De cara nova, C4 Lounge poderia ter evoluído mais

Remodelado na frente e no painel, sedã continua bom de dirigir, mas o que mudou não convence plenamente

Texto: Fabrício Samahá e José Geraldo Fonseca – Fotos: divulgação

 

Carros precisam mudar de tempos em tempos, dita a lei do mercado. Se cada geração dura em torno de oito anos — no Brasil algumas se prolongam por décadas, mas isso é exceção —, é inevitável uma reestilização no meio do caminho, ocasião em que se alteram partes da carroceria e do interior sem grandes e onerosas intervenções. Para o Citroën C4 Lounge, esse momento é agora.

 

 

O sedã médio lançado em 2013 chega à linha 2019 com frente remodelada, novo quadro de instrumentos e outra interface para o sistema de áudio. As versões passam a seguir o padrão iniciado pela Aircross há dois anos: Live, Feel e Shine em vez de Origine, Tendance e Exclusive, na ordem — veja os preços e equipamentos de cada versão no quadro abaixo. A primeira delas é restrita a vendas diretas a pessoas jurídicas e pessoas com deficiência (PCD), caso em que o preço abaixo do teto de R$ 70 mil permite isenção de IPI e ICMS. Como antes, todo C4 Lounge usa motor THP turbo de 1,6 litro com injeção direta, mas a transmissão automática de seis marchas passa a ser padrão — desaparece a manual, ao menos por enquanto.

A nova frente é a mesma lançada no ano passado no C4 L chinês, desenvolvida em cooperação entre América Latina, China e Europa, de acordo com a fábrica. Novos são o para-choque, a grade e os faróis, que na versão de topo Shine usam leds para todas as funções. Não foi preciso alterar capô ou para-lamas, pois os novos elementos se encaixam nos recortes dos anteriores. Os faróis de neblina servem também como facho para curvas. A traseira recebeu apenas lanternas com leds, que preservam o formato, e as rodas foram refeitas. Como ficou? A impressão inicial divide opiniões, mas, se o objetivo era transmitir ousadia e modernidade, foi alcançado.

 

Nova frente do C4 Lounge divide opiniões, mas consegue ar ousado; faróis da versão Shine usam apenas leds, assim como as lanternas traseiras

 

As novidades por dentro concentram-se em dois elementos. O quadro de instrumentos, antes com três módulos circulares, agora usa um retângulo digital monocromático com mostradores numéricos (velocímetro, marcha em uso, computador de bordo) e outros em barras (conta-giros, combustível, temperatura). Foi adotado um indicador de condução econômica, que acende mais barras de leds quanto mais se acelera.

O outro ponto modificado é a interface do sistema de áudio e navegação: a tela de sete polegadas passa a ser capacitiva e comandada por toques na tela, até mesmo com o movimento de ampliar o mapa com dois dedos. O controle de ventilação e ar-condicionado passou à mesma tela, o que eliminou quase todos os botões físicos do sistema anterior. Como sabe o leitor habitual, não gostamos dessa solução: por mais que sejam tendência, telas de toque requerem que se desvie mais atenção do trânsito que botões de girar. Vantagem do novo sistema é a integração a celular por Android Auto, Apple Car Play e Mirror Link, que o C4 estava devendo.

 

A tela de sete polegadas passa a ser comandada por toques, o que inclui controles de ventilação e ar-condicionado: eliminaram-se quase todos os botões físicos

 

Na parte mecânica, a única novidade é a função Eco para a caixa automática Aisin de seis marchas, que produz mudanças em rotações mais baixas para favorecer a economia, como em outros modelos do grupo. A suspensão havia passado por uma recalibração na linha 2017. Na Argentina, onde ele é produzido, surge a versão VTI aspirada de 1,6 litro e 115 cv (o motor que temos em C3 e Aircross) e permanece a turbodiesel de mesma potência. Existe também o THP com caixa manual, aqui não mais disponível.

