Renegade Trailhawk é valente e tem rodar confortável

Versão fora de estrada com motor Diesel tem suspensão ideal também para os obstáculos urbanos, mas vale R$ 140 mil?

Texto e fotos: Fabrício Samahá

 

A Jeep costuma anunciar seu Renegade, dentro do segmento de utilitário esporte esporte, como aquele mais apto ao uso fora de estrada. De fato, ele é um dos poucos na classe a oferecer tração nas quatro rodas — outros são o Ford Ecosport e o Renault Duster — e o único a combiná-la a um motor turbodiesel. Já avaliamos essa versão com acabamento Longitude, em 2016, mas dessa vez colocamos o topo de linha Trailhawk na avaliação 10 Chances. Veremos quais as chances desse Jeep, que custa R$ 140 mil, de merecer sua garagem.

Estilo
O Renegade é dono de um estilo robusto e simpático, inspirado nos antigos Jeeps em partes como os faróis circulares e as lanternas, cujo “X” interno lembra os galões de combustível do modelo militar. O Trailhawk vem com faróis de leds, rodas com a face externa usinada, adesivo fosco no capô (segundo a Jeep, para evitar reflexo do Sol em inclinações severas) e ganchos vermelhos de reboque à frente e atrás, com bom resultado. 1 ponto

 

Faróis de leds, adesivo fosco no capô, rodas de 17 pol com pneus de uso misto e ganchos à frente e atrás compõem o visual do Renegade Trailhawk Diesel 4×4

 

Acabamento e conveniência
O interior é dos mais bem-acabados da categoria e tem aspecto agradável. Nesta versão alguns itens vêm em tom alaranjado e não faltam conveniências, como alerta para uso do cinto por todos os ocupantes, ar-condicionado de duas zonas, câmera traseira de manobras, chave presencial para acesso e partida, comando a distância para abrir e fechar vidros, controlador e limitador de velocidade, freio de estacionamento elétrico, para-sóis com iluminação e retrovisor interno fotocrômico. A central de áudio Uconnect com tela de 8,4 polegadas, novidade em 2019, tem integração a celular por Android Auto e Apple Car Play. Foi bom ter mantido os comandos giratórios, mas não se consegue ver o ajuste feito no ar-condicionado quando a tela está iniciando ou servindo à câmera traseira. 1 ponto

 

 

Posto do motorista
É confortável dirigir o Renegade, com banco amplo e bem definido, ajuste do volante em altura e distância e posição correta dos pedais. Os instrumentos incluem tela colorida com velocímetro digital, computador de bordo completo e termômetros do óleo do motor e da transmissão. Pena que não haja mais monitor de pontos cegos nas faixas laterais e que o dos pneus tenha passado a indireto, que não informa a pressão de cada um. Os novos faróis de leds são ótimos, bem melhores que os comuns do modelo, e há ajuste elétrico de seu facho, luzes diurnas e de neblina. Ponto crítico: o grande prejuízo à visibilidade pelas imensas colunas. 1 ponto

Espaço
O Renegade acomoda bem quatro adultos, com ótimo espaço vertical e bom para pernas, mas limitado em largura para que três se sentem atrás. O conforto de um passageiro central é razoável. 0,5 ponto

 

Interior bem-acabado traz boas conveniências, bancos bem definidos e detalhes alaranjados; espaço traseiro é limitado, assim como para bagagem (273 litros)

 

Porta-malas
O Trailhawk manteve o estepe integral, até com roda de alumínio, por substituir melhor um pneu danificado no fora de estrada. Com isso, diferente dos demais Renegades, ele continua com a capacidade de bagagem restrita a 273 litros, uma das menores da categoria e inferior até à de um Renault Kwid ou Volkswagen Up. O banco traseiro tem encosto bipartido. É um tanto pesado fechar a tampa traseira. 0,5 ponto

 

O conhecido motor Fiat turbodiesel, apesar do peso de quase 1,7 tonelada, traz bom desempenho ao Renegade e é suave e silencioso na maioria das condições

 

Motor e desempenho
O conhecido motor Fiat turbodiesel de 2,0 litros, que também serve ao Compass e à Toro, tem 170 cv e o alto torque de 35,7 m.kgf. Apesar do peso expressivo de quase 1,7 tonelada, ele traz bom desempenho ao Renegade, como 0-100 km/h em 11,6 segundos — bem melhor que o Limited flexível, que levou 13,4 s. Além disso, é suave e silencioso na maioria das condições: só em baixa velocidade e com vidros abertos nota-se um clac-clac que não incomoda. O acelerador poderia ser mais leve. Dado curioso é que o carro chega a 100 km/h em quinta, sendo o mais comum no mercado atingi-los em terceira.

A transmissão automática de nove marchas traz a primeira bem curta, usada apenas em seleção manual ou na posição 4WD Low (não há caixa de transferência, a popular reduzida). Com calibração bem feita, ela admite mudanças manuais junto ao volante. A tração integral sob demanda reparte o torque entre os eixos quando necessário, podendo operar entre 100:0 e 40:60 (frente e traseira, na ordem). O modo 4WD Lock impõe divisão 50:50. Um seletor de programas ajusta tração, acelerador e transmissão a cinco tipos de piso: neve, areia, lama, pedras e automático. 1 ponto

 

Central de áudio com tela de 8,4 pol e câmera traseira, instrumentos com tela multifunção colorida, seletor de modos de condução, logotipo bordado, limitador de velocidade, ajuste elétrico de faróis

 

Consumo
Fatores como maior altura de rodagem e pneus mistos deixaram o Trailhawk menos econômico, sobretudo em rodovia, que o Longitude 4×4 testado antes. Mesmo assim, são boas marcas que se associam ao menor preço do diesel em relação à gasolina, para o deixar atraente em termos de custo de rodagem, e garantem ótima autonomia: mais de 700 km pelo consumo rodoviário obtido. 1 ponto

 

 

Comportamento dinâmico
O Trailhawk tem maior altura de rodagem que outros Renegades e pneus 215/60 R 17 de uso misto, adequados à proposta. As alterações não mudam as impressões que tivemos com a outra versão: o ponto alto é o conforto ao rodar, com maciez em lombadas e outras irregularidades do “fora de estrada urbano”, sem deixar de controlar os grandes movimentos. Os pneus mistos têm ruído moderado e se prestam melhor ao uso em terra e lama que os comuns. São muito bons o vão livre do solo (216 mm entre os eixos) e os ângulos de entrada (30°), rampa (22°) e saída (33°).

Sua estabilidade em curvas e manobras rápidas perde para outras versões, com grande movimento lateral e perda de aderência dos pneus, mas não compromete e há controle eletrônico. A nosso ver, para a proposta do carro o acerto é o melhor que se poderia obter. Freios (a disco nas quatro rodas) e direção estão bem acertados e existe assistente para descidas1 ponto

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