4
Diâmetro e curso 85 x 88 mm
Cilindrada 1.997 cm³
Taxa de compressão 10:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 155/160 cv a 6.000 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 20,0/20,6 m.kgf a 3.500 rpm

Transmissão

Tipo de câmbio e marchas manual, 5
Tração dianteira

Freios

Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a disco
Antitravamento (ABS) sim

Direção

Sistema pinhão e cremalheira
Assistência elétrica

Suspensão

Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira independente, multibraço, mola helicoidal

Rodas

Dimensões 17 pol
Pneus 225/60 R 17

Dimensões

Comprimento 4,475 m
Largura 1,84 m
Altura 1,67 m
Entre-eixos 2,645 m

Capacidades e peso

Tanque de combustível 60 l
Compartimento de bagagem 505 l
Peso em ordem de marcha 1.505 kg

Desempenho e consumo

Velocidade máxima 186 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 12,2 s
Consumo em cidade ND
Consumo em rodovia ND
Dados do fabricante; ND = não disponível