Novo Honda Fit EX é eficiente, mas caro e despojado

Honda Fit EX

 

Bom espaço e desempenho justo não convencem a pagar R$ 62,9 mil
pela versão, que perdeu equipamentos de conforto e segurança

Texto e fotos: Fabrício Samahá

 

Em um prazo dos mais curtos dentro dos padrões da indústria brasileira — pouco mais de cinco anos após o lançamento do modelo anterior e apenas nove meses desde sua apresentação no Japão —, a Honda lançou o Fit nacional de terceira geração. Quando um carro é reformulado, esperam-se grandes evoluções e que nada tenha sido piorado em relação ao antigo, mas a avaliação inicial por ocasião de seu lançamento, em abril, havia deixado dúvidas a esclarecer em um teste completo.

Das quatro versões de acabamento do novo Fit, todas equipadas com o mesmo motor de 1,5 litro e quatro válvulas por cilindro, duas representam as maiores fatias de mercado da linha: a LX e a EX, segunda e terceira — na ordem — dentro da escala ascendente de preços. Escolhemos avaliar a EX, que vem de série com câmbio automático de variação contínua (CVT), por trazer mais itens que pretendíamos analisar em detalhes.

 

Honda Fit EX

 

Honda Fit EX
Honda Fit EX
 
Vincos marcados e faróis de perfil baixo deixaram mais esportivo o desenho
do Fit, que traz belas rodas de 16 pol, mas as lanternas traseiras dividem opiniões

 

O conteúdo de série passa por bolsas infláveis frontais, freios antitravamento (ABS) com distribuição eletrônica entre os eixos (EBD), cintos de segurança de três pontos para todos os ocupantes, pontos de ancoragem Isofix para assentos infantis, faróis de neblina, rodas de alumínio de 16 pol, ar-condicionado, direção assistida com volante regulável em altura e distância, controles elétricos de vidros, travas e retrovisores, travamento de portas a distância, alarme, banco traseiro bipartido e reclinável, câmera traseira para manobras e rádio/toca-CDs com interface Bluetooth para celular e comandos no volante.

 

Há bons detalhes como encosto traseiro com
ajuste entre duas posições, assento que
rebate junto ao encosto e câmera para manobras

 

Embora o pacote atenda bem às necessidades da maioria, o que se pede por ele faz esperar mais: R$ 62.900, mais R$ 1 mil por pintura metálica ou perolizada. Está acima de hatches compactos mais potentes e bem-equipados, como Ford Fiesta Titanium 1,6 Powershift (R$ 59.590) e Peugeot 208 Griffe 1,6 automático (R$ 58.790), e já não muito distante de modelos médios como Fiat Bravo Absolute 1,75 Dualogic (R$ 65.180) e Ford Focus S 1,6 Powershift (R$ 67.590).

O novo desenho do Fit expressa modernidade com os vincos bem marcados e a frente mais esportiva, que abandona os enormes “olhos” do anterior em favor de faróis de perfil baixo, alinhados aos de City e Civic. O ângulo mais controverso é a traseira, na qual as extensões refletivas das lanternas pelas colunas — embora válidas para criar ligação com outro Honda, o CR-V — parecem improvisadas, enquanto as simulações de saídas de ar no para-choque soam desnecessárias. A Honda não informa o novo coeficiente aerodinâmico (Cx).

 

Honda Fit EX

 

Honda Fit EX
Honda Fit EX
 
Simplicidade em excesso e perda de equipamentos prejudicam o interior, a
iluminação dos instrumentos requer revisão e o porta-malas, amplo, diminuiu

 

Um ponto positivo é a qualidade dos painéis de carroceria, que deixam vãos estreitos e com alinhamento impecável, mesmo nas curvas — só os da quinta porta poderiam ser menores. Em contrapartida, o cofre do motor e a parte interna do capô em cor de fundo, sem pintura, deixam a sensação de economia extrema.

 

 

O interior tem aspecto simples, pouco melhor no EX — em comparação aos mais simples DX e LX — pela inserção de apliques em tom prata no volante e em preto brilhante no painel. Os plásticos são rígidos (nem mesmo o volante é macio), embora bem montados, e há falhas como a fixação da base dos bancos dianteiros bem à vista. O motorista dispõe de um banco bem conformado e encontra boa posição, com pedais e volante bem posicionados em relação ao assento, mas seria melhor com um curso mais longo para o ajuste em distância da coluna de direção.

O painel espartano sugere clareza de leitura, que seria obtida durante o dia se a iluminação permanente em tom âmbar tivesse maior contraste ao fundo preto. O inconveniente é agravado pela claridade da tela central do painel, também ajustada pelo controle de intensidade, mas sempre mais alta que a dos instrumentos. O “computador de bordo” quase não merece tal denominação, pois informa apenas a média de consumo. Embora não exista a programação Econ dos Hondas superiores, que altera parâmetros para economizar combustível, a palavra Eco aparece no quadro quando o motorista dirige de forma moderada.

 

Honda Fit EX
Honda Fit EX
 
Bancos acomodam bem e o espaço para pernas atrás foi ampliado, embora a
largura ainda seja pouca para três pessoas; cintos de três pontos são para todos

 

Há bons detalhes no Fit, como encosto traseiro com ajuste entre duas posições, assento posterior que rebate junto ao encosto para permitir o transporte de itens volumosos no assoalho, comandos de áudio e telefone no volante, porta-copos ajustável diante do difusor de ar esquerdo, alças de teto com retorno suave, bons locais para objetos, sistema de áudio com conexões USB e auxiliar, câmera traseira para manobras (com escolha entre três ângulos de visualização) em tela de cinco polegadas, controle elétrico de vidros com temporizador (mas a função um-toque está restrita ao do motorista) e faróis de neblina.

Ao comparar o novo modelo ao anterior que avaliamos em 2010, porém, nota-se que a Honda “depenou” o EX de itens como ar-condicionado com controle automático, controlador de velocidade, ajuste do intervalo do limpador de para-brisa, repetidores laterais das luzes de direção, mostrador gráfico de consumo instantâneo e até a bolsa para revistas atrás do banco do motorista (restou a do lado do passageiro). Seu preço justificaria ainda oferecer mostrador de temperatura externa, faixa degradê no para-brisa, porta-luvas refrigerado, abertura e fechamento dos vidros a distância e iluminação nos para-sóis.

Próxima parte