Jeep Compass vs. VW Tiguan: utilitário ou esportivo?

Desenho mais arredondado no Jeep e um tanto anguloso no Volkswagen; ambos têm rodas de 19 pol nessas versões, mas o segundo busca apelo mais esportivo

 

Concepção e estilo

As histórias dos dois SUVs são, até certo ponto, semelhantes. O Compass surgiu nos Estados Unidos em 2006, com um desenho discutível, e veio ao Brasil em 2012. O Tiguan existe na Europa desde 2007 e chegou aqui dois anos depois. Os modelos atuais nasceram no mesmo ano, 2016, sendo o Jeep produzido em Goiana, PE, e o Volkswagen trazido de Puebla, México.

O desenho é um destaque do Compass, com linhas agradáveis e modernas, mas simples o bastante para não cansarem rapidamente. Embora com linhas corretas, o Tiguan poderia mostrar mais inspiração, sobretudo na frente um tanto quadrada. Rodas de 19 polegadas buscam um ar mais esportivo nos dois, enquanto a altura de rodagem e o perfil dos para-choques evidencia a aptidão fora de estrada do Jeep em versão 4×4. Curioso no Volkswagen a traseira simular saídas de escapamento, deixando escondidas as duas verdadeiras.

Apenas o Tiguan tem divulgado seu coeficiente aerodinâmico (Cx) de 0,343, muito bom para o tipo de carro. Nele os vãos de carroceria são menores, mas bem regulares nos dois carros.

 

O Compass é bom em acabamento, espaço e posição de dirigir; os instrumentos comuns incluem mostrador digital multifunção; couro pode variar entre três tons

 

Conforto e conveniência

O interior bem-acabado de ambos usa bons plásticos e couro nos bancos, que no Compass Limited oferece um agradável tom cinza bem claro — há opção pelo caramelo e o preto, este o padrão no concorrente. Como na parte externa, suas formas são mais leves e arredondadas que as retilíneas do Tiguan.

 

 

É fácil encontrar conforto ao volante desses SUVs, com banco amplo e bem definido em forma e densidade. O do motorista tem ajustes elétricos, incluindo apoio lombar, com três memórias de posição no Tiguan. Este traz quadro de instrumentos em tela digital que admite configurações, como mostrar o mapa de navegação no centro e reduzir os dois principais mostradores para ampliar o espaço do mapa. As opções não são tantas quanto em outros Volkswagens, que chegam a eliminar tais mostradores. Seu computador de bordo armazena três medições (desde partida, desde abastecimento e desde que foi zerado) ante duas do rival. Os dois indicam a pressão de cada pneu, mas o Compass informa também tensão da bateria e temperaturas do óleo do motor e do fluido de transmissão.

Há grande número de conveniências em comum, que incluem alarme volumétrico, alerta programável para excesso de velocidade, assistentes de descida (acionado por botão no Compass e pelos modos de condução Offroad no Tiguan) e para estacionamento, chave presencial para acesso e partida, controlador de distância à frente, comando a distância para abrir e fechar vidros e teto solar (que é de grandes dimensões), difusor de ar para o banco traseiro, espelho interno fotocrômico, faróis e limpador de para-brisa automáticos, freio de estacionamento elétrico, limitador de velocidade, para-sóis com espelhos iluminados, quatro luzes de leitura, retrovisores com luz de cortesia e rebatimento elétrico e vidros traseiros que baixam por inteiro.

 

Instrumentos do Tiguan são uma tela configurável; banco da segunda fila é melhor que o do rival em espaço para pernas e conforto no meio, mas terceira fila deixa a desejar

 

O Compass traz ainda assistentes de faixa e de faróis, monitor de veículos em ponto cego, partida do motor a distância e tomada de 230 volts para os passageiros de trás. A favor do Tiguan estão aquecimento nos bancos dianteiros, ar-condicionado com três zonas de ajuste (duas no Jeep), câmeras ao redor que formam imagem de 360 graus (o rival tem apenas sensores ao redor e câmera traseira), mesinhas nos encostos dianteiros, monitor frontal com frenagem automática, navegador, retenção automática nas paradas, seleção de perfil do motorista (armazena suas preferências) e soleiras de porta que se mantêm limpas, evitando sujar a calça do ocupante ao sair.

 

Em compartimento de bagagem a vantagem do Tiguan é, literalmente, grande: com cinco pessoas cabem expressivos 686 litros, mais 67% que os 410 do Compass

 

Muito boas são as centrais de áudio com tela de 8,4 pol (Compass) ou 8 pol (Tiguan), integração a celular por Android Auto e Apple Car Play e conexões USB e auxiliar. Têm alta qualidade sonora, com destaque para os graves no Jeep. O Volkswagen oferece duas entradas de cartão SD e até um toca-CD para os saudosistas.

O que poderia ser melhor: não há faixa degradê no para-brisa e o espaço para objetos é apenas regular. No Tiguan o forro do teto deixa passar certa luz e calor solar. No Compass os sensores de estacionamento emitem som exagerado, que não cessa (no caso dos dianteiros) mesmo após colocar a transmissão em D e acionar o freio; os comandos de áudio atrás do volante podem confundir quem não está habituado; o ar-condicionado demora muito a começar a resfriar a cabine e, no computador de bordo, a indicação de autonomia varia em excesso conforme o modo de dirigir (parece considerar um período curto para o cálculo, diferente do usual no mercado).

 

Bem mais longo, o Tiguan vence por larga margem em espaço para bagagem: 686 litros com banco da segunda fila rebatido ante apenas 410 do Compass

 

Os dois modelos são espaçosos para quatro pessoas, com ampla acomodação para cabeça e largura razoável para três no banco da segunda fila. O vão muito bom para pernas se torna excelente no Tiguan caso o assento seja regulado para trás. Ele é também mais cômodo para o passageiro central. Contudo, naquilo que o diferencia em sua classe — a terceira fila de bancos — ele decepciona: só cabem crianças, ainda assim com espaço mínimo para pernas, assoalho alto demais e acesso difícil.

Em compartimento de bagagem a vantagem do Tiguan é, literalmente, grande. Com sete lugares ele transporta apenas 216 litros, mas com cinco pessoas cabem expressivos 686 litros, ganho consistente (67%) sobre os modestos 410 do Compass. Nos dois a tampa traseira tem acionamento elétrico, que no Volkswagen pode ser acionado por movimento do pé sob o para-choque. O banco da segunda fila é bipartido (todo no Tiguan, só o encosto no rival) e ambos usam estepe temporário em montagem interna.

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