Clube dos 300: Audi TT, Camaro, Mustang e F-Type

Os norte-americanos inspiram-se nos anos 60, enquanto os europeus são decididamente modernos; os quatro esbanjam charme e esportividade

 

Concepção e estilo

Mustang e Camaro estão entre os melhores representantes da tradição norte-americana em carros esporte. O Ford existe desde 1964 e está na sexta geração, lançada em 2014 por lá e finalmente importada pela marca este ano. O Chevrolet surgiu justamente como resposta a ele, em 1966, e deixou o mercado em 2002 para voltar em 2009. O Brasil recebeu tanto aquela quinta geração quanto a atual sexta, lançada em 2015 por lá e no ano seguinte aqui.

Os europeus são mais recentes. O TT existe desde 1998 e chegou em 2014 a esta terceira geração; todas foram vendidas em nosso mercado. O F-Type, com nome — e de alguma maneira o estilo — que sugere um sucessor ao E-Type das décadas de 1960 e 1970, apareceu também em 2014 como cupê, um ano após o conversível.

 

Aerofólio é parte integrante do estilo, salvo no Jaguar, no qual se destaca em velocidade; tampa do TT lembra carros de corrida; três dos capôs têm saídas de ar funcionais; maçanetas do F-Type aparecem ao destravar as portas e depois se retraem

 

As soluções de estilo variam da evidente nostalgia dos norte-americanos ao jeito mais moderno dos europeus, mas se pode dizer que Ford e Chevrolet encontraram boa combinação entre detalhes do passado e o aspecto dos dias de hoje. No Jaguar chama atenção a cabine compacta em comprimento (é o único dois-lugares no grupo) e largura, apesar do grande volume dos para-lamas traseiros. Seu capô abre-se para frente e leva parte dos para-lamas, além de contar com mecanismo de elevação no caso de atropelamento, para atender ao padrão europeu de espaço acima de componentes indeformáveis. Os capôs trazem saídas de ar funcionais, salvo o do Audi.

 

 

O F-Type parece não ter aerofólio traseiro, até que a 112 km/h um mecanismo eleva o defletor, mantido assim até a velocidade cair de 80 km/h (pode-se deixá-lo sempre elevado, mas não sempre recolhido). Sua importância aerodinâmica é tal que, em caso de falha no acionamento, a velocidade máxima fica limitada a 217 km/h em vez de 250 km/h. Outra particularidade desse inglês está nas maçanetas retráteis das portas, que se destacam quando elas são destravadas, mantendo um aspecto mais limpo no restante do tempo. No Mustang são interessantes as lanternas com dupla função — luz vermelha e o âmbar de direção na mesma parte. O TT esbanja charme na tampa do tanque com aparência metálica e inspiração em antigos carros de corrida.

Em coeficiente aerodinâmico (Cx) é clara a vantagem do Audi, com 0,32, ante 0,354 do Ford, 0,36 do Jaguar e 0,39 do Chevrolet, típico de carros de outros tempos. TT, Mustang e F-Type mostram vãos de carroceria estreitos e bem regulares, indicação de qualidade na fabricação. Os do Camaro são maiores e variam entre as partes da mesma peça.

 

Acabamento luxuoso sobressai no Jaguar, seguido pelo Audi em aspecto de materiais; este usa o quadro de instrumentos para áudio e navegação, sem tela central

 

Conforto e conveniência

Se um deles sobressai no ambiente interno, é o F-Type: os revestimentos de couro ou similares no painel, nas portas e no console e a camurça sintética do teto são suaves ao toque e transmitem um ar sofisticado, típico da marca inglesa e bem superior aos demais, acentuado pelo chamativo couro vermelho dos bancos do carro avaliado. O TT impressiona bem, com bons plásticos e um pouco de camurça sintética nas portas e no volante em combinação ao couro, mas em uma cabine esportiva e não requintada — que o diga o botão de partida vermelho no volante. Os outros dois usam materiais mais simples, abaixo do esperado nessa faixa de preço.

