Ford Ka 2019 está preparado para voos mais altos

Versão Titanium, motor 1,5 mais potente e opção de caixa automática trazem novo potencial ao pequeno Ford

Texto: Wagner Gonzalez – Fotos: divulgação

 

O segmento dos compactos é mais amplo do mercado brasileiro (48% das vendas totais), o que justifica uma disputa acirrada entre os fabricantes. Com mais opções, o consumidor pode escolher entre diversos compromissos e encontrar o veículo que mais se adapta a suas necessidades e preferências. Se suas demandas incluem estabilidade das melhores — senão a melhor — da categoria, bom desempenho e a opção de transmissão automática, a linha 2019 do Ford Ka tem uma boa proposta.

O Best Cars havia avaliado em maio sua principal novidade, a versão “aventureira” Freestyle, que traz o novo motor de três cilindros e 1,5 litro e caixa automática de seis marchas, mas a família Ka oferece também o hatch de proposta urbana e o sedã, agora apresentados. E ambos recebem as mesmas melhorias que o Freestyle apresentou.

Lançado em 1996 na Europa e no ano seguinte no Brasil, o Ka está na terceira geração, que já teve 440 mil unidades vendidas mundo afora desde 2014 — a conta passa de dois milhões desde o modelo inicial. Hoje ele é vendido em 125 países. Entre nós é bastante popular: este ano vendeu 47.135 unidades de janeiro a junho, 6% a mais que no mesmo período de 2017, e assumiu a vice-liderança de vendas, atrás apenas do Chevrolet Onix. Não que o pequeno Ford leve vida fácil: ele se alterna nessa posição com o Hyundai HB20.

 

Para-choques mudaram um pouco o visual; versões S, SE (foto maior) e SE Plus oferecem o motor de 1,0 litro; no interior da SE, suporte para celular no painel

 

As linhas do Ka não mudaram muito. A grade trapezoidal teve o desenho suavizado, mantendo-se o emblema da Ford acima dela (no Freestyle ele vem na grade), e há apliques em forma de “C” nos para-choques. Muitas horas de simulação de túnel de vento contribuíram para reduzir o coeficiente aerodinâmico (Cx) de 0,34 para 0,33, melhora de 3%. Para tanto foi aplicado um defletor no assoalho e redesenharam-se as lanternas. As proporções e linhas do Ka garantem um visual mais parrudo que, por exemplo, o do HB20.

 

 

No interior, a grande novidade é a central de áudio Sync 3 nas versões a partir da SE Plus, com tela sensível ao toque de 6,5 pol e integração a celular por Android Auto e Apple Car Play — consegue até exibir na tela o navegador Waze para usuários de IOS. É um item que a Ford demorou a aplicar, em comparação aos concorrentes Onix e HB20. A tela segue o estilo flutuante e há duas tomadas USB de alta corrente (2,5 A).

Também inédito é o acabamento de topo Titanium, que agrega equipamentos não oferecidos até a linha 2018, como bolsas infláveis laterais dianteiras e de cortina, câmera traseira de manobras, chave presencial para acesso e partida e revestimento dos bancos em couro. Sua posição na linha fica logo acima do Freestyle (hatch) e do SEL (agora restrito ao sedã), que desses itens deixam de fora a chave presencial e o couro em partes dos bancos.

 

Versão SE Plus é a mais simples a ter o sistema Sync 3 com tela de 6,5 pol e integração a celular; motor de 1,5 litro e caixa automática estão disponíveis para ela

 

O ponto forte da linha 2019, porém, é a chegada da caixa automática, disponível apenas com o novo motor 1,5. Embora conhecido no Ecosport desde o ano passado, o três-cilindros deixou a procedência indiana para ser fabricado em Taubaté, SP, assim como a nova transmissão manual (a automática vem da China). O motor recém-chegado substitui o Sigma usado até então com amplo acréscimo de potência (de 105/110 cv para 128/136 cv) e de torque (de 14,6/14,9 m.kgf para 15,6/16,1 m.kgf, sempre na ordem gasolina/álcool), sendo este valor máximo constante em uma banda de 3.500 a 5.000 rpm (gasolina) ou 3.000 a 6.000 rpm (álcool).

