Diesel, 4×4 e conteúdo destacam-se no Jeep Renegade

Jeep Renegade Longitude
Jeep Renegade Longitude
 
Motor E-Torq flexível de até 132 cv foi revisto para ganhar torque
em regimes mais baixos; câmbio automático da versão tem seis marchas

 

O motor flexível em combustível de 1,75 litro e quatro válvulas por cilindro é o conhecido E-Torq fabricado em Campo Largo, PR, pela subsidiária FPT do grupo. No entanto, para o Jeep foi desenvolvida a versão Evo, com alterações para reduzir o consumo em 5% e distribuir melhor o torque — pontos negativos do motor usado pela Fiat em modelos como Strada, Punto, Bravo e Linea. Mudaram cabeçote, pistões, válvulas e os coletores de admissão e escapamento e foi adotado variador do tempo de abertura das válvulas. A taxa de compressão subiu de 11,2:1 para 12,5:1. Curiosa a permanência do anacrônico tanque auxiliar de gasolina para partida a frio.

A potência máxima mantém-se em 130 cv com gasolina e 132 com álcool a 5.250 rpm, mas o torque aumentou (de 18,4 para 18,6 m.kgf com gasolina e de 18,9 para 19,1 m.kgf com álcool) e e alcança seu pico em menor rotação, 3.750 rpm, ante 4.500 da versão usada na Strada. Agora, 82% do máximo estão disponíveis a 1.500 rpm.

O motor turbodiesel é um moderno Multijet II da Fiat italiana, dotado de injeção direta de duto único, turbina de geometria variável e quatro válvulas por cilindro. Desenvolve 170 cv a 3.750 rpm e 35,7 m.kgf a 1.750 rpm, valores dos mais altos já vistos na cilindrada de 2,0 litros por aqui — a picape Volkswagen Amarok com dois turbos tem apenas 10 cv a mais, embora com torque superior. Tanto o câmbio automático de seis marchas do E-Torq quanto o de nove do Multijet admitem mudanças manuais pela alavanca no padrão usual da Fiat, com trocas ascendentes para trás; comandos no volante vêm no Longitude e no Trailhawk.

 

Jeep Renegade Trailhawk

 

Jeep Renegade Trailhawk
Jeep Renegade Trailhawk
 
Suspensão mais alta e pneus mistos equipam o Trailhawk, que vem com
motor diesel e tração 4×4 e difere também no acabamento interno

 

A tração integral das versões a diesel usa um sistema sob demanda, que trabalha com repartição de torque variável entre 100% à frente e 60% á traseira. Versões 4×4 têm ainda subchassi traseiro e o seletor de programas Selec-Terrain com os modos Auto (automático), Snow (neve), Sand/Mud (areia/lama) e Rock (pedra), este apenas na versão Trailhawk. Este Renegade recebe suspensão 20 mm mais alta (para vão livre do solo de 223 mm), placas inferiores de proteção e ganchos vermelhos na frente (dois) e atrás (um), além de pneus de uso misto. A Jeep anuncia para ele bons ângulos de entrada (31,3°), de rampa (22,8°) e de saída (33°) e capacidade de submersão de 48 cm.

 

Impressiona o funcionamento silencioso do
motor a diesel; no fora de estrada,
os buracos e saltos são bem absorvidos

 

Os freios a disco nas quatro rodas contam com sistema antitravamento (ABS) capaz de detectar o uso em pisos irregulares, pelos sensores de velocidade das rodas, e assim usar um controle de pressão diferente para terrenos de menor aderência (em alguns desses pisos é interessante permitir ligeiro bloqueio das rodas, sem o qual o espaço de frenagem se eleva em demasia). O controle de estabilidade inclui um monitor anticapotamento, que analisa a inclinação da carroceria para modular freios e acelerador.

Outra função do sistema é o controle de oscilação de reboque, que monitora o movimento do carro e, se preciso, aplica a pressão alternada dos freios para desacelerá-lo e neutralizar a oscilação induzida pelo reboque. Por sua vez, o controle de velocidade em descidas mantém o ritmo desejado em declives sem ser preciso usar acelerador ou freios. A direção tem assistência elétrica e um sistema de torque ativo: no caso de curva no limite de aderência, o sistema exerce uma força na direção contrária à que o motorista deve girar, tornando o volante mais pesado nesse lado, para induzir o condutor a optar pela trajetória correta.

 

Jeep Renegade Trailhawk
Jeep Renegade Trailhawk
 
Turbodiesel da Fiat italiana fornece 170 cv e 35,7 m.kgf e vem com caixa
automática de nove marchas; note seletor de programas logo à frente

 

Ao volante

No lançamento à imprensa no Rio de Janeiro, RJ, o Best Cars dirigiu três versões: Longitude com motor turbodiesel, a mesma com o flexível (ambas com caixa automática) e a Sport flexível com câmbio manual, as últimas apenas na cidade. O Longitude a diesel começou em meio a um fora de estrada rigoroso. Apesar dos pneus Pirelli Scorpion para asfalto, chamou atenção a capacidade de superar os obstáculos sem alterar o comportamento da direção, que se manteve suave e progressiva. Os controles eletrônicos fazem o papel de encontrar o pneu com melhor aderência para tirar o Jeep dos sufocos, que não foram poucos.

 

 

Impressiona o funcionamento muito silencioso do motor a diesel, mal ouvido de dentro da cabine, sinal de ótimo isolamento acústico — ao custo de um peso exagerado do capô. Mesmo com a suspensão mais urbana da versão, no fora de estrada os buracos e saltos são bem absorvidos e até arriscamos uma aterrissagem forçada sem ninguém bater a cabeça no teto. Se o irmão “bonzinho” passou com sobra nos testes, imaginamos que o Trailhawk fará jus ao nome Jeep, sem o risco de ser chamado de “jipinho da Barbie”.

No asfalto, em trecho sinuoso, o Renegade mostrou-se silencioso e com boa estabilidade. Em nona marcha a 120 km/h o motor gira a apenas 2.000 rpm (calculados; a fábrica informou erroneamente 1.000), mas para entrar a nona é preciso pegar embalo em uma reta longa e aliviar o acelerador. Em contrapartida, a profusão de marchas é perfeita para manter o diesel dentro de sua estreita faixa de melhor rendimento.

 

Jeep Renegade Trailhawk
Jeep Renegade Trailhawk

 

Jeep Renegade Trailhawk
Jeep Renegade Trailhawk
 
Pisos irregulares, torções (também na foto que abre a matéria) e inclinações
acentuadas demonstraram no lançamento sua aptidão fora de estrada

 

O Longitude flexível foi avaliado apenas em trecho urbano. Apesar das melhorias em torque e das seis marchas da caixa, o 1,75-litro ainda parece pequeno para tanta massa (1.440 kg) e precisa ser mantido em alta rotação para fornecer boas respostas. Segundo a FCA, esta deve ser a versão mais vendida. De fato, para uso urbano com viagens eventuais ao sítio, parece-nos a melhor opção por oferecer bom conforto, aspecto de robustez e a opção de teto solar dentro de um padrão de preço razoável.

O contato também rápido com o Sport com câmbio manual causou certa estranheza pelo acabamento, com os bancos de tecido um pouco áspero, mas há itens interessantes de série. Com uma marcha a menos que no automático e tendo de trocá-las com a mão, a sensação de massa demais para torque de menos aumentou. Apesar da embreagem macia e o câmbio muito suave (com um pomo exagerado), o Jeep passou a sensação de um pouco lento nas acelerações e retomadas.

A marca almeja alcançar a liderança do segmento ainda em 2015. Ela não vê o HR-V — de proposta mais urbana — como concorrente direto: a artilharia está apontada mesmo para Ecosport e Duster. Nas versões a diesel o Renegade deve se isolar no mercado, porque as alternativas mais próximas são pelo menos 30% mais caras. Já as flexíveis, pelo que pudemos perceber, podem dar um bom calor em seus adversários pela combinação de identidade visual, bons conteúdos de série e opcionais e qualidades dinâmicas — apesar do motor que deixa um pouco a desejar —, sem falar no apelo da marca Jeep, um longevo ícone no mundo fora de estrada.

Mais Avaliações

 

Os outros Renegades

 

Jeep CJ-7 Renegade 1975
Jeep Renegade conceito 2008

 

O nome do novo Jeep pode ser traduzido como renegado ou mesmo traidor, mas é definido pela fábrica como ousado, rebelde, que segue o próprio caminho. Ele não é novo na Jeep: apareceu em 1970 em uma versão do CJ (à esquerda) nos Estados Unidos, oferecida até 1983, e retornou entre 1991 e 1993 como opção de seu sucessor Wrangler. Depois disso, no Salão de Detroit de 2008, essa divisão da Chrysler revelou o jipe com ar esportivo Renegade (à direita), que usava mecânica híbrida, com um motor turbodiesel de 1,5 litro e 115 cv somado a dois elétricos de 134 cv cada. Em 2010 houve também uma versão Renegade do Liberty, modelo vendido aqui como Cherokee.

 

Ficha técnica

Longitude 1,75 flexível

Trailhawk 2,0 turbodiesel

Motor

Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas no cabeçote duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo 4
Diâmetro e curso 80,5 x 85,8 mm 83 x 90,4 mm
Cilindrada 1.747 cm³ 1.956 cm³
Taxa de compressão 12,5:1 16,5:1
Alimentação injeção multiponto sequencial injeção direta, turbocompressor, resfriador de ar
Potência máxima 130 cv (gas.)/132 cv (álc.) a 5.750 rpm 170 cv a 3.750 rpm
Torque máximo 18,6 m.kgf (gas.)/19,1 m.kgf (álc.) a 3.750 rpm 35,7 m.kgf a 1.750 rpm

Transmissão

Tipo de câmbio e marchas automático / 6 automático / 9
Tração dianteira integral

Freios

Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a disco
Antitravamento (ABS) sim

Direção

Sistema pinhão e cremalheira
Assistência elétrica

Suspensão

Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira independente, McPherson, mola helicoidal

Rodas

Dimensões 7 x 17 pol
Pneus 215/60 R 17

Dimensões

Comprimento 4,232 m
Largura 1,798 m
Altura 1,705 m 1,725 m
Entre-eixos 2,57 m

Capacidades e peso

Tanque de combustível 60 l
Compartimento de bagagem 260 l
Peso em ordem de marcha 1.440 kg 1.674 kg

Desempenho e consumo

Velocidade máxima 179 km/h (gas.)/181 km/h (álc.) 190 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 12,6 s (gas.)/11,5 s (álc.) 9,9 s
Consumo em cidade ND 12,3 km/l
Consumo em rodovia ND 15,9 km/l
Dados do fabricante; ND = não disponível