Estilo: Chevrolet Spin, do limão uma boa limonada

 

Estilo-1Aqui, um dos maiores destaques é a elevação do suporte da placa. A tampa do porta-malas antiga só continha o logotipo e a maçaneta, o que deixava uma área vazia grande demais. Uma parte da solução foi colocar nela o suporte da placa, um recurso clássico das atualizações parciais: causa grande diferença visual e não implica custos altos, porque só requer retrabalhar a tampa e o para-choque.

Estilo-2O outro destaque está nas lanternas traseiras, que também ganharam perfil mais baixo. Além disso, foram bipartidas para ocupar uma parte da tampa do porta-malas. Isso lhes dá aparência horizontal, ao passo que as anteriores eram verticais. Além de repetir o efeito de largura dos faróis, colaboram para reduzir a área vazia da tampa. Lanternas horizontais e de contorno suave, mas com cantos vivos, são outro recurso em voga na Chevrolet.

 

 

Estilo-3Aproveitou-se a oportunidade para mudar o recorte inferior da tampa. Ele ficou levemente mais largo, de modo a aumentar o vão livre de acesso.

Estilo-4Assim como na dianteira, usar luzes de perfil mais baixo aumentou a área vazia abaixo delas. A Spin resolveu isso mudando o relevo do para-choque: enquanto o antigo era todo abaulado, o novo só o faz abaixo da base da tampa. Consegue-se disfarçar a região vazia só com o jogo de luz e sombra. Dependendo do ângulo do qual se olha, o novo desenho também reforça a sensação de largura.

Estilo-5Observa-se melhor o efeito aplicado ao vidro traseiro, citado na imagem acima: cobrir seus cantos superiores criou um chanfro que o faz parecer menor. Em consequência, a carroceria como um todo também perde um pouco da impressão de amplitude.

 

 

Embora a “aventureira” Activ tenha sido lançada dois anos depois da Spin inicial, a Chevrolet optou por incluí-la em simultâneo na renovação. A versão aparece com detalhes estéticos exclusivos, mas também não faz alterações profundas na carroceria original. Não obstante, causam uma boa diferenciação visual.

Estilo-1Para seguir a cartilha das versões de aventura, a Activ traz a porção inferior da dianteira em plástico preto. Os faróis de neblina ficam em um suporte próprio nessa região. Como a porção vazia abaixo dos faróis principais aumentou, escolheu-se destacar os de neblina usando o revestimento plástico: ficou exagerado a ponto de tornar os suportes destes, que são pequenos, mais altos que os faróis principais.

Estilo-2A versão reforça o fato de que a grade superior perdeu destaque em relação aos demais elementos. Seu contorno adquire a cor marrom, muito mais discreta que o cromado das versões convencionais (e ainda mais que o de qualquer Spin antiga). Em paralelo, a entrada de ar inferior cresceu em altura e ganhou pintura prateada. Outro detalhe digno de nota é que a Spin abandonou a pintura prateada da parte inferior, tendência que teve seu auge entre os “aventureiros” de alguns anos atrás.

 

 

Estilo-1A porção inferior trocou o adesivo com o nome Activ por frisos de plástico. Embora ambas as soluções tragam um ar de anos 80 e 90 — época em que eram comuns —, os frisos oferecem proteção adicional às portas em lugares como estacionamentos.

Estilo-2A Spin Activ reforça o combate às áreas vazias usando o revestimento em plástico preto: no modelo renovado, ele ganhou prolongamentos com formato de barbatana de tubarão para isso. Abaixo deles, o par de refletores e a barra que os une ganharam forma mais parecida à das lanternas e um pouco mais de destaque, porque já não dividem espaço com o suporte da placa.

Estilo-3Este é outro carro de estilo fora de estrada a devolver o estepe ao interior. A fixação externa deixa a impressão de uma carroceria mais comprida, mas está caindo em desuso por fatores como acesso inconveniente ao compartimento de bagagem (precisa-se deslocar o suporte de estepe, em geral usando ambas as mãos) e prejuízo à visibilidade traseira.

 

 

Embora a Chevrolet tenha obtido resultados muito bons, considerando a abrangência do redesenho, as limitações desse tipo de operação fizeram-se presentes mais uma vez. O desenho de algumas das peças renovadas, como as lanternas traseiras, foi condicionado pelo formato das peças adjacentes, que ficaram intocadas para preservar a coerência — e o baixo custo. Em outros casos, as novas soluções criaram problemas como o excesso de área vazia na carroceria, o qual recebeu soluções paliativas de resultado nem sempre agradável.

 

A Spin Active abandonou o estepe externo e a pintura prateada da parte inferior, tendências que tiveram seu auge nos “aventureiros” de alguns anos atrás

 

Pode-se afirmar que o maior problema está no conjunto, tanto da dianteira quanto da traseira. O conjunto faróis/grade e o grupo lanternas/placa traseiras adquiriram altura menor que a dos antecessores. Essa solução é usada para criar aparência esguia e tendente à esportividade, o qual a Chevrolet vem, de fato, mostrando nos últimos modelos. A Spin, no entanto, sai prejudicada por ter sido projetada sob a identidade de estilo anterior do fabricante.

Naquela fase, faróis, lanternas e entradas de ar tinham desenho mais vertical e grande distância em altura para as respectivas placas — e isso se acentua em um carro alto como esse. Além disso, dianteira e traseira foram redesenhadas de modo a reforçar a sensação de largura, o que passa a sensação de que a Spin tem espaço demais em altura para os elementos que usa ali. A versão Activ disfarça isso na parte debaixo com o revestimento plástico, mas o excesso de área livre acima ainda é evidente.

 

Foi preciso mexer mais no desenho da minivan que em colegas de plataforma como Onix, Prisma e Tracker, mas sem acarretar custos muito altos

 

Entre os irmãos de plataforma, a renovação do Cobalt usou recursos parecidos, mas obteve resultado mais agradável por se tratar de um carro mais baixo. Já com Onix, Prisma e Tracker, seguiram-se dois caminhos diferentes. Em relação a Cobalt e Spin, a dianteira daqueles três passou por mudanças mais complexas e a traseira ficou praticamente intocada. O compromisso com o preço baixo obrigou a Spin a mudar mais para reter a atenção do público, mas não tanto que implicasse um custo inviável.

Como se pode imaginar, a decisão de qual processo usar em um redesenho parcial é altamente arriscada e difícil. No caso da Spin, as novidades certamente não lhe trarão prêmios de estilo. Entretanto, quem disse que ela procura isso? Seus destaques são manter as qualidades conhecidas, incorporar outras igualmente apropriadas para seu público-alvo e obter o menor aumento de custos possível. Nesse contexto, onde o papel do desenho não é crucial, a atualização que a Spin recebeu conseguiu fazer uma boa limonada de um (muito azedo) limão.