 

O Ka 1,5 automático mostra funcionamento suave e desempenho muito bom; o Titanium oferece sensação geral atualizada, que deixa Onix e HB20 para trás

 

Com a maior potência específica entre os motores aspirados do segmento (90 cv por litro), o três-cilindros está equipado com variação de tempo de válvulas independente nos comandos de admissão e escapamento (acionados por uma correia banhada a óleo de longa vida útil), coletor de escapamento integrado ao bloco e bomba de óleo com pressão variável, que contribui para economizar combustível. A comparação das curvas de desempenho entre o novo motor e o antigo aponta ganho de potência em toda a faixa de operação (mais acentuado a partir de 5.500 rpm) e melhora consistente em torque, sobretudo abaixo de 2.000 rpm e na faixa entre 3.000 e 4.000 rpm — o Sigma não contava com variação de comandos, o que dificultava bastante a distribuição de torque.

A transmissão automática 6F15, de seis marchas, tem sistema eletrônico de controle hidráulico com sete solenoides. Comparada à antiga automatizada de dupla embreagem da marca (que não chegou ao Ka brasileiro, embora equipasse o similar indiano), a nova caixa consegue multiplicar o torque nas saídas por meio do conversor, o que ajuda bastante na sensação de agilidade. Ela dispensa troca de fluido, mas a troca manual está restrita a um botão na alavanca — não há comandos no volante. Já a caixa manual MX65 de cinco marchas oferece marcha à ré sincronizada e dupla sincronização da primeira até a terceira. A Ford garante que esse conjunto é o mais leve da categoria (30 kg). As versões de 1,0 litro permanecem com o motor de três cilindros lançado em 2014, que já teve mais de 295 mil unidades produzidas.

 

Ka SEL existe apenas como sedã, com motor 1,5 e conteúdo similar ao do hatch Freestyle, mas sem opção de caixa automática; bancos combinam couro e tecido

 

Pela segurança em colisões laterais, a coluna central da carroceria adotou aços mais resistentes e algumas camadas dos pilares e do teto engordaram em até 1,2 mm. A Ford anuncia aumento de rigidez torsional em 5,3% para o hatch e 9,2% para o sedã. Outros ganhos visaram ao conforto, como maior isolamento de ruídos e para-brisa acústico. Na suspensão, as buchas foram refeitas para melhor conforto e menor transmissão de impactos ao volante (redução de 28%) e os amortecedores dianteiros ganharam batente hidráulico, que evita ruídos na distensão rápida, como ao transpor algumas lombadas. As versões de 1,5 litro têm coxim hidráulico para o motor, que atenua sobretudo as oscilações verticais.

 

 

Ao volante do Ka 2019

O Best Cars dirigiu duas versões no autódromo Vello Cittá, em Nova Louzã, na região de Mogi-Guaçu, interior paulista. O Ka SE de 1,0 litro transmite um ar espartano: a pega do volante não é uma maravilha, os plásticos de textura rígida oferecem visual modesto e a pequena aba móvel no centro superior do painel cria um encaixe para instalar o celular com tela de até 5 pol. O rádio de desenho superado vai fazer você ficar de olho nas lojas de equipamentos de áudio e os ajustes dos retrovisores são manuais.

Andar com o Ka 1,0, porém, é perto do tudo de bom para um compacto. A caixa manual com engates suaves e precisos casa muito bem com o motor alegre (apesar de vibrar mais que o desejado), a suspensão firme e a direção ágil. Dá até para esquecer a rusticidade do interior. Um sinal no canto do painel ajuda a economizar combustível ao indicar a hora de trocar de marcha.

 

Inédita no Ka, versão Titanium vem em pacote completo com caixa automática e novos itens como bancos de couro e chave presencial; motor chega a 136 cv

 

O circuito travado do Velo Cittá exalta as qualidades dessa combinação, especialmente se comparado com Onix e HB20, mais macios. Se o Ka SE não recebeu nenhum banho de loja que deixe o observador de queixo caído, ouvidos atentos notarão que o nível de ruído interno diminuiu. Por outro lado, andando em rodovias o barulho do ar-condicionado e o contato com o vento são mais perceptíveis na versão.

No evento os modelos com motor 1,5 estavam todos com caixa automática, que tem funcionamento suave e vem preencher uma lacuna do Ka. Seu desempenho ficou muito bom, com um toque esportivo bem acentuado em relação ao Onix. A versão de topo Titanium é bastante confortável e oferece sensação geral atualizada, que deixa os citados concorrentes para trás. A central de áudio e os bancos de couro contribuem para o ambiente. Como na versão 1,0, os comandos são bem resolvidos em questão de ergonomia. O único senão é o barulho dos indicadores de direção, um “teque-teque” intenso e desagradável, solução apropriada para motoristas que esquecem a luz ligada.

