Mercedes SLS AMG Roadster: o diário de um sonho

 
Um interior luxuoso e esportivo, no qual os itens nostálgicos contrastam com os modernos

 

Hoje é a véspera do grande dia, quando finalmente levarei o SLS AMG Roadster para a estrada. Ao fim dela, uma subida de montanha me espera, com curvas e mais curvas pouco movimentadas, e lá o Mercedes de R$ 780 mil poderá mostrar suas habilidades, esticar seus músculos, fazer ver o que sabe e o que não sabe. E imagino que esse “não sabe” seja nada, ou quase nada.

 

Desço a rua a 20 por hora, pensando no tal Jaudes que montou o motor. Na AMG eles seguem a ferro e fogo a filosofia “um homem, um motor”. Ficou bom? Palmas para Herr Jaudes. Quebrou? Pedra nele

 

Olho no relógio do painel e vejo que é tarde, mais de 11 da noite. Tem pouca gente na rua, penso. Bato o dedo no controle remoto e o portão abre. A chave do SLS está no bolso e assim basta apertar o grande botão preto e vermelho no console para acordar o V8 que, pelo que está escrito em uma plaquinha bem no centro dele, foi montado por um certo Markus Jaudes lá em Affalterbach, a meros 30 quilômetros de Stuttgart.

A frente de lancha offshore me faz sair da garagem, mesmo de ré, receoso como se fosse um recém-habilitado. Desço a rua a 20 por hora, pensando no tal Jaudes que montou o motor. Na AMG eles seguem a ferro e fogo a filosofia “um homem, um motor”. Ficou bom? Palmas para Herr Jaudes. Quebrou? Pedra nele.

 

 

 
Acabamento esmerado, bancos envolventes, excelente sistema de áudio e o motor
assinado; no painel, os termômetros de água e óleos de motor e transmissão

 

Na noite paulistana o SLS escorrega pelas ruas do Sumaré ronronando em marcha-lenta. Dez minutos de voltinhas decretam que a temperatura está adequada e, nesse momento, faço o que poucos fariam: volto para casa e guardo o roadster na garagem. Nem uma aceleradinha sequer, nem uma passada de 3 mil rpm. Mal cheguei aos 50 km/h.

E por quê? Porque amanhã é o dia, e não hoje. E porque preciso ter juízo, ou nunca mais me emprestam nada parecido…

 

 

Terceiro dia

Eis que chega “o dia”. E cedo, cedo vamos para a estrada, eu e uma das mais sensacionais criaturas dessa famosa “preparadora de casa” que, de tanto trabalhar direitinho, foi comprada pela própria Daimler, dona da Mercedes-Benz. Rumo à rodovia que me levará as curvas, rodo na cidade ainda dormente. Pouca gente acorda tão cedo de sábado, o que me convida a abaixar a capota. E o SLS AMG deixa fazer isso andando, a até 50 km/h. A vistosa alavanca prata no console vermelho me livra do teto, que se esconde, bonitinho, sem barulho e em 11 segundos, no vão entre o habitáculo e o porta-malas — que, ao contrário de outros conversíveis, não perde quase nada do já diminuto espaço do cupê, baixando de 176 para 173 litros.

Qual a mágica? A opção dos projetistas de não dar ao SLS em versão Roadster o teto rígido escamoteável, presente desde sempre no Mercedes-Benz SLK, e sim uma capota de tecido à moda antiga, mas com alta tecnologia. Estrutura levíssima, nada de frestas que façam o vento assobiar ou deixem a água entrar. Perfeição, claro.

 

 
Abaixo de quase dois metros de capô, o V8 de 6,2 litros e 571 cv fica recuado no cofre
para melhor distribuição de massas entre os eixos; seu ronco empolga de imediato

 

Quando ela se abre, uma pequena placa de plástico no vão entre os bancos cuida de evitar o retorno de vento que costuma incomodar quem roda a céu aberto. Não poderia faltar o AirScarf, um “cachecol” de ar aquecido emitido na nuca dos ocupantes para que possam rodar de capota baixa em temperaturas mais baixas.

Nesses primeiros verdadeiros quilômetros observo, entre o curioso e o estupefato, o que não havia percebido nos dias de contemplação platônica em minha garagem: o velocímetro vai até 360 km/h. Mas há um pouco de exagero ali, pois a velocidade máxima real é limitada a “apenas” 317 km/h pela central eletrônica. Por que não 316 ou 318? Alguém em Affalterbach deve ter a resposta.

No console, uma sequência de botões, um deles com as letras C, S, S+, M e RS. Na cidade, melhor optar por C, de Controlled Efficiency ou eficiência controlada. O que é S? Sport. S+? Mais Sport. M? Manual. Essas opções interferem na operação da caixa de câmbio automatizada de dupla embreagem e sete marchas, em que C prioriza o uso de baixa rotação e S+ faz o oposto. Outra diferença está no tempo para as trocas, 20% menor em S que em C; ao passar para S+ as mudanças ficam ainda 20% mais rápidas que em S. No modo manual é que se conseguem as trocas mais velozes, 10% mais que em S+ e na metade do tempo comparadas às do modo C. E RS, o que faz?

Próxima parte

 

Equipamentos de série e opcionais

Ajuste de altura dos bancos mot./pas. S/S
Ajuste de apoio lombar mot./pas. S/S
Ajuste do volante em altura/distância S/S
Ajuste elétrico dos bancos mot./pas. S/S
Ajuste elétrico dos retrovisores S
Alarme antifurto/controle a distância S/S
Aquecimento S
Ar-condicionado/controle automático/zonas S/S/2
Bancos/volante revestidos em couro S/S
Bolsas infláveis frontais/laterais/cortinas S/S/ND
Câmbio automático/automatizado ND/S
Câmera traseira para manobras S
Cintos de três pontos, todos os ocupantes S
Computador de bordo S
Conta-giros S
Controlador/limitador de velocidade S/S
Controle de tração/estabilidade S/S
Controle elétrico dos vidros diant./tras. S/NA
Controles de áudio no volante S
Direção assistida S
Encosto de cabeça, todos os ocupantes S
Faróis com lâmpadas de xenônio S
Faróis de neblina S
Faróis/limpador de para-brisa automático S/S
Freios antitravamento (ABS) S
Interface Bluetooth para telefone celular S
Limpador/lavador do vidro traseiro NA
Luz traseira de neblina S
Navegador por GPS S
Rádio com toca-CDs/MP3 S/S
Repetidores laterais das luzes de direção S
Retrovisor interno fotocrômico S
Rodas de alumínio S
Sensores de estacionamento diant./tras. S/S
Teto solar/comando elétrico NA
Travamento central das portas S
Convenções: S = de série; O = opcional; ND = não disponível; NA = não aplicável

 

Preços

Sem opcionais R$ 780.000
Completo não disponível
Preço sugerido vigente em 18/10/12