 

Ao volante do C4 Lounge

O Best Cars esteve na Argentina para avaliar o C4 Lounge Shine (única versão disponível) em um trajeto de 180 quilômetros, quase todo em rodovias, a partir de Buenos Aires — dirigimos por um terço do percurso. O carro transmite conforto, seja pelo amplo espaço, seja pela suspensão bem macia. As versões avaliadas antes absorviam mal as irregularidades do piso, mas não foi possível verificar se esse comportamento melhorou: fica para a avaliação completa no Brasil.

 

Painel ganhou quadro digital, que poderia ser melhor, e áudio com tela de toque de 7 pol, que comanda também ar-condicionado; espaço é ponto positivo

 

O desempenho do motor THP é outro ponto positivo, com aceleração e retomada consistentes em qualquer condição. Embora pese mais de 1,4 tonelada, o C4 Lounge mostra-se ágil com o torque de 24,5 m.kgf disponível desde baixas rotações. Direção e frenagem revelaram-se bastante seguras.

 

 

Das novidades para 2019, a tela central é de visualização e uso fáceis mesmo para quem não está habituado ao sistema. No entanto, ficam ressalvas ao acabamento, muito simples para o que se espera no segmento, e o novo quadro digital, sem atrativos visuais e de uso complicado, salvo pelas indicações principais. O indicador auxiliar de economia dificilmente é visto. Nossa opinião favorece o quadro anterior, mais refinado e prático de ler (caso da rotação do motor em arco, agora em linha horizontal), além de já trazer velocímetro digital. A Citroën poderia ter usado dígitos mais elaborados, com serifas, que permitem leitura mais rápida.

O C4 Lounge não apresenta tantas melhoras quanto poderia, mas permanece uma opção atraente na relação entre desempenho, conteúdos de conforto e segurança e preço, sobretudo na versão Feel. Pode ser o suficiente para o manter na briga até que venha uma nova geração.

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Versões, preços e equipamentos

• C4 Lounge Live (R$ 70 mil) – Alarme volumétrico, ar-condicionado automático de duas zonas, assistente de saída em rampa, banco traseiro bipartido, computador de bordo,  controlador e limitador de velocidade, controle eletrônico de estabilidade e tração, faróis de neblina, fixação Isofix para cadeira infantil, freios com distribuição eletrônica de frenagem (EBD) e assistência em emergência, quadro de instrumentos digital, rodas de alumínio de 16 pol, sistema de áudio com tela de 7 pol e integração a celular, volante com regulagem de altura e distância. Versão restrita a vendas diretas (frotistas e PCD).

• C4 Lounge Feel (R$ 93.920) – Como o Live, mais bancos e volante de couro, bolsas infláveis laterais, câmera traseira de manobras, faróis e limpador de para-brisa automáticos, navegador, retrovisor interno fotocrômico, rodas de alumínio de 17 pol.

• C4 Lounge Shine (R$ 102.790) – Como o Feel, mais bolsas infláveis de cortina, faróis de leds, rodas diferenciadas de 17 pol, teto solar com controle elétrico.

Garantia – Três anos, com seis anos contra corrosão perfurativa.

• Cores – Branco Banquise (sólida), Vermelho Salta, Cinza Aluminium, Cinza Moondust, Preto Perla Nera, Branco Nacré (perolizadas).

 

Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo
Diâmetro e curso 77 x 85,8 mm
Cilindrada 1.598 cm³
Taxa de compressão 10,2:1
Alimentação injeção direta, turbocompressor, resfriador de ar
Potência máxima (gas./álc.) 166/173 cv a 6.000 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 24,5 m.kgf a 1.400 rpm
Transmissão
Tipo de caixa e marchas automática, 6
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a disco
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência eletro-hidráulica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira eixo de torção, mola helicoidal
Rodas
Dimensões 17 pol
Pneus 225/45 R 17
Dimensões
Comprimento 4,621 m
Largura 1,789
Altura 1,505 m
Entre-eixos 2,71 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 60 l
Compartimento de bagagem 450 l
Peso em ordem de marcha 1.425 kg
Desempenho e consumo (gas./álc.)
Velocidade máxima 215 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 9,2/8,9 s
Consumo em cidade 10,5/7,1 km/l
Consumo em rodovia 13,2/9,0 km/l
Dados do fabricante; consumo conforme padrões do Inmetro