A Ford acertou bem os ponteiros com o Ka 2019. Nascido como um “primo pobre” para o Fiesta, limitado em termos de equipamentos e potência, ele agora tem potencial para alcançar faixas mais altas em seu segmento, além de oferecer a cada vez mais requisitada caixa automática. Ao lado das boas novidades, continua uma das opções que mais agradam a quem realmente desfruta conduzir automóveis.

 

Versões, preços e equipamentos

Ka S hatch 1,0 manual (R$ 45.490)

Ar-condicionado, banco do motorista com ajuste em altura, banco traseiro bipartido, computador de bordo, controle elétrico de vidros dianteiros e travas, direção com assistência elétrica, fixação Isofix para cadeira infantil.

Ka SE hatch 1,0 manual (R$ 46 mil) • Ka SE hatch 1,5 manual (R$ 52 mil) • Ka SE hatch 1,5 automático (R$ 56.490) • Ka SE sedã 1,0 manual (R$ 49.490) • Ka SE sedã 1,5 manual (R$ 55.490) • Ka SE sedã 1,5 automático (R$ 60 mil)

Como no S, mais maçanetas e retrovisores na cor do carro, rádio My Connection com suporte de celular.

Ka SE Plus hatch 1,0 manual (R$ 48.490) • Ka SE Plus hatch 1,5 manual (R$ 54.490) • Ka SE Plus hatch 1,5 automático (R$ 59 mil) • Ka SE Plus sedã 1,0 manual (R$ 52 mil) • Ka SE Plus sedã 1,5 manual (R$ 58 mil) • Ka SE Plus sedã 1,5 automático (R$ 62.490)

Como no SE, mais central de áudio Sync 3 com tela de 6,5 pol e integração a Android Auto/Apple Car Play, controle elétrico de vidros traseiros e retrovisores, faróis de neblina, rodas de 15 pol, sensores de estacionamento na traseira. Para automático: controlador de velocidade.

Ka Freestyle hatch 1,5 manual (R$ 63.490) • Ka Freestyle hatch 1,5 automático (R$ 68 mil) • Ka SEL sedã 1,5 manual (R$ 66 mil)

Como no SE Plus, mais alarme volumétrico, assistente de saída em rampa, bancos de couro e tecido, bolsas infláveis laterais dianteiras e cortinas, câmera traseira de manobras, controle eletrônico de estabilidade e tração, retrovisores com luzes de direção, rodas de alumínio.

Ka Titanium hatch 1,5 automático (R$ 69 mil) • Ka Titanium sedã 1,5 automático (R$ 71 mil)

Como no Freestyle e no SEL, mais bancos de couro, chave presencial para acesso e partida.

Garantia: três anos sem limite de quilometragem.

 

Ficha técnica

Ka S 1,0 hatch Ka Titanium 1,5 hatch
Motor
Posição transversal transversal
Cilindros 3 em linha 3 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo 4, variação de tempo
Diâmetro e curso 71,9 x 81,8 mm 84 x 90 mm
Cilindrada 997 cm³ 1.497 cm³
Taxa de compressão 12:1 12:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 80/85 cv a 6.300 rpm 128/136 cv a 6.500 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 10,2 m.kgf a 3.500 rpm/ 10,7 m.kgf a 4.500 rpm 15,6/16,1 m.kgf a 4.750 rpm
Transmissão
Tipo de caixa e marchas manual, 5 automática, 6
Tração dianteira dianteira
Freios
Dianteiros a disco a disco ventilado
Traseiros a tambor a tambor
Antitravamento (ABS) sim sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira pinhão e cremalheira
Assistência elétrica elétrica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira eixo de torção, mola helicoidal
Rodas
Dimensões 5,5 x 14 pol 6 x 15 pol
Pneus 175/65 R 14 195/55 R 15
Dimensões
Comprimento 3,941 m 3,941 m
Largura 1,695 m 1,695 m
Altura 1,525 m 1,525 m
Entre-eixos 2,49 m 2,49 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 52 l 52 l
Compartimento de bagagem 257 l 257 l
Peso em ordem de marcha 1.033 kg 1.108 kg
Desempenho e consumo (gas./álc.)
Velocidade máxima ND ND
Aceleração de 0 a 100 km/h 14,8 s 10,6 s
Consumo em cidade 13,4/9,2 km/l 11,0/7,8 km/l
Consumo em rodovia 15,5/10,7 km/l 14,2/10,1 km/l
Dados do fabricante; consumo conforme padrões do Inmetro; ND = não disponível