Uno vs. March vs. Etios: comodidade sem gastar muito

Uno
Uno
March
March
Etios
Etios

 

Os três desenhos acumulam bons anos de mercado, mas o Etios os deixa mais à mostra; os outros ganharam mudanças frontais, mais extensas no March

 

Concepção e estilo

March e Uno são nomes contemporâneos, usados pela primeira vez na década de 1980. O Nissan (chamado de Micra em mercados como o europeu) surgiu no Japão em 1982 e mudou de geração três vezes até chegar à que temos aqui, lançada em 2010 e nacionalizada em 2015. No último Salão de Paris foi apresentado seu sucessor, que pode vir ao Brasil em segmento superior. O Uno teve apenas duas gerações: a de 1983 na Itália, que produzimos entre 1984 e 2013, e a atual, projeto local à venda desde 2010. Por sua vez, o Etios apareceu na Índia em 2010 e dois anos mais tarde no Brasil.

Seria improvável você se apaixonar pelo estilo deles, seja o arredondado March, o Uno — retilíneo com cantos arredondados — ou o mais antiquado Etios, mas são carros de proposta despretensiosa o bastante para deixar esse aspecto de lado. Também não brilham em aerodinâmica: o Nissan, que talvez seja o mais favorável deles ao fluxo do ar, é o único a ter o coeficiente (Cx) divulgado: razoável 0,33. Os vãos entre painéis de carroceria são grandes nos três, o que sinaliza baixo custo de produção, e mais regulares no Etios e no March.

 

Uno
Uno
March
March
Etios
Etios

 

O Nissan é curvilíneo, o Fiat tem cantos arredondados e o Toyota fica no meio-termo; apenas o primeiro foi vendido em diversos mercados desenvolvidos

 

Conforto e conveniência

Os interiores deixam claro que são modelos do segmento de entrada, com muito plástico rígido e algumas falhas de acabamento, apesar da busca de um aspecto mais elaborado por meio de apliques em preto brilhante ou prata. No Etios é usado revestimento de couro no volante (só plástico nos outros) e nos bancos, em que os demais recebem tecido, mais refinado no March que no Uno.

 

Após quatro anos de desaprovação, a Toyota enfim descartou os mostradores em forma de arco — de leitura desfavorável — em favor de um quadro mais bonito e fácil de ler

 

A contenção de custos pode ser vista — ou sentida — também pelos bancos compactos, com pouco apoio lateral e para as coxas e encosto delgado. Os piores são os do Nissan, que cansam em pouco tempo: precisam ser reformulados com urgência. Estranham-se nele também o ajuste do volante (muito duro para liberar e que o faz “desabar” em seguida), a posição do encosto ser mantida ao regular a altura do assento e uma calombo no assoalho bem onde se apoia o calcanhar para acelerar, o que deixa a posição antinatural. No Etios incomoda o apoio ao pé esquerdo muito vertical. De resto o motorista tem condições aceitáveis, com regulagem de altura para assento e volante e pedais bem colocados, embora mais à direita. Os três usam reclinação do encosto em pontos predefinidos.

Uno e March trazem quadros de instrumentos analógicos no lugar tradicional, ao passo que o Etios aposta em mostradores digitais no centro do painel. Após quatro anos de intensa desaprovação pelo público e pela imprensa, a Toyota enfim descartou os mostradores em forma de arco — de leitura desfavorável e imprecisa, sobretudo a do velocímetro — em favor de um quadro mais bonito e fácil de ler, embora congestionado; ele ganhou ainda computador de bordo e termômetro do motor, presentes nos rivais. A parte direita pode ser configurada para exibir conta-giros, computador e histórico de consumo, entre outros. Ruim no March a seleção de funções do computador pelo botão do hodômetro.

 

Uno
Uno
March
March
Etios
Etios

 

Interiores simples em materiais, com algum cuidado em tons e apliques para melhorar o aspecto; no Etios o quadro de instrumentos central enfim evoluiu

 

Etios e March oferecem sistema de áudio com telas táteis de 7 e 6,2 polegadas, na ordem. O do Nissan executa aplicativos via internet (conexão obtida com modem USB ou roteamento do telefone celular), de modo que programas de música, acesso à rede, navegação (incluindo Waze) e outros podem ser usados sem depender do telefone. A ideia é boa, mas o aparelho deveria ser mais rápido, até mesmo para começar a executar músicas. O do Toyota tem integração a celular pela plataforma Mirror Link e executa vídeos. Ruim a ausência de botões físicos, a ponto de só se ajustar o volume pelo comando do volante.

 

 

Simplório em comparação é o rádio do Uno, cuja tela monocromática nos leva de volta aos anos 90. Interface Bluetooth para telefone, conexões USB e auxiliar (duplicadas no March) e comandos no volante estão em todos; toca-CDs foi abolido no Etios, que tem ainda entrada de cartão SD. Embora sejam todos modestos em qualidade sonora, o Toyota deixa mais a desejar por ter alto-falantes apenas na frente. Só no Fiat pode-se usar o aparelho com a ignição desligada.

 

Uno

Uno

 

O Uno é razoável em bancos dianteiros e posição de dirigir, mas tem o espaço mais compacto para os passageiros de trás

March
March

 

Bancos mal conformados cansam rápido no March; atrás, espaço adequado e falta de encosto de cabeça e cinto de três pontos para o ocupante central

Etios
Etios

 

Etios é o único a trazer bancos de couro; motorista-se acomoda-se melhor que nos outros; espaço traseiro equivale-se ao do March

 

Detalhes favoráveis ao Uno são alarme antifurto volumétrico (proteção por ultrassom), alerta programável para excesso de velocidade, auxílio para saída em rampa, controle elétrico de vidros com função um-toque para todos (apenas para descer o do motorista nos rivais) e comando a distância para abrir e fechar, espelho convexo para acompanhar crianças no banco traseiro, indicador de horas de uso do motor, porta-óculos (dois) e sensores de estacionamento na traseira.

O March responde com câmera traseira para manobras, controle automático de ar-condicionado, regulagem de intervalo do limpador de para-brisa e vidros traseiros que descem por inteiro. A favor do Etios, apenas controlador de velocidade e extensão do ar-condicionado para o porta-luvas.

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