 

Os estilos variam da nostalgia dos norte-americanos ao jeito moderno dos europeus, mas Ford e Chevrolet combinam bem passado e presente

 

A categoria abre espaço para detalhes elaborados e criativos, como os difusores de ar do Camaro (centrais) e do TT, inspirados em turbinas de avião, e os ajustes de ar-condicionado do Audi, que usam o centro dos próprios difusores. Ainda em saídas de ar, no F-Type as centrais ficam ocultas e se erguem ao ligar a ventilação; seu porta-luvas é aberto por um botão mais acima no painel. Ao destravar a porta, o TT emite no solo a inscrição luminosa Audi Sport e o Mustang faz o mesmo com o logo do cavalo; ao abrir, o Camaro destaca seu nome na iluminação da soleira. No Ford o painel elevado diante do passageiro faz simetria ao lado do motorista. A iluminação interna admite muitas cores, salvo no Audi, e nenhum tem moldura nas janelas das portas.

 

Ótimos bancos dianteiros com ajuste elétrico nos quatro, embora falte regulagem lombar a dois deles; atrás, espaço ínfimo no TT e, como no Mustang, cabeças sob o vidro

 

O motorista senta-se nos quatro em posição esportiva, bem baixa, sendo claramente mais recuada nos três modelos de tração traseira. Os bancos são bem desenhados, firmes e com ótimo apoio lateral para curvas. Em todos eles os dianteiros têm ajuste elétrico; no F-Type não se regula a inclinação do assento e nele, como no Camaro, o apoio lombar é fixo e poderia ser mais intenso. Apenas no TT pode-se ajustar esse apoio também em altura, além de regular manualmente a seção sob as coxas. Duas memórias de posição são restritas ao Chevrolet. O Jaguar é único na regulagem elétrica do volante, mas seu volumoso túnel central de transmissão deixa os pedais mais deslocados à esquerda do que nos outros.

 

 

Ter o cinto de segurança à mão é sempre um problema em carros de duas portas. A Ford colocou alças nos bancos aos quais se pode passar o cinto, também úteis para evitar que a faixa superior fique muito alta, roçando no pescoço. A Chevrolet preferiu prender o cinto ao banco, péssima ideia para os passageiros de trás: tornam-se armadilhas à espera de derrubá-los ao entrar e sair. No Audi a faixa superior ficou baixa, mesmo para um motorista de 1,75 metro de estatura.

Ford e Audi aderiram a quadros de instrumentos em tela configurável de alta resolução, que permite exibir instrumentos em variados arranjos com ótima leitura. Pode-se escolher no Mustang o tipo de escala do conta-giros, e no Audi, deixá-lo no centro ou deslocá-lo para dar espaço ao mapa de navegação, entre outras opções. O TT oferece ainda mostradores de pressão de turbo, temperatura de óleo e percentual em uso de potência e torque. Neles e no Camaro existem indicações de força g em gráfico e do tempo de volta em circuito; no Ford e no Chevrolet, tempo de aceleração de 0 a 100 km/h e pressão do óleo do motor, entre outras.

 

Instrumentos em tela configurável no Audi e no Ford; o Chevrolet permite ajustar a parte central; o Jaguar oferece muito menor quantidade de informações

 

O Mustang fornece ainda espaços de frenagem, voltímetro, relação ar-combustível, vácuo da admissão e temperaturas do cabeçote e do ar admitido, enquanto o Camaro informa percentual de vida útil do óleo lubrificante, temperatura do fluido da transmissão, voltímetro e alerta para temperatura excessiva dos pneus. O Chevrolet admite configurar o mostrador central entre três modos e muitas funções, enquanto o do Jaguar é bastante limitado em opções. Dos computadores de bordo com duas medições, o do Ford falha por informar consumo em litros por 100 km, não em km/l.

Todos estão bem servidos de sistemas de áudio, tanto pela qualidade sonora (o do Mustang nos pareceu o melhor para quem gosta de graves) quanto pela interface, e incluem navegador. A tela central mede 10 polegadas no F-Type e 8 pol no Mustang e no Camaro — a qual fica inclinada para baixo, estranha ao toque. O TT usa a tela dos instrumentos para exibir navegador e informações de áudio (o que deixa o passageiro sem vê-las) e os controles ficam no console, o que apreciamos. Um deles, um grande botão, traz na parte superior um painel de toque no qual se podem desenhar números e letras com o dedo, útil para escolher uma emissora de rádio ou CEP para navegar, por exemplo. Integração a celular por Android Auto e Apple Car Play, duas entradas USB e interface Bluetooth estão em todos; o Audi tem toca-CDs e entradas para cartão SD.

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