Q7, Range Rover e XC90: valem quanto pesam?

Q7
Q7
Range Rover
Range Rover
XC90
XC90

 

Ótimos faróis nos três, com lâmpadas de xenônio no Audi e no Range Rover e leds no Volvo; todos têm correção automática de altura do facho

 

O alemão e o sueco são também devoradores de rodovias. Quem fizer de conta que está em uma Autobahn — as rodovias alemãs com alguns trechos ainda ilimitados em velocidade — os terá perfeitamente nas mãos. O Vogue fica atrás nesse aspecto: em trechos ondulados ou mudanças de direção em velocidade, a suspensão macia permite mais movimentos do que o ideal, mesmo que com o hábito se ganhe confiança.

 

 

O Best Cars é um site de automóveis, não de jipes, razão pela qual os carros não foram levados ao fora de estrada. Se o fossem, supõe-se que o Range Rover teria os melhores resultados ao associar reduzida, suspensão a ar com altura regulável, seletor de tipos de terrenos e até o citado sensor de profundidade da água. Afinal, mesmo que poucos compradores venham a explorá-la, a marca tem na capacidade para todo terreno um de seus baluartes.

As rodas traseiras esterçantes também beneficiam o Audi no uso urbano: a até 60 km/h apontam para o sentido oposto ao das dianteiras a fim de reduzir o diâmetro de giro: ele retorna em 11,4 metros, espaço típico de carro médio, bem menos que os concorrentes. Sua assistência de direção revela o melhor acerto: a do Range Rover poderia ser mais leve em cidade — seria intencional para dar impressão de carro parrudo, forte? — e a do Volvo fica algo pesada em curvas em modo Power, sem atingir a comunicação com o piso oferecida pelo alemão. Todos estão bem dotados de freios, com grandes discos que dissipam altas velocidades com rapidez e assistência de frenagem de emergência.

 

Q7
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Range Rover
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XC90
XC90

 

Em segurança ativa, sobretudo pela potência de frenagem, ou passiva, três modelos que representam o máximo do empenho de seus fabricantes

 

O XC90 traz faróis de leds; o Q7 e o Vogue, de xenônio (há opção de leds para o Audi), sempre para ambos os fachos e muito eficientes. Luzes diurnas com leds, faróis e luz traseira de neblina, ajuste automático de altura do facho, repetidores laterais das luzes de direção e retrovisores amplos (biconvexo no caso do esquerdo do Volvo) também constam dos três modelos. A visibilidade é ampla, com colunas dianteiras moderadas para os padrões de hoje.

 

No fora de estrada esperam-se do Range Rover os melhores resultados, com reduzida, suspensão regulável, seletor de terrenos e até sensor de profundidade da água

 

Como recursos adicionais de segurança, o Audi vem com sistema Pre-Sense que monitora o tráfego adiante. Em caso de risco de perda de controle, os cintos são tensionados e vidros e teto são fechados. Se a câmera detecta possível colisão frontal o motorista é alertado e, caso não reaja rapidamente, o carro inicia frenagem automática. Há ainda frenagem pós-colisão, que pretende evitar que o carro acidentado continue a se mover pela pista sem controle, com risco de novo impacto. E o alerta de desembarque monitora as laterais com motor desligado, para detectar veículos que poderiam colidir com a porta ao ser aberta — se houver risco, leds piscam e a ação das maçanetas pode ser inibida ou adiada.

Os itens de segurança passiva são de primeiro nível nos três: bolsas infláveis frontais, laterais dianteiras e de cortina, encostos de cabeça e cintos de três pontos para todos os ocupantes, fixação Isofix para cadeira infantil.

Próxima parte

 

Comentário técnico

 

Audi-Q7-TDI-tecnica-1
Audi Q7 tecnica

Raio X do Q7 TDI e o sistema que esterça as rodas traseiras: sentido pode acompanhar o das dianteiras ou ser o contrário, conforme a velocidade

 

• O motor V6 turbodiesel do Range Rover é uma das unidades herdadas do tempo em que a Land Rover esteve sob controle da Ford (pertence desde 2008 ao grupo indiano Tata). O 3,0-litros e sua versão 2,7 foram desenvolvidos entre a Ford e a PSA Peugeot Citroën, lançados de 2004 em diante e também aplicados a sedãs da Jaguar. Ele usa dois turbocompressores paralelos com geometria variável. No Q7 está o V6 lançado em 2010 e amplamente revisto para esta segunda geração.

• O quatro-cilindros de 2,0 litros do XC90 é da família apresentada em 2013, sempre dotada de turbo e injeção direta, mas com diversos patamares de potência: 190, 220 ou 245 cv apenas com o turbo, 302 ou 320 cv com o auxílio de compressor Roots. A combinação de compressor e turbo é rara na indústria: entre os raros casos houve um motor de 1,4 litro do grupo Volkswagen, que chegou ao Brasil no Audi A1, e o 1,8-litro do Lancia Delta S4, usado em rali nos anos 80 e em sua versão de rua para homologação.

• O novo Q7 recebe a arquitetura MLB Evo (Modularer Längsbaukasten, matriz modular longitudinal em alemão), a mesma dos novos A4, A5 e A8, do Bentley Bentayga e do novo Porsche Cayenne. Para expressiva redução de peso (até 325 kg de acordo com a versão) foi empregado alumínio em todos os painéis de carroceria, nas portas completas, em algumas partes estruturais e da suspensão e até no pedal de freio — o material responde por 41% do carro. O Range Rover passou em 2013 pelo mesmo processo: alumínio em toda a estrutura e a carroceria eliminou 180 kg, que alcançam 350 kg no peso total do carro com o mesmo motor.

• A tração integral permanente da Audi, dotada de diferencial central, atua com 40% do torque enviado às rodas dianteiras e 60% às traseiras em condições normais, mas pode passar a 70:30 ou 15:85 de acordo com as necessidades. No Range Rover a divisão-padrão é de 50% para cada eixo, também variável, e existe reduzida na transmissão — que pode ser acionada em movimento a até 60 km/h.

• Primazia do Q7 na categoria, o sistema de rodas traseiras esterçantes atua de duas maneiras. Até 60 km/h essas rodas podem esterçar em até 5 graus no sentido oposto ao das dianteiras, o que reduz o diâmetro de giro em 1 m. Em velocidades mais altas seu esterçamento vai até 3,5 graus no mesmo sentido das dianteiras, a fim de aumentar a capacidade de curva e de manobras evasivas e reduzir a possibilidade de a traseira “escapar”. O acionamento das rodas é elétrico.

 

 

XC90: recarga externa

Recarga do XC90, que requer tomada aterrada de 230 volts, pode levar até seis horas
Recarga do XC90, que requer tomada aterrada de 230 volts, pode levar até seis horas

O XC90 T8 foi o primeiro carro híbrido que avaliamos com a capacidade de recarregar a bateria em tomada externa (plug-in). A conexão do carregador é feita no para-lama dianteiro esquerdo: uma vez acoplado, ele permanece travado até que o carro seja destrancado. Uma luz indica se a recarga está ocorrendo, foi concluída ou se há algum problema.

Para recarregar a bateria de 400 volts e 9,2 kWh é necessária uma tomada de 230 volts com aterramento — sem ele, o sistema rejeita a corrente. O tempo de recarga completa varia conforme a corrente disponível: com 6A requer seis horas; com 10A, três horas e meia; com 16A, duas horas e meia. Mas a bateria nunca descarrega por inteiro para se preservar. No Brasil o carregador é adaptado para o padrão de três pinos largos para alta corrente. Os compradores recebem consultoria especializada para eventuais adaptações na residência ou condomínio, que são custeadas pela Volvo — só não está incluso o carregador de alta capacidade existente em algumas estações.

Ninguém deixará de usar o sistema híbrido, porém, por falta de tomada apropriada. Na tela do painel estão os comandos Hold (retenção), que deixa de consumir a carga existente; e Charge (carregar), que usa o motor a combustão para carregar a bateria, sem falar na energia obtida com regeneração. Assim, pode-se chegar com certa carga a uma zona restrita a carros elétricos ou qualquer local em que se queira rodar sem emissões.

Próxima parte