Honda Civic EXL reinaugura as avaliações por um mês

Seção retorna com um dos sedãs médios mais vendidos: confira as primeiras impressões do consultor técnico

Texto: Felipe Hoffmann – Fotos: autor e Fabrício Samahá

 

A seção Um Mês ao Volante, que fez grande sucesso no Best Cars entre 2010 e 2014, retorna com avaliações do time comandado pelo consultor técnico Felipe Hoffmann. Para a nova estreia da área nos 20 anos do site, nada melhor que um carro que também completa 20 anos de produção nacional: o Honda Civic. Recebemos para isso a versão EXL com motor de 2,0 litros, potência de 150 cv (gasolina) ou 155 cv (álcool) e transmissão automática de variação contínua (CVT).

O conteúdo de série do EXL é adequado ao preço de R$ 105.900: ar-condicionado automático de duas zonas, assistente de saída em rampa, bancos revestidos em couro, bolsas infláveis frontais, laterais e de cortina, câmera traseira de manobras, controlador de velocidade, controle eletrônico de estabilidade e tração, faróis automáticos, faróis de neblina, fixação Isofix para cadeiras infantis, rodas de alumínio de 17 polegadas, sistema de áudio com navegador, vetorização de torque e volante de couro com ajuste em altura e distância e comandos de marchas, entre outros.

Com um ano de mercado, o Civic de décima geração impressiona bem não apenas pela carroceria de aspecto moderno, mas pelo interior, que também focou no apelo emocional. Entre os detalhes práticos estão o controle elétrico de vidros com função um-toque e comando a distância para abertura e fechamento, o freio de estacionamento com comando elétrico e retenção automática em paradas as duas tomadas USB, uma delas de 1,5 Ah. Excelente a capacidade de bagagem de 525 litros, uma das maiores da categoria. Apesar do bom espaço para os passageiros, o teto baixo torna o acesso ao banco traseiro menos confortável.

 

Imponente no desenho, o novo Civic reinaugura a seção de avaliações longas com a versão EXL, que usa motor de 2,0 litros e até 155 cv e caixa de variação contínua

 

Ao sair com o carro pela primeira vez, nota-se como o volante é pequeno e bem leve em manobras. Em baixa velocidade a direção tem uma relação mais direta que na maioria dos carros, com 2,2 voltas de batente a batente, o que traz comportamento mais esportivo — pouco movimento angular é necessário para mudança de trajetória. Isso representa vantagem ao fazer uma curva fechada, pois evita que o motorista precise tirar as mãos do volante. No uso urbano deve-se adaptar a essa relação mais direta para evitar invasão de faixa ou desconforto aos passageiros.

 

Na primeira semana o Civic demonstrou conforto e surpreendeu em economia: média geral de 13,1 km/l de gasolina e pior marca de 9 km/l

 

Há também ganho de tempo em manobras de alta velocidade: quanto menor for o grau de movimento requerido, menor será o tempo para o veículo começar a nova trajetória. No entanto, a Honda aplicou uma relação menos direta na região próxima do centro, para evitar mudança mais brusca de direção que o desejado em velocidade. Outro aspecto do Civic que cativa é seu acerto de suspensão: absorve muito bom as asperezas e irregularidades do piso sem que isso comprometa o comportamento dinâmico.

O EXL está bem dotado em termos de conectividade: o sistema de áudio com tela sensível ao toque de 7 pol inclui conexão HDMI e interface para celular por Android Auto e Apple Car Play. Leva-se algum tempo para aprender como tudo funciona, mas logo a operação se torna intuitiva. Fica a ressalva para o trabalhoso pareamento do celular com o sistema Car Play. Irritante é o fato de voltar ao Car Play quando não se quer: por exemplo, usando o Waze no celular e ouvindo rádio, o sistema volta ao Car Play toda vez que o Waze emite algum som. Isso requer um longo caminho para voltar ao rádio, que se repetirá a cada esquina. Ponto positivo é poder conectar o cabo e passá-lo pelo console sem a conexão ficar à mostra.

 

Interior traz boas soluções como tomadas ocultas e retenção automática em paradas; botão capacitivo do volume de áudio às vezes foi acionado sem querer

 

Claro que se pode optar pelo navegador do carro, que usa a tela central e recebe informações de trânsito. Mas logo ao retirarmos o carro em São Paulo o GPS ficou perdido em sinal e demorou a “se achar”, além de não ter a variedade de sinalizações do Waze. Ainda na tela, a câmera traseira de manobras ajuda muito ao estacionar e indica o caminho que o carro fará conforme a posição da direção.

 

 

Os comandos no volante que operam computador de bordo e áudio, projetando as informações no painel, também agradam. Só não gostamos do botão capacitivo de volume, que pode ser acionado esfregando o dedo para cima ou para baixo, como ao “rolar” a tela do celular. Pode ser útil para alguns, mas às vezes ao entrar mais forte numa curva, sem querer, subimos muito o volume ao encostar no botão.

Se o desempenho do Civic é apenas satisfatório para os atuais padrões do segmento, em que motores turbo com muito torque são comuns, o consumo na primeira semana foi impressionante. Com duas viagens ao litoral norte paulista (com direito a trânsito) e trajetos urbanos de 70 km ao dia em São Paulo, o Civic demonstrou conforto e surpreendeu em economia com gasolina comum.

 

Ao lado do conforto e de praticidades como a câmera traseira, o Civic tem mostrado grande economia na cidade e em rodovia, mérito em parte da caixa CVT

 

Muito auxiliado pelo comportamento da CVT, que será comentado em detalhes nas próximas semanas, chegou a registrar no uso urbano 15,4 km/l em dia ameno em temperatura — o que dispensou o ar-condicionado e permitiu ao motor trabalhar com avanço de ignição mais próximo do MBT sem detonação. No mesmo trajeto em dia de calor, com ar, ele fez 13,2 km/l. A pior média urbana (9 km/l) foi em trajeto de 11 km à média de 20 km/h com trânsito infernal, calor e ar ligado.

Em rodovia, uma viagem ao litoral teve trânsito pesado na ida (média de 40 km/h!) e, mesmo assim, ele obteve 16,1 km/l entre ida e volta. A melhor marca parcial, 18 km/l, foi obtida em descida ao litoral. E o Civic chamou a atenção ao fazer 17 km/l num trecho de 40 km com inúmeras lombadas, praga brasileira que prejudica muito o consumo. Mais uma vez a CVT e o motor eficiente cumpriram seu papel com brilho.

Nas semanas adiante o Honda terá outros motoristas ao volante, para variedade de opiniões, e servirá a experiências com o equipamento Race Capture Pro ao gosto dos leitores que apreciam técnica. Na próxima terça-feira, o segundo período.

Mais Avaliações

 

 

Primeira semana

Distância percorrida 950 km
Distância em cidade 273 km
Distância em rodovia 677 km
Consumo médio geral 13,1 km/l
Consumo médio em cidade 12,3 km/l
Consumo médio em rodovia 15,4 km/l
Melhor média 18,0 km/l
Pior média 9,0 km/l
Dados do computador de bordo com gasolina

 

Preços

Sem opcionais R$ 105.900
Como avaliado R$ 105.900
Completo R$ 107.400
Preços sugeridos em 21/11/17

 

Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo e levantamento
Diâmetro e curso 81 x 96,9 mm
Cilindrada 1.997 cm³
Taxa de compressão 11:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 150/155 cv a 6.300 rpm
Torque máximo  (gas./álc.) 19,3 m.kgf a 4.700 rpm/19,5 m.kgf a 4.800 rpm
Transmissão
Tipo de caixa e marchas automática de variação contínua, simulação de 7 marchas
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a disco
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência elétrica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira independente, multibraço, mola helicoidal
Rodas
Dimensões 7 x 17 pol
Pneus 215/50 R 17
Dimensões
Comprimento 4,637 m
Largura 1,798 m
Altura 1,433 m
Entre-eixos 2,70 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 56 l
Compartimento de bagagem 519 l
Peso em ordem de marcha 1.291 kg
Dados do fabricante; desempenho e consumo não disponíveis