J6: minivan da JAC muda por fora e evolui por dentro

 

Reforma visual e do painel beneficia o modelo 2014, com
preço comparável ao das nacionais menores e menos potentes

Texto: Fabrício Samahá e Geraldo Tite Simões – Fotos: divulgação

 

Um dos produtos mais interessantes que a chinesa JAC Motors oferece no Brasil, a minivan J6, está de cara nova. Lançada aqui em agosto de 2011 em versões de cinco e sete lugares, ela já ganha uma reestilização que — se não parecia necessária diante da atualidade de suas linhas — veio acompanhada de uma bem-vinda reforma do painel e da adição de conteúdos. Embora tenha maior porte (4,55 metros de comprimento) que o da extinta Chevrolet Zafira, a J6 compete em preço com modelos menores que também têm opção de sete lugares, a Chevrolet Spin e a Nissan Livina/Grand Livina. A versão para cinco pessoas custa R$ 58 mil, e a Diamond para sete, R$ 60 mil.

A renovação externa afetou apenas a frente e a traseira, sem causar dissonância ao que foi mantido do desenho (compare com a anterior). Na dianteira, os faróis (que continuam com refletor elipsoidal para o facho baixo) e a grade formam um conjunto mais integrado e que dá a sensação de maior largura. O mesmo objetivo foi perseguido na traseira, onde as lanternas verticais deram lugar a horizontais e a moldura cromada sobre a placa de licença ligou-se a elas e ao emblema da marca. Os para-choques e as rodas também mudaram, sendo agora oferecidas só as de 16 pol — caíram as de 17 pol, vulneráveis em buracos e que sacrificavam o conforto.

 

 
As mudanças na frente e na traseira buscam a sensação visual de maior largura, mas
o aplique preto no lugar das antigas lanternas causa estranheza em carros claros

 

Um detalhe curioso, que indica ter havido aproveitamento dos para-lamas (uma grande área de chapa que os fabricantes relutam em modificar), é o aplique em plástico preto brilhante que dá continuidade ao vidro traseiro pelas laterais. Ele existe para cobrir a seção antes ocupada pelas lanternas e, se até passa despercebido no carro preto, passa a sensação de adaptação nos veículos de outras cores.

 

É um carro agradável por dentro, com ótimo espaço, mas se precisa recorrer com frequência a altas rotações para obter desenvoltura do motor

 

Ganhos importantes aconteceram no interior, agora com um painel todo redesenhado e superior em desenho e acabamento. Como no J3, os apliques em preto brilhante ajudam na aparência se comparados aos antigos em prata fosco; o volante é novo e traz melhor apoio nas regiões de pega. Os mostradores estão mais refinados, embora a adoção de indicadores digitais para temperatura e combustível não seja um avanço. A JAC aproveitou para acrescentar à minivan fixações Isofix para cadeiras infantis (infelizmente, só na versão de cinco lugares), monitor de pressão dos pneus (alerta em caso de perda de 25%; poderia ser antecipado) e acionamento automático de faróis, mas continuam ausentes computador de bordo e interface Bluetooth para telefone celular, comuns em carros mais baratos.

 

Automática, ainda não

A mecânica da J6 não traz novidades: foi mantido o motor de 2,0 litros e 16 válvulas a gasolina, com potência de 136 cv e torque de 19,1 m.kgf, assim como o câmbio apenas manual. Segundo a JAC, tão cedo não haverá a opção de caixa automática, apesar de muito apreciada em carros familiares como esse, pois a demanda na China não compensa o investimento em sua fabricação. Resta saber por que não usar um câmbio de fornecedor externo, como fazem fábricas mundo afora que também não produzem suas caixas.

 

 

 
O painel melhorou bastante em aspecto e há novos equipamentos; os bancos centrais
têm ajustes individuais de assento e reclinação e, como os traseiros, podem ser retirados 

 

A avaliação da J6 em cidade e rodovia a partir de São Paulo permitiu refrescar as sensações observadas há dois anos no lançamento. É um carro agradável por dentro, com ótimo espaço nos bancos dianteiros e centrais (embora não muito largo para esses passageiros) e acomodação adequada a crianças nos bancos adicionais traseiros, mesmo que os centrais estejam regulados para uma posição longitudinal recuada (esse ajuste, assim como o da inclinação do encosto, é individual para os três ocupantes).

A capacidade de bagagem é de 720 litros com cinco pessoas e 198 com sete, mas chega a 2.200 litros com a remoção de cinco dos sete bancos da Diamond. Caso não se queira retirá-los, os traseiros podem ser rebatidos e presos junto aos centrais. O estepe, do tipo temporário, fica abaixo da carroceria.

Desempenho não é destaque na minivan chinesa, mesmo com motor maior e mais potente que os de Spin e Grand Livina, por conta do elevado peso de 1,5 tonelada, como confirma a aceleração de 0 a 100 km/h em 13,1 segundos. É preciso recorrer com frequência a altas rotações para obter desenvoltura, mas nisso o câmbio com engates precisos e embreagem leve ajuda. A calibração de suspensão obtém bom compromisso entre conforto e estabilidade, com movimentos bem controlados, e a absorção de irregularidades melhorou com os pneus 205/55 R 16, de perfil mais alto que os avaliados antes (215/45 R 17).

 

 
O motor de 136 cv não tem vida fácil diante da 1,5 tonelada da J6, mas a suspensão
está bem calibrada; rodas de 16 pol com pneus 205/55 melhoraram o conforto

 

Um problema grave da J6 — e de difícil solução sem o completo redesenho da carroceria — está nas colunas dianteiras duplas e largas, que comprometem a visibilidade em ângulo, sobretudo no lado do motorista. Se toda minivan padece desse mal, em algumas ele é mais sério e este é um caso típico. Mais fácil de resolver é a questão dos comandos dos vidros: ficaram mais práticos, mas continuam sem sistema antiesmagamento, o que é preocupante em se tratando de um carro para a família. O ideal seria haver função um-toque para todas as janelas com o mecanismo de proteção.

Os equipamentos de série passam por bolsas infláveis frontais, freios com sistema antitravamento (ABS) e distribuição eletrônica de força entre os eixos (EBD), faróis de neblina, ar-condicionado com controle automático e extensão para o banco central, sensores de estacionamento na traseira, espelhos e iluminação nos para-sóis, porta-óculos, volante regulável em altura (não em distância), rádio/toca-CDs com MP3 e entrada USB e controle elétrico dos vidros, travas e retrovisores. Só não tem cinto de três pontos o passageiro do meio do banco central. Continua disponível o revestimento dos bancos em couro aplicado pelas concessionárias, com preço a critério de cada uma.

 

 

A J6 era um bom produto quanto chegou ao mercado, tempo em que ainda havia as boas Zafira e Citroën Xsara Picasso à venda por preços próximos aos dela. Como desde então a concorrência minguou ou mesmo desceu de categoria — caso do produto da GM —, a chinesa se mostra hoje mais competitiva, sobretudo com a boa reforma estética apresentada. Mas que ficaria melhor com uma caixa automática, não resta dúvida.

 

Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4
Diâmetro e curso 85 x 88 mm
Cilindrada 1.997 cm³
Taxa de compressão 10:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima 136 cv a 5.500 rpm
Torque máximo 19,1 m.kgf a 4.000 rpm
Transmissão
Tipo de câmbio e marchas manual / 5
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a disco
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência hidráulica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira independente, McPherson, mola helicoidal
Rodas
Dimensões 16 pol
Pneus 205/55 R 16
Dimensões
Comprimento 4,55 m
Largura 1,775 m
Altura 1,66 m
Entre-eixos 2,71 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 68 l
Compartimento de bagagem 198 l (com 7 lugares), 720 l (com 5 lugares)
Peso em ordem de marcha 1.500 kg
Desempenho
Velocidade máxima 183 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 13,1 s
Dados do fabricante; consumo